Aconteceu

“Olha, é uma coisa indignante, cara. Eu fui preso duas vezes na ditadura, fui torturado, você não sabe o que é tortura não. Esse Mourão era um dos torturadores lá”, declarou o cantor e compositor Geraldo Azevedo durante show no Festival EcoArte Itaitu.

O cantor criticou o candidato Jair Bolsonaro e seu vice general Hamilton Mourão: “Eu fico impressionado o povo brasileiro não prestar atenção nas evoluções humanas. Olha, eu não sei se isso aqui vai entrar em algum choque com a prefeitura, coisa e tal, mas é o meu sentimento de indignação em relação com o que pode acontecer com o Brasil. E essa alegria toda que está tendo aqui vai se perder, vocês estão sabendo disso. O Brasil vai ficar muito ruim se esse cara ganhar”.

Waters foi criticado por ter incluído Bolsonaro em uma lista sobre "neofascismo"

por Miguel Martins 

 

Criticado por fãs que apoiam Bolsonaro, Waters compôs grande parte de sua obra em meio à ascensão do neonazismo na Europa

Parte dos fãs de Roger Waters ficaram indignados com sua adesão ao #EleNão e a inclusão de Jair Bolsonaro em uma lista, projetada em seu show em São Paulo na terça-feira 9, com representantes do "neofascimo" atual. Um fã do ex-baixista e vocalista do Pink Floyd deveria saber, porém, que sua aversão à extrema-direita é base de sua discografia, cujo protesto político-musical mais explícito é a ópera-rock The Wall.

Nos anos 1970, o Reino Unido testemunhou a ascensão de um relevante partido de extrema-direita. A National Front chegou a ser a quarta força  política do Parlamento britânico. O objetivo da legenda era organizar a massa de trabalhadores revoltados com a crise econômica, o desemprego e o aumento da imigração vinda de antigas colônias do Império Britânico.

Uma das bandeiras da NF era retirar professores "comunistas" da sala de aula, em uma linha semelhante ao "escola sem partido" brasileiro. Pedia punições mais duras para criminosos, com a reintrodução da pena de morte no país. Tinha um componente racista e xenofóbico ao atribuir as taxas criminais crescentes aos negros e imigrantes.

Neste contexto, Roger Waters fez sua obra mais confessional, tão pessoal que causou embaraço com os outros colegas de banda. No fim dos anos 1970, o álbum e filme The Wall narravam traumas de Waters, como a morte de seu pai durante a Segunda Guerra Mundial, que opôs o Reino Unido à Alemanha Nazista. Em Another Brick in The Wall Part 2, tratou da opressão e do conservadorismo nas escolas britânicas.


Os traumas de infância são tijolos no muro metafórico que Pink, o personagem principal da ópera-rock, começa a formar. Na depressão, ele é medicado para ter condições de se apresentar em shows. A consequência é sua transformação em um líder neonazista, que conduz suas apresentações como atos políticos de extrema-direita. Na sequência, passa a perseguir opositores, antes de retomar a consciência e perceber os erros que cometeu.

A extrema-direita era uma força tão presente no fim da década de 1970, em especial no universo do rock, que um festival anti-fascista foi organizado no Reino Unido justamente no ano em que The Wall foi lançado. O "Rock Against Racism" reuniu bandas punk como The Clash e Sham 69, representantes da ala progressista do movimento, integrado também por skinheads de extrema-direita.

Na mesma época, a banda de Manchester Joy Division sofria por ter adotado como nome, à moda do pós-modernismo da época, a expressão cunhada entre os nazistas alemães que abusavam sexualmente de judias. Embora a banda de Ian Curtis estivesse longe de ser de extrema-direita, neonazistas costumavam dar as caras em shows por causa da alcunha. 

Neste contexto, as bandas de rock tiveram grande contato com a extrema-direita de sua época e Waters revisitou sua história e à de sua família ao conceber uma ópera-rock sobre aqueles tempos tão reacionários. Em meio à ascensão de Donald Trump, Marine Le Pen e Bolsonaro, estranho seria se ele não fizesse o mesmo agora.

Neste domingo (23) foi celebrado o Dia Internacional