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“A gente não está vivendo isso de agora. A vida inteira nós vivemos isso. Nunca melhorou, não vai ser agora que isso vai ser diferente, infelizmente”, afirma Elza Soares, incontornável, ao comentar as recentes manifestações pedindo justiça racial pelo mundo em meio à pandemia de covid-19. A cantora afirma que o Brasil é um país racista e que durante toda a sua vida precisou conviver com isso. “Não foi feita uma vacina contra esse mal ainda, esse mal maldito. Sempre foi a mesma coisa, não tem diferença nenhuma no que acontece hoje. Esse é o meu Brasil, o seu, o nosso.”

Essa afirmação da cantora, que completou 90 anos no último dia 23 de junho, está refletida em Juízo Final, samba de Nelson Cavaquinho de 1973 que ganhou nova versão na voz de Elza. O samba chamou, e ela veio de novo para cantar “quero ter olhos para ver a maldade desaparecer” e afirmar que “o sol há de brilhar mais uma vez”. 

Segundo Elza, a canção é potente e reflete o que vivemos no País — e por isso quis interpretá-la. “Ela é um alerta. Eu gosto da letra, gosto da música. É um samba, né? E fala sobre o momento que nós estamos vivendo. É o juízo final. Vamos prestar atenção nessa letra, gente. O que ela fala é muito forte.”

A intérprete, que amplificou a voz e a situação das pessoas negras no Brasil com a canção A Carne, lançada em 2002, afirma que “o Brasil é um país preto, mas é um país bobo, de miséria”. “Tem que colocar a mão na consciência. A carne mais barata do mercado foi a carne negra. Ela não é mais”, afirma. 

“A movimentação [de combate ao racismo] sempre existiu e tem que continuar como sempre foi. Ele [racismo] sempre existiu, não é de agora. É preciso lutar, lutar, buscar, buscar. Não se faz vacina para doenças? Quem sabe algum dia não exista uma para essa espécie de ‘pandemia’ também?”, reflete.

Além de Juízo Final, Elza prepara também o lançamento da inédita Negão Negra, que pretende, novamente “cantar o que se cala”. “Nestes tempos, a gente vendo os negros sendo mortos, uma coisa horrível, eu tenho que gritar. Aliás, eu tenho que gritar sempre, e essa música é mais um grito meu.”

Toda essa trajetória representa a evolução do recado que Elza deu há cinco anos, quando ressurgiu pedindo para que a deixassem “cantar até o fim” no álbum A Mulher do Fim do Mundo, de 2015.

Esse álbum, inteiro de inéditas, rendeu um Grammy Latino a ela e duas sequências: Deus É Mulher, em 2018 e Planeta Fome, em 2019, além de turnês e shows pelo Brasil e mundo afora. Em 2018, também foi lançada Elza, sua biografia, escrita pelo jornalista Zeca Camargo.

É em Não está mais de graça, do álbum de 2019, que Elza atualiza um de seus hinos, A Carne, música de 2002 cujo refrão agora afirma que  “a carne mais barata do mercado não está mais de graça”.

“A movimentação [de combate ao racismo] sempre existiu e tem que continuar como sempre...

Apesar de ter se tornado uma referência ao longo de sua carreira - e ganhado notoriedade nos últimos anos -, Elza Soares rejeita esse lugar. “Eu não quero que elas [mulheres] me vejam como coisa alguma. Quero que elas se vejam. Nós, mulheres, temos que lutar. Sem mulher o mundo não existe. Deus é mulher.”

Desde março, a cantora precisou remarcar shows e adiar algumas produções. E se sente bem. Ela tem ficado somente em casa devido à pandemia do novo coronavírus e afirma estar acompanhada de sua família. “Está passando, né? Tem que passar, precisa passar, a gente passa. Tenho ficado completamente em casa, não é quarentena? Então temos que seguir”, diz. 

