Terça, Jun 27th

Last updateSáb, 24 Jun 2017 9am

Além de retirar direitos, governo quer enfraquecer a organização para a luta dos trabalhadores

ReformaTrab-4Que a proposta da “Reforma” Trabalhista do governo Temer prejudica os trabalhadores, isso já está mais do que evidente. 

Mas além de retirar direitos que trarão prejuízos no âmbito econômico aos trabalhadores, com a implementação de jornadas excessivas diárias, substituindo as horas-extras, a implementação do trabalho intermitente e os contratos temporários por 8 meses, com direitos a férias e seguro desemprego dispensáveis, o referido desmonte traz um prisma mais obscuro em seu bojo, para além do mote do negociado sobrepondo ao legislado. Uma desconstrução da organização dos trabalhadores está por trás desta, que podemos chamar de Reforma Patronal. Onde além de gerar maiores lucros aos empregadores, com a falácia de leis ultrapassadas, a intenção é enfraquecer, ou até extinguir, os instrumentos de lutas dos trabalhadores: os Sindicatos.

Mas a quem isso interessa de verdade???

Caso aprovado o desmonte, o representante dos empregados perante a empresa não terá mais de ser sindicalizado e a homologação das demissões não precisará mais de um carimbo sindical, daí quem já passou por uma situação de homologação pode entender, e para quem não passou, basta entender que quem fará as contas de sua rescisão será o próprio empregador. Uma comissão eleita nas empresas irá cumprir os papéis que são dos Sindicatos. 

Todos estes itens já mostram o que querem de fato com esta “reforma”, além de retirar direitos e maximizar lucros, não dar nenhuma chance de defesa aos trabalhadores. O pior é que tem muito trabalhador embarcando nos falsos argumentos do governo, sem prestar atenção ao que realmente está em jogo.

A principal mudança proposta pela reforma trabalhista do governo é a permissão de que nas negociações entre patrão e empregado, os acordos coletivos tenham mais valor do que o previsto na legislação, possibilitando o rebaixamento dos direitos que estão em lei e hoje são obrigatórios.

Imagine os Sindicatos sem sustentação e sem representatividade. Você acha que as empresas não se aproveitariam do grande contingente do exército de reserva, composto pelos milhões de desempregados, e ofereceriam a porta como serventia da casa?

Se com a organização que possuímos hoje, somada às leis que nos protegem, presenciamos grande número de reclamações trabalhistas, desrespeito à legislação, descumprimento das Convenções Coletivas, grande número de adoecimentos precoces, presença da síndrome do pânico, assédios sexuais e morais latentes na realidade das operações, com este famigerado desmonte, apelidado de reforma, o que nos espera é um mundo do trabalho onde o adoecimento, o empobrecimento e a falta de dignidade pautem nossas vidas, e o que nos restará é trabalhar até que a morte nos separe!!!

Marcisio-Opiniao

DECRETO Nº 6 523

Código de ética

Criança e adolescente