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Segundo jornal, Ministério das Relações Exteriores pediu visto para passaporte diplomático no dia em que o ex-ministro anunciou demissão.

A entrada do ex-ministro da Educação Abraham Weintraub nos Estados Unidos contou com a ajuda do Ministério das Relações Exteriores. De acordo com a Folha, o Itamaraty confirmou, em resposta a pedidos feitos pela Lei de Acesso à Informação, que intercedeu junto à embaixada dos Estados Unidos para obtenção de visto.

O visto de Weintraub foi solicitado no passaporte diplomático no dia em que ele anunciou demissão do governo. Segundo o Itamaraty, em uma das respostas, o ex-ministro comunicou ao ministro Ernesto Araújo que havia sido indicado para o cargo de diretor-executivo no Brando municipal e, por isso, “solicitava ‘os bons ofícios’ do Itamaraty para requerer o visto.

Ainda segundo o jornal, o pedido foi feito ao MRE no dia 18, mesmo dia em que o ministro anunciou oficialmente sua saída do MEC. No mesmo dia, segundo o Itamaraty, o pedido de visto foi encaminhado à embaixada americana. Dois dias depois, no dia 20, o ex-ministro já estava nos Estados Unidos.

Segundo o MRE, esse tipo de procedimento é “habitual” em casos de representantes do governo brasileiro indicados a órgãos internacionais. Logo após o anúncio da demissão, Weintraub foi exonerado do cargo de ministro. Após retificação no Diário Oficial, a demissão dele passou a valer no dia 19.

Saída conturbada

A saída de Weintraub do governo foi cheia de controvérsias. A rapidez com que ele deixou o País acendeu um alerta em autoridades que estão fora do governo. Com a pandemia do novo coronavírus, a entrada nos Estados Unidos está restrita.

Não havia confirmação sobre qual passaporte Weintraub havia usado para entrar nos Estados Unidos. Contudo, com as restrições, já se acreditava que ele tinha se valido do passaporte oficial, com visto do tipo A, concedido a funcionários do alto escalão do governo. Isso porque turistas não estão sendo autorizados a entrar nos EUA - há uma série de exceções, entre elas, “funcionário de governo estrangeiro”.  

Segundo afirmou a colunista Bela Megale, em O Globo, Weintraub responder por improbidade administrativa no Brasil pelo fato de ter possivelmente usado, para fins pessoais, a prerrogativa de ministro.  

“A lei brasileira aponta como improbidade administrativa a prática de “ato visando fim proibido em lei ou regulamento ou diverso daquele previsto, na regra de competência”. Weintraub entrou nos EUA como ministro, mas com fins de outra natureza, sem relação com o cargo que, na prática, nem ocupava mais”, escreveu a colunista. 

Weintraub é investigado no inquérito das fake news, que corre no STF, por se referir aos integrantes do STF como “vagabundos”. O ex-ministro também já vinha sendo limado pelos militares e congressistas há pelo menos nove meses. Mas, com os reiterados ataques ao STF (Supremo Tribunal Federal), sua demissão passou a ser uma exigência também do STF, como uma forma de apaziguar a relação entre os Poderes. 

Apesar de polêmico, Weintraub resistiu tanto tempo no governo por sua proximidade com os ideais ideológicos do governo, condizentes com o eleitorado bolsonarista. 

 

Fonte: www.huffpostbrasil.com

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