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ara o economista Pedro Fernando Nery, em artigo publicado no Estadão nesta terça, 20, o fim do auxílio vai desencadear uma nova pandemia, a pandemia da pobreza e da desigualdade. Isso porque, segundo ele, “O auxílio segurou os efeitos devastadores que a pandemia poderia ter no sustento das famílias mais pobres: com o seu fim abrupto, parte desses efeitos terão sido meramente adiados”.

 

 

Nery revela que dados do Centro de Estudos da Metrópole, levantados pelo pesquisador Rogério Barbosa indicam que existe “uma taxa de desemprego oculto de quase 40% entre os mais pobres”, contingente que não é captado nas formulações tradicionais porque inclui os trabalhadores que gostariam de um emprego, mas não procuraram um no isolamento. E afirma que “a partir de 1.º de janeiro, uma multidão sem renda deve passar a procurar ativamente emprego, o que pode provocar uma alta expressiva nos números oficiais de desocupação”.

 

Com isso, a expectativa é que “em 2021, um terço dos brasileiros poderá estar vivendo com menos de meio salário mínimo”.

 

Com base nesses apontamentos, o economista definiu como preocupante a abordagem, que ele chamou de “conformista” expressa pelo ministro Paulo Guedes em live da XP Investimentos, na sexta-feira (16).

 

Guedes teria dito que “é melhor voltar ao Bolsa Família do que fazer um movimento louco e insustentável”.Ele expõe seu raciocínio através do cálculo: “Vejamos: uma mãe com renda de R$ 300 por mês vivendo com um filho recebeu R$ 1.200 por mês no auxílio emergencial. No Bolsa Família, seriam R$ 41 mensais. Se a renda dela fosse um pouco maior, de R$ 400, o valor recebido no Bolsa seria zero: a família não seria pobre o suficiente para receber qualquer valor. Frise-se que para receber o auxílio emergencial essa família de duas pessoas poderia ter renda de até R$ 1.000”. Chamando a atenção para o fato de que o Bolsa Família não acompanha a inflação a alguns anos. E conclui afirmando que “Há ainda um conjunto de propostas no Congresso com interpretações menos conservadoras sobre o teto de gastos, admitindo a possibilidade de que a despesa com um programa como o Bolsa Família possa ultrapassar o teto – compensado por ganhos de arrecadação sobre os mais ricos”.

 

Fonte: Rádio Peão Brasil

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