Para ela, este momento escancarou desigualdades já latentes no Brasil, mas vê oportunidades em meio à crise sanitária. “Para mim e pra todo mundo que está passando por isso... É um momento de você pensar, ficar mais atenta a tudo que está acontecendo. É por aí. Prestar atenção ao outro é uma coisa que a gente não faz. O momento é este, é agora.”

Sempre tivemos dificuldade de enxergar o outro. Foi preciso uma pandemia para as pessoas pararem e pensarem.

A “mulher do agora” que é Elza Soares não vê o passado com nostalgia. Hoje, ele não passa de uma sombra. Elza passou fome na infância, perdeu maridos, filhos, amargurou a falta de dinheiro e de liberdade, ficou quase 10 anos sem gravar e sofreu com o julgamento da sociedade por se relacionar com Mané Garrincha - e ter sido vítima de violência doméstica.

“Eu me vejo como todo mundo se vê: para frente! Eu acho que você tem que seguir, trilhar o caminho que se apresenta. Caminhando contra o vento, sem lenço, sem documento, vamos embora”, diz, otimista. O que a Elza de hoje diria para Elza do passado? “Vamos para frente que atrás vem gente”, brinca.

 

Momentos marcantes

Em 1953, Elza Conceição Soares subiu ao palco do programa de Ary Barroso, na Rádio Tupi, com seus 50 quilos, roupas remendadas com alfinete e uma sandália emprestada de sua mãe. “De onde você vem?”, ele perguntou, em tom de gozação. E ela respondeu: “Do planeta fome”.

Assim que ela começou a cantar os versos de Lama, “se eu quiser fumar, eu fumo, se eu quiser beber, eu bebo”, escritos por Aylce Chaves e Paulo Marques, Ary se encantou com o timbre e a força daquela voz rouca cheia de distorções únicas. Ao final da apresentação, abraçou Elza e bradou: “senhoras e senhores, nasce uma estrela”.

Em 1999, ela caiu de um palco de aproximadamente 2 metros de altura enquanto fazia um show no Metropolitan, em São Paulo, o que provocou um achatamento na coluna. Inicialmente, Elza precisou usar um colete e não deixou de usar seu emblemático salto 15 — o que, com o tempo, a fez sofrer com dores e dificuldades de locomoção.

De 2007 para cá, já fez cerca de 4 cirurgias e correu o risco de perder os movimentos e a fala. Recuperada e saudável, ela precisou abrir mão do gingado, do salto alto e, atualmente, faz os shows sentada. “Cantar ainda é remédio bom. Essa frase é de João de Aquino [compositor brasileiro]. Continua sendo esse remédio. Tem que ser”, diz. 

Aos 90 anos - que ela insiste em dizer que não comemora e não conta -, Elza segue cantando e se alimentando de sua própria voz. O dia em que ela chegou ao mundo é comemorado em duas datas: dia 22 de julho é considerado seu nascimento oficial, e 23 de junho, a dataque consta em documentos.

“Há dias em que nem nasci ainda, estou no ventre, outro dia já nasci, outro dia já acabei de nascer, sei lá. Vou vivendo. Estou vivendo os melhores dias da minha vida. Nunca parei para ver quantos anos eu tenho, não vai ser agora, né?”

Para Elza, “vamos encontrar um mundo novo” após a pandemia. “A gente vai viver um novo mundo, uma nova experiência. Nós estamos pisando em ovos. Vamos continuar pisando, devagar e sempre. Tem que ser assim. Não dá para ser afobado, não”, ressalta.

 

Fonte: https://www.huffpostbrasil.com/

O número de pessoas ocupadas que estavam temporariamente afastadas do trabalho devido ao isolamento social caiu de 13,5 milhões na primeira semana de junho para 12,4 milhões na segunda semana do mês. Como a população desocupada ficou estatisticamente estável nesse período, cerca de 1,1 milhão de pessoas podem ter voltado ao trabalho com a flexibilização do distanciamento social adotada em algumas cidades do país. Na primeira semana de maio 16,6 milhões estavam afastadas do trabalho.

