Benefícios

As negociações da Campanha Salarial 2016 finalmente chegaram a um desfecho. Após três meses se estendendo da data-base da categoria (1º de janeiro), acompanhados de uma dose enorme de persistência - pelo lado dos trabalhadores, e de grande choradeira - pelo lado dos patrões, conquistas consideráveis (dentro de nossa realidade) foram alcançadas pelos Trabalhadores em Telemarketing e toda nossa categoria.

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O Brasil caiu no redemoinho da crise internacional e amarga uma retração econômica, das atividades industriais e comerciais, das exportações e sofre com a alta do dólar e da inflação.

Primeiramente, devemos levar em consideração o momento conjuntural que atravessamos nas negociações deste período, pois são elas que diretamente tangenciam as tratativas.  

Em seguida, não podemos perder de vista que vivenciamos uma crise econômica que já havia arrasado as principais economias mundiais, como: Estados Unidos, Espanha, França etc. e que ao chegar aqui, trouxe um clima de instabilidade, insegurança, estagnação econômica e com a somatória destes elementos, o desemprego. Que, inclusive, atingiu nosso setor de serviços, sempre muito bem blindado em períodos de retração anteriores.

Diante deste conjunto de incertezas, o patronal se pautou na negatividade nas discussões e dificultou ao máximo as tratativas durante todo o processo negocial, o que levou à extensão do período de negociações e a uma grande apreensão por parte da categoria.

TabelaSite-2Apesar deste quadro negativo, a participação da categoria contribuiu para obtenção de resultados significativos e de grande relevância, como o reajuste no vale alimentação/refeição em 11,53%, com ganho real - para os trabalhadores de 36 horas semanais, a partir da assinatura da Convenção Coletiva.

O piso salarial destes trabalhadores foi reajustado em 11,26% (inflação do período) e, devemos ressaltar, ele será pago retroativo a nossa data-base (1º de Janeiro). E que para os demais trabalhadores, dos 2,82% apresentados pelo patronal, conquistamos 6%.

Devemos destacar também que toda esta instabilidade na economia reflete diretamente em negociações salariais desfavoráveis aos trabalhadores, visto que a maioria das categorias que realizaram suas Campanhas Salariais no segundo semestre de 2015 e no inicio deste ano, sequer conseguiram alcançar a reposição da inflação nos seus salários.

Em situações como a atual, os patrões se fecham em torno de seus interesses e mesmo com a intensificação das lutas, nem sempre os resultados são correspondentes.

TabelaSite-1Foi o que se viu nas negociações realizadas pelo Sintratel com o Sintelmark, o Sindicato dos patrões do setor.

Desde o começo eles colocaram enormes dificuldades e resolveram inclusive ignorar nossa Pauta de Reivindicações. Chegaram, até mesmo, a propor o reajuste ínfimo de 2,82% e negligenciar as discussões das cláusulas sociais, que em períodos de retração econômica ganham maior força.

Vale ressaltar que, diante das dificuldades nas negociações, o Sintratel realizou diversas Assembleias, consultando os trabalhadores sobre as propostas e para o encaminhamento nas negociações, já que estas regrarão seu cotidiano no trabalho.

Neste contexto, o resultado da nossa Campanha, com reposição integral da inflação (11,26%) no piso salarial, elevando-o de R$800,00 para R$ 890,00, representou uma conquista importante.

Outros itens merecem destaque, como o reajuste no vale alimentação/refeição, que foi de 11,53% para os que trabalham 36 horas semanais (6 horas/dia, de R$ 6,50 para R$ 7,25). 

O pagamento da PLR de R$ 209,00 no mês de abril é outra garantia, que consta na Convenção Coletiva de Trabalho. Vale lembrar, que os reajustes são retroativos à data-base, ou seja, valem a partir de 1º de janeiro e que as diferenças serão pagas pelas empresas no próximo holerite.

A Diretoria do Sintratel considera essas conquistas condizentes com o nível da pressão exercida pela categoria nesta Campanha Salarial. O Sindicato levou a Campanha e a mobilização às empresas do setor.  Os trabalhadores participaram e se manifestaram, refletindo a insatisfação da maioria com os salários e as condições de trabalho. Mas ficou evidente que, num momento tão complicado como o atual, é preciso ainda mais disposição de luta e até a realização de greve, que pode inclusive ser demorada e ter resultados aquém dos esperados.

A próxima Campanha Salarial será iniciada mais cedo pelo Sindicato, para que não se estenda além da data-base (1º de janeiro), como ocorreu neste ano, e a categoria não seja prejudicada pela indisposição e má vontade patronal.

Nossa luta deve continuar, pois como bem resume a revista cientifica da UNESP:

os operadores de telemarketing mantêm instáveis relações de trabalho, marcadas pela subcontratação, alta rotatividade, baixos salários e desrespeito à questão da saúde. Suas relações no trabalho se estabelecem sob um tipo de gestão que combina modernas tecnologias de controle da produtividade com antigas formas de vigilância do trabalho, baseadas na cobrança por resultados, pressão psicológica, assédio moral e constante ameaça de demissão.

Trata-se de uma categoria formada, predominantemente, por jovens, mulheres, com ensino médio concluído e que buscam seu primeiro emprego, atraídos, muitas vezes, pela oportunidade de conciliar o trabalho com outras atividades.

São mercadorias com curto prazo de validade, pois, com pouco tempo de uso, começam a desenvolver problemas físicos e psicológicos, devido ao ritmo intenso e estressante de trabalho”,

Este é um triste retrato de nossa categoria, que deve ser repudiado, denunciado e combatido exaustivamente, tanto pela ação do sindicato, quanto dos órgãos governamentais (Ministério Público e Ministério Trabalho), que devem zelar pelo combate a precarização das relações de trabalho até findarmos com tais práticas. 

 

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CLIQUE AQUI E VEJA CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO 2016 NA ÍNTEGRA.

 

Veja mais imagens das assembleias:

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