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Pedro Fassoni Arruda lembra que presidente perdeu parte do apoio do setor empresarial e político, o que pode fortalecer o processo de impedimento

 

 

No último sábado (3), o jornal americano Washington Post publicou um editorial contra o presidente Jair Bolsonaro e denuncia o genocídio promovido pelo governo federal e as ameaças de golpe de Estado – Foto: Isac Nóbrega/PR

O presidente Jair Bolsonaro está enfraquecido e vê seu apoio, em diversas camadas da sociedade, derreter, o que pode facilitar a abertura de um processo de impeachment. Para o cientista político e professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Pedro Fassoni Arruda, crescem as chances de Bolsonaro não terminar seu mandato.

O analista faz uma analogia do cenário atual com o de 2015, quando o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha instaurou o processo de impeachment contra Dilma Rousseff. Apesar de haver pouca força a favor do impedimento no início da discussão, o processo incorporou força ao longo dos meses e resultou na destituição da presidenta.

“Naquele momento, a maioria dos congressistas era contrária. Depois veio o recesso parlamentar e as mobilizações populares, então muitos parlamentares cederam. A popularidade de Bolsonaro vem caindo e a população não aceita a forma que ele faz a gestão da pandemia. Por isso, é possível que cada vez ele perca apoio do Congresso Nacional, por isso está se tornando refém do Centrão”, avaliou Fassoni, em entrevista a Glauco Faria, no Jornal Brasil Atual desta segunda-feira (5).

O professor da PUC-SP acrescenta ainda que parte da elite econômica e também política abandonaram Bolsonaro, o que aumenta a possibilidade de um processo de impeachment ser bem sucedido. “A divulgação do manifesto de banqueiros e liberais mostram que há críticas no setor. Muitas pessoas que declararam votar em Bolsonaro no segundo turno de 2018, como Doria e Amoedo romperam com o governo. Então, ele passa por um processo de fritura e há uma grande chance, e espero que isso aconteça, do presidente cair antes do fim do mandato”, afirmou.

Párea internacional

No último sábado (3), o jornal estadunidense The Washington Post publicou um editorial com críticas contundentes ao presidente. Com o título “Bolsonaro não conseguiu impedir a covid-19. Agora, pode estar mirando a democracia”, o veículo denuncia o genocídio promovido pelo governo federal e as ameaças de golpe de Estado.

No texto, o jornal norte-americano diz: “não há fim para a onda à vista: graças à impressionante incompetência do presidente Jair Bolsonaro e seu governo, apenas 2% dos brasileiros foram totalmente vacinados e as medidas de lockdown necessárias para frear novas infecções, incluindo de uma variante virulenta que surgiu no país, são praticamente inexistentes”.

O Washington Post também diz que, em vez de lutar contra o coronavírus, Bolsonaro “parece estar preparando as bases para outro desastre: um golpe político contra os legisladores e eleitores que poderiam removê-lo do cargo”. Para o jornal, o presidente brasileiro “já contribuiu muito para o agravamento da pandemia covid-19 em seu próprio país e, por meio da disseminação da variante brasileira, pelo mundo. Ele não deve ter permissão para destruir uma das maiores democracias do mundo também”, concluiu.

Pedro Fassoni Arruda afirma que o editorial é a prova de que o Brasil se tornou um párea internacional e que o mundo inteiro vê os crimes cometidos por Bolsonaro. “Nenhum país do mundo deixa mais brasileiros entrarem, porque representamos um terço das mortes no mundo inteiro. É um absurdo completo o que acontecendo e a omissão de Bolsonaro é considerada criminosa. Está claramente configurado um crime de responsabilidade do presidente da República, é um crime de genocídio.”

Fonte: Rede Brasil Atual

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