 

Os dados são da PNAD COVID19 semanal, divulgada hoje (3) pelo IBGE.

 

“Em relação à primeira semana de maio, o resultado pode significar retorno ao trabalho, mas também dispensa de pessoal, pois nessa comparação se observa o aumento da população desocupada em dois milhões. Então podem ter ocorrido esses dois efeitos”, explicou a coordenadora da pesquisa, Maria Lucia Viera, complementando que 11,9 milhões de pessoas estavam desocupadas na segunda semana de junho.

 

Na segunda semana de junho, o IBGE estima que 170 milhões pessoas estavam em idade para trabalhar, mas somente 83,5 milhões estavam ocupadas. Esse número permaneceu estável desde a primeira semana de maio, e mostra que menos da metade (49,0%) das pessoas estavam trabalhando na segunda semana de junho.

 

Entre os ocupados, 8,5 milhões trabalharam de forma remota, o que representa 12,5% de trabalhadores não afastados do trabalho em virtude da pandemia. Esse grupo, que oscilou ao longo das últimas semanas, chegando a 8,9 milhões na primeira semana de junho, retornou ao patamar do início de maio (8,5 milhões).

 

Segundo a pesquisa, os desempregados que gostariam de trabalhar, mas não procuraram emprego por causa da pandemia ou por falta de vagas no local onde vivem ficaram em 18,2 milhões de pessoas, indicando estabilidade na comparação com a primeira semana de junho. Esse grupo correspondia a 68% das pessoas não ocupadas que não buscaram por trabalho e gostariam de trabalhar.

 

Informalidade atinge 29,2 milhões de pessoas

 

A taxa de trabalhadores na informalidade ficou em 35,0%, na segunda semana de junho, atingindo 29,2 milhões de pessoas. O número de informais caiu na terceira semana de maio (28,5 milhões), mas voltou ao subir nas últimas semanas. No início de maio, eram 29,6 milhões.

 

Entre os informais estão os empregados do setor privado sem carteira; trabalhadores domésticos sem carteira; empregadores que não contribuem para o INSS; trabalhadores por conta própria que não contribuem para o INSS; e trabalhadores não remunerados em ajuda a morador do domicílio ou parente.

 

Três milhões de pessoas procuraram atendimento médico na segunda semana de junho

 

A PNAD COVID19 mostra, ainda, que cerca de três milhões de pessoas com algum sintoma de síndrome gripal procuraram atendimento médico em unidades de saúde na segunda semana de junho. Esse número ficou estatisticamente estável na comparação com a semana anterior (2,8 milhões), mas é menor que o registrado no início de maio (3,7 milhões), quando a pesquisa começou.

Na segunda semana de junho, 15,6 milhões de pessoas se queixaram de algum dos sintomas de gripe investigados pela pesquisa (febre, tosse, dor de garganta, dificuldade para respirar, dor de cabeça, dor no peito, náusea, nariz entupido ou escorrendo, fadiga, dor nos olhos, perda de olfato ou paladar e dor muscular). Na primeira semana de maio, 26,8 milhões estavam sintomáticas.

 

Os sintomas pouco variaram na segunda semana de junho, frente a anterior. A maioria dos entrevistados relatou dor de cabeça (7,3 milhões). A segunda queixa mais recorrente foi nariz entupido ou escorrendo (5,5 milhões), seguida tosse (4,7 milhões), dor muscular (4,3 milhões), dor de garganta (3,7 milhões), fadiga (2,5 milhões), perda de cheiro ou de sabor (2,3 milhões) e dificuldade de respirar (2,1 milhões).

 

“Dos três milhões que tiveram algum sintoma e procuraram atendimento médico, mais de 85% foram para unidades da rede pública de saúde”, observa Maria Lucia.

 

Quase a metade (46,4%) disse ter buscado tratamento em postos de saúde, 20% em prontos-socorros e outros 20% em hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS). Na rede privada, 9,1% estiveram em ambulatórios, consultórios privados ou ligados às forças armadas, 4,0% em prontos-socorros privados e 10,2% em hospitais privados.

