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No mês de outubro, a cesta básica mais cara registrada no país, em São Paulo, chegou a R$ 595,87, com alta de 5,77% na comparação com setembro. Ou seja, o gasto dos brasileiros em um mês para adquirir itens básicos é quase equivalente ao valor inicial do auxílio emergencial, de R$ 600. Para adquirir a cesta básica em São Paulo seria necessário, ainda, gastar 61,64% do valor líquido do atual salário-mínimo.



 

Os cálculos são do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que divulgou nesta sexta-feira (6) a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos referente ao mês de outubro. No ano, a cesta básica em São Paulo já acumula alta de 17,63%.

 

Os dados da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos (tomada especial devido à pandemia do coronavírus), realizada pelo DIEESE, indicaram que, em outubro, os preços do conjunto de alimentos básicos, necessários para as refeições de uma pessoa adulta (conforme Decreto-lei 399/1938) durante um mês, aumentaram em 15 capitais pesquisadas.

 

Em Salvador (-1,05%) e Curitiba (-0,60%), o custo da cesta básica diminuiu.

 

Principais variações

 

O valor do óleo de soja apresentou aumento nas 17 capitais, com destaque para Brasília (47,82%), João Pessoa (21,45%), Campo Grande (20,75%) e Porto Alegre (20,22%). O alto volume de exportação, a baixa oferta interna devido à entressafra e a elevação do preço do grão no mercado internacional explicam o contínuo aumento de valor do óleo nas prateleiras dos mercados.

 

O preço médio do arroz agulhinha registrou alta em todas as capitais, com variações entre 0,39%, em Aracaju, e 37,05%, em Brasília. O aumento do preço do grão ocorreu por causa da maior demanda por parte das indústrias dos estados do Rio de Janeiro, de Minas Gerais e São Paulo, ao aumento das cotações no mercado internacional e às exportações do grão. Mesmo que haja maior oferta, propiciada pelas importações, o câmbio desvalorizado deve manter elevado o valor do arroz comercializado.

 

Em 16 capitais, o preço médio da carne bovina de primeira registrou alta: variou de 0,50%, em Curitiba, a 11,50%, em Brasília. A queda foi registrada em Florianópolis (-10,84%). A baixa disponibilidade de animais para abate no campo e a demanda externa elevada resultaram em aumentos de preço.

 

A batata, pesquisada no Centro-Sul, teve o valor aumentado em nove das 10 cidades. As altas oscilaram entre 7,78%, em Campo Grande, e 38,67%, em Goiânia. A retração foi registrada em Curitiba (-6,67%). A oferta reduzida, devido ao fim da colheita de inverno, elevou os preços do tubérculo.

 

De setembro para outubro, o valor do tomate subiu em 13 cidades e variou de 1,48%, em Belém, a 47,52%, em Brasília. As quedas aconteceram em Salvador (-6,21%), Curitiba (-5,18%), Vitória (-1,36%) e Recife (-1,14%). A baixa oferta do fruto de qualidade elevou o preço no varejo.

 

Tomate, batata, óleo de soja, arroz agulhinha, banana, carne bovina de primeira, café em pó, manteiga, feijão carioquinha, açúcar refinado e leite integral foram produtos que apresentaram alta de preço em relação a setembro. A farinha de trigo e o pão francês apresentaram redução de preço no mesmo período.

 

O Dieese também calculou a jornada necessária para comprar a cesta básica: 125 horas e 27 minutos. E o percentual do salário mínimo líquido gasto para compra dos produtos da cesta para uma pessoa adulta: 61,64%.

 

Salário Mínimo

 

Atualmente, o salário mínimo no Brasil é de R$ 1.045, com previsão de elevação para R$ 1.069,55 em 2021. Entretanto, de acordo com estimativa do Dieese, o valor mínimo necessário para sustentar uma família de quatro pessoas (dois adultos e duas crianças) com os preços registrados em outubro para a cesta mais cara do país seria R$ 5.005,91, ou seja, 4,79 vezes o mínimo vigente

 

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