 

Dos 900 mil que buscaram atendimento em hospital, público, particular ou ligado às forças armadas na segunda semana de junho, 110 mil ficaram internados, onze mil a menos na comparação com a primeira semana de junho.

 

Entre as 15,6 milhões de pessoas que tiveram algum sintoma, 83,1% não procuraram nenhum atendimento ou estabelecimento de saúde na segunda semana de junho. Já 58,1% tomaram remédio por conta própria. Outros 14,1% tomaram medicamento com orientação médica. Além disso, 6,2% ligaram para algum profissional de saúde e 3,3% receberam visita de algum profissional de saúde do SUS.

 

A PNAD COVID 19 é uma versão da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua), realizada com apoio do Ministério da Saúde, para identificar os impactos da pandemia no mercado de trabalho e para quantificar as pessoas com sintomas associados à síndrome gripal. O IBGE faz divulgações semanais e uma mensal da pesquisa. A pesquisa se enquadra como um dos produtos das Estatísticas Experimentais do IBGE.

 

Fonte: Agência IBGE

Para os netos de Gonzagão, o atual governo “faz todos os gestos ao seu alcance para confundir e colocar em risco a população do Brasil, enquanto protege a si mesmo e aos seus”

Em nota assinada por Amora Pêra, Nanan Gonzaga e Daniel Gonzaga, os netos de Luiz Gonzaga repudiaram o uso da música Riacho do Navio em live de Bolsonaro, na última quinta-feira. O texto foi divulgado no perfil de Facebook de Amora Pêra. A música Riacho do Navio é de autoria de Luiz Gonzaga e Zé Dantas.

“Diante da impotência e da impossibilidade de processo por propaganda indevida, por dupla apropriação, da canção de Luiz Gonzaga e Zé Dantas e do projeto do Rio São Francisco; nós, filhos de Luiz Gonzaga Jr, netos de Luiz Gonzaga, apresentamos uma NOTA DE NOJO diante deste governo mortal e suas lives”.

Para os netos de Gonzagão, o atual governo “faz todos os gestos ao seu alcance para confundir e colocar em risco a população do Brasil, enquanto protege a si mesmo e aos seus”.

Diante da impotência e da impossibilidade de processo por propaganda indevida, por dupla apropriação, da canção de Luiz Gonzaga e Zé Dantas e do projeto do Rio São Francisco; nós, filhos de Luiz Gonzaga do Nascimento Jr, netos de Luiz Gonzaga, o Gonzagão, apresentamos uma NOTA DE NOJO diante deste governo mortal e suas lives. Governo que faz todos os gestos ao seu alcance para confundir e colocar em risco a população do Brasil, enquanto protege a si mesmo e aos seus.

Não estamos de acordo com o uso da canção Riacho do Navio, nem sua alteração, nem sua execução (com duplo sentido) pelo Senhor Gilson Machado Neto, presidente da Embratur, em transmissão ao vivo pelo Senhor Presidente.

E, AINDA QUE SIMBOLICAMENTE, não autorizamos ao Governo Federal o uso das canções assinadas por nenhum de nossos familiares, ou, ao menos, das respectivas partes que nos cabem.

Sonhamos com o dia em que nosso país volte a ser e a ter respeito e honestidade em relação à sua história, suas injustiças e desequilíbrios.

Sonhamos o dia em que se volte a reconhecer, dentro do país, a importância da Cultura, das artes Brasileiras, e seu imenso legado por gerações, assim como o é em todo o mundo.

Sonhamos com o dia em que a informação e o conhecimento sejam distribuídos democraticamente à todos, para, apenas recomeçar, sanarmos essa doença que não faz distinção, além da social, como costuma ser na nossa violenta história. E depois, para que o poder e o espaço, em toda instância, possa ser equalizado e distribuído.

Sonhamos dias sem mortos pela violência do Estado, seja ela direta ou indireta.

Finalmente, sonhamos com quando poderemos dançar e cantar abraçados, sem medo, nos bailes de forró e nas tantas festas as quais o Brasil faz e das quais é feito.

Trabalhamos todos os dias por realizar estes sonhos, que não são apenas por nós, mas por todas as gentes deste país.

Por hora, trabalhamos em casa, cumprindo as indicações internacionais da Organização Mundial de Saúde e pedimos que, todos que possam, também o façam.

Fonte: Portal Vermelho

Benefício emergencial não conta como verba trabalhista; veja cálculos

 

A suspensão de contratos de trabalho durante a pandemia de Covid-19 terá impacto no pagamento do 13º salário, nas férias, no FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e em benefícios do INSS.

 

Publicada em abril pelo presidente Jair Bolsonaro, a MP (Medida Provisória) 936 permitiu a suspensão de contratos e a redução de salários e jornadas.

 

O programa busca diminuir as demissões geradas pela redução da atividade econômica durante a quarentena de combate à propagação acelerada do novo coronavírus.

 

A medida permite a suspensão de contratos por até dois meses (períodos de 30 ou de 60 dias). Enquanto está sem trabalhar, o funcionário recebe o BEm (benefício emergencial) que é equivalente à parcela do seguro-desemprego à qual ele teria direito, cujo valor máximo é de R$ 1.813,03.

 

Caso a empresa tenha faturamento anual acima de R$ 4,8 milhões, o empregado recebe 70% do seu salário mensal e 30% do BEm.

 

Os valores recebidos durante a suspensão contratual não são considerados verbas trabalhistas, por isso, não têm efeito sobre o cálculo de 13º salário ou do período aquisitivo para as férias, tampouco a empresa está obrigada a recolher INSS e FGTS, explica o advogado trabalhista Mourival Boaventura Ribeiro.

 

A suspensão afeta diretamente o cálculo do 13º salário, pois desconta os meses de interrupção da atividade do profissional. “Cada mês trabalhado representa uma parte das 12 frações que compõem a gratificação anual”, comenta Ribeiro.

 

“Para saber quanto vai ganhar, o trabalhador deve dividir o seu salário por 12 e multiplicar pela quantidade de meses que vai trabalhar neste ano, descontando os meses de contrato suspenso”, orienta.

 

O raciocínio é parecido para as férias. “O tempo de suspensão é descontado do período que falta para completar os 12 meses que darão direito ao descanso”, explica o advogado.

 

“Patrão e empregado podem fazer um acordo para manter a data das férias, mas o período de paralisação poderá ser proporcionalmente descontado da remuneração paga nas férias, inclusive sobre o adicional de um terço do salário.”

 

O impacto da MP sobre o Fundo de Garantia é simples: o trabalhador perde os recolhimentos do período em que ficou sem trabalhar, o que implica redução do valor total depositado e na multa em caso de demissão sem justa causa.

 

Férias e 13º salário não mudam para os trabalhadores que estão com jornada e o salário reduzidos.

 

INSS

Já em relação aos recolhimentos feitos ao INSS, o prejuízo ao trabalhador pode ocorrer de diferentes maneiras.

 

A ausência de recolhimentos pode, por exemplo, atrasar a aquisição do direito à aposentadoria. “Para quem está perto de se aposentar, é recomendado que o empregador mantenha o recolhimento, mas, de fato, não há a obrigação de recolher”, diz Ribeiro.

 

Ainda sobre o impacto da MP 936 em benefícios do INSS, mas para os casos de jornada e salários reduzidos, a medida pode reduzir o valor dos recolhimentos e, consequentemente, a média salarial sobre a qual serão calculados os benefícios.

 

“Essas medidas foram duras e aprovadas com rapidez incomum, mas eram necessárias para proteger não só as empresas, mas também para amparar os trabalhadores, que terão seus empregos assegurados por um período”, diz Ribeiro.

 

Aposentados

Aposentados que trabalham com carteira assinada e tiverem seus salários e jornadas reduzidos ou seus contratos suspensos não têm direito ao BEm, explica a advogada Adriane Bramante, presidente do IBDP (Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário).

 

Assim como o auxílio emergencial de R$ 600, o BEm não pode ser pago para pessoas que recebem benefícios previdenciários.

 

Ainda sobre os beneficiários do INSS, esse público recebeu de forma antecipada as duas parcelas do 13º salário como uma das medidas emergenciais adotadas pelo governo para lidar com os impactos econômicos da pandemia.

 

Com a possibilidade em discussão de prorrogação dos efeitos da MP 936 por mais dois meses, esses trabalhadores aposentados afetados pela medida deverão ter um segundo semestre com bem menos dinheiro no bolso.

 

CONTRATOS SUSPENSOS | IMPACTO NAS FÉRIAS E NO 13º SALÁRIO

 

Trabalhadores que tiveram contratos suspensos terão verbas salariais reduzidas de forma proporcional ao período em que houve a interrupção da atividade

 

 

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Fontr: Agora SP

 

Levantamento mostra que 46% dos negócios liderados por negros interromperam o funcionamento

 

Uma pesquisa da FGV e do Sebrae (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) mostra que a epidemia do novo coronavírus no Brasil causou maior impacto em negócios liderados por negros, que se encontram em situação de maior precariedade.

 

RETRATO

A explicação: um maior percentual deles atendia apenas presencialmente e em locais com restrição de circulação.

 

RETRATO 2

A pesquisa mostrou que 46% dos negócios liderados por negros tiveram que interromper temporariamente o funcionamento, contra 41% dos brancos.

 

RETRATO 3 

Das pequenas empresas que conseguiram funcionar, 40% comandadas por brancos usaram para isso ferramentas digitais, contra 32% das tocadas por negros.

 

REDE FURADA 

Os pequenos negócios mantidos por negros usaram menos as redes sociais: 45% conseguiram lançar mão delas, contra 48% de empreendedores brancos.

 

ZAP 

Dos que vendem pela internet, a maior parte dos que usam WhatsApp é negra (88%). Entre os brancos, é mais comum sites próprios ou o Facebook.

 

CHAVE 

O crédito foi outro problema. “A dificuldade de acesso atingiu com mais força os empreendedores negros que, além de mais endividados, tiveram mais recusa dos bancos”, diz o presidente do Sebrae, Carlos Melles.

 

CHAVE 2  

Segundo a pesquisa, 61% dos negros tiveram acesso ao crédito negados, contra 55% de empreendedores brancos. Isso apesar de o valor solicitado por eles ser 26% menor —em média, de R$ 28 mil. A pesquisa foi realizada entre 29 de maio e 2 de junho, com 7.403 entrevistados.

 

Fonte: Folha de SP

No dia 4 de julho de 1992, um grupo de trabalhadores e trabalhadoras se reuniram e organizaram o primeiro sindicado específico da categoria no Brasil. Anos 90, era a política neoliberal com as privatizações. O Telemarketing consolida-se como segmento econômico de serviço especializado. No ano de 2001, o combativo Dep. Estadual por São Paulo Nivaldo Santana (PC do B), institui através da Lei 10.826, O Dia do Telemarketing. Hoje comemorado nacionalmente. 

Em 2007 é aprovado o Anexo II da NR-17, Norma de Saúde que estabelece regramento, limites e avança na organização do trabalho em Telemarketing, até então, regulados por Convenções Coletivas de Trabalho. Avanços como jornada de 6hs em todo Brasil, implementação do Ticket para alimentação e fortalecimento do sindicato, ocorrem nesse período. Envolvimento, participação e aprendizado com os movimentos sociais, foram bases sólidas construídas, culminando no entendimento de ações concretas da luta antirracista, combate à homofobia e pela igualdade de gênero no mundo do trabalho e sociedade.

Com a aprovação da Lei da Terceirização, em 2017, é permitida a terceirização de toda atividade econômica, ultrapassando o conceito e limite da atividade meio, especializada. Ocorridas no Governo Temer, que também aprovou a danosa Reforma Trabalhista, depois do golpe ao Governo Dilma. Nesses processos, o Sintratel elaborou e lutou com o movimento sindical na tentativa de combater a maior precarização. Foi o momento da intenção de enfraquecimento da estrutura sindical e criminalização dos movimentos sociais, fazendo parte de um conjunto de ações maiores da política neoliberal na economia, judicialização e negação   da política. Aqui e no mundo, cresce a extrema direita, o autoritarismo, religiosos radicais e a defesa de pensamentos fascistas. 

Mas é em 2020 que surge um dos nossos maiores desafios: a pandemia do Covid-19, até o momento, com mais de 60 mil mortos no Brasil, com a total irresponsabilidade e inércia do Governo Bolsonaro no combate à doença, não respeitando as orientações da Organização Mundial de Saúde, bem como da ciência, gerando consequências irreparáveis para a população e ao país. Nesse contexto, a economia mundial também sofre consequências com uma crise sem precedentes. Os desempregados, informais e precarizados, são os mais atingidos. E coube ao Estado mais uma vez, socorrer e minimizar a situação, diante da grave desigualdade e distanciamento social que vivemos. 

No final de março, inicia-se a quarentena em São Paulo, medida acertada que impôs o fechamento de estabelecimentos comerciais e outros setores que não estejam entre os serviços considerados essenciais, além da restrição da circulação das pessoas, quando fora dos limites das necessidades. O segmento de Call Center, foi considerado essencial, com a argumentação pelo fato da realização à distância da execução das funções que evitam os atendimentos presenciais para variados serviços e seus produtos. Sendo considerado essencial, diante das consequências gravíssimas pelo risco de contágio da categoria, dada pela grande circulação de pessoas no trajeto e local de trabalho, o Sintratel defendeu desde o início, a implementação do modelo em Home Office. Entendendo ser possível essa modalidade, para grande parte do atendimento realizado. Agindo ao mesmo tempo na efetivação imediata do cumprimento das medidas de profilaxias e protocolos de saúde aos que continuaram no presencial. Ações construídas em diálogo como o Ministério Público do Trabalho e Órgãos Públicos de Saúde. Hoje, segundo levantamento inicial do Sintelmark-SP (Sindicato Patronal), cerca de 40% dos trabalhadores.as das empresas que seguem a Convenção Coletiva estão trabalhando em casa. Com a automatização da considerada Quarta Revolução Industrial, desemprego em massa diante da crise econômica, pode ser que o Home Office seja uma saída viável nesse segmento, devido ao atual cenário do mercado de trabalho. 

Porém, a adaptação para o Home Office não pode trazer diminuição de direitos conquistados, servindo apenas para a economia dos gastos das empresas. O exemplo da Faria Lima com as startups e empresas de tecnologias, não é a regra no caso do Telemarketing. A Reforma Trabalhista de 2017, trouxe o preceito do Teletrabalho na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). Necessária a discussão mais aprofundada do movimento sindical para ações ou busca de mais regulação de qual modelo queremos. Questões fundamentais como a aplicação da Norma Regulamentadora de Saúde, o Anexo II da NR-17, a situação das mulheres trabalhadoras com a dupla jornada de trabalho e a ausência de todo tipo de estrutura e condição do poder público na periferia (local de residência da maioria dos nossos profissionais), urgem como prioridades. Essa modalidade não pode representar o aprofundamento da desigualdade social existente, beneficiando uma parte da categoria que tem melhor acesso da tecnologia, localização, condição e expressar a desigualdade de gênero. São desafios que surgem pela nossa frente, mas que não estão dissociados das lutas históricas e importantes, em meio ao cenário de um Brasil que insiste em não avançar como sociedade, onde não alcançaremos a equidade no mundo do trabalho, democracia efetiva, enquanto tivermos como realidade as perdas de vidas como Santo Dias, Marielle Franco, George Floyd, o jovem João Pedro e a trabalhadora em Telemarketing Luna. 

 

 

Marco Aurélio C. Oliveira

Presidente Sintratel-SP

 

Apuração online ouviu 10 mil pessoas de todos os estados e constatou que os problemas de saúde e financeiros estão ainda maiores para essa população

 

A pandemia agrava a situação de LGBT+ em todo o país e intensifica problemas já enfrentados por gays, lésbicas, bissexuais, transexuais, travestis, interssexuais e por outras pessoas com distintas orientações sexuais e expressões de gênero. A afirmação é síntese da pesquisa divulgada, no domingo (28) – Dia do Orgulho LGBT –, pelo coletivo #VoteLGBT, que mapeou impactos da covid-19 na vida dessa população.

A pesquisa online ouviu 10 mil pessoas de todos os estados, com maior proporção de respostas na Região Sudeste. Os dados, que foram analisados por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mostram que há desigualdades entre as LGBTs que envolvem acesso à saúde, renda e trabalho, e exposição ao coronavírus. As transexuais e travestis são as mais vulneráveis, de acordo com Índice de Vulnerabilidade de LGBT+ ao COVID-19 (o VLC), marcador criado pela pesquisa que cruza essa dimensões.

“Dentro do grupo, teve recortes, de identidade de gênero, orientação sexual e de cor/raça justamente pra mostrar que há uma diversidade de situações de vulnerabilidade, que a comunidade LGBT internamente possui uma heterogeneidade”, aponta Fernanda De Lena, doutoranda em demografia da Unicamp, que participou da pesquisa.

Alguns resultados

As principais informações extraídas dos dados se referem à saúde e às dificuldades enfrentadas pelas LGBTs no mercado de trabalho. Das pessoas entrevistadas, 28% já tinham sido diagnosticados com depressão antes da pandemia. Esse número é quatro vezes maior do registrado no restante da população, segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS). Além disso, 47% foram classificadas com o risco depressão no nível mais severo.

Já o índice de desemprego atingiu 21,6%, quase o dobro do registrado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em abril deste ano, no restante da população. Uma a cada quatro pessoas perderam o emprego em função da pandemia e 30% das pessoas desempregadas já estão sem trabalho há um ano ou mais.

Bolsonaro é ruim ou péssimo

Uma pergunta sobre a avaliação dos governos federal e estaduais também foi incluída na pesquisa. Quase todas as pessoas entrevistas, 98,7%, reprovam o presidente Jair Bolsonaro.  Já os governadores, foram aprovados por 74% dos respondentes, com exceção de Romeu Zema (Novo), que foi o único do sudeste com avaliação péssima elevada (34,%).

Apoio coletivo

Junto com a pesquisa foi lançada também uma campanha de financiamento coletivo, pela plataforma Benfeitoria, para entidades que amparam pessoas LGBTs. A iniciativa vai contribuir com a Casa Satine (Campo Grande, MS), Outra Casa Coletiva (Fortaleza, CE), Casamiga (Manaus, AM), Ultra (Brasília, DF), Liga Brasileira de Lésbicas (Curitiba, PR) e Casa 1 (São Paulo, SP). Mais informações sobre as doações aqui.

Outros resultados

– Pessoas acima dos 55 anos apresentaram 80% mais de chance de reportar solidão como o maior problema quando comparados com as pessoas de 15 a 24 anos.

– Entre aquelas com 45 a 54 anos, a chance de indicar falta de dinheiro como a maior dificuldade da quarentena foi 70% maior em relação às pessoas com entre 15 e 24 anos.

– Pretos, pardos e indígenas possuem 22% mais chance de indicar a falta de dinheiro como a maior dificuldade da quarentena do que brancos e asiáticos.

– Durante a quarentena, 7 em cada 10 pessoas (68,42%) só saem de casa quando inevitável;

– 8 em cada 10 pessoas perceberam uma alteração de humor durante a quarentena.

 

Fonte: BdF Minas Gerais

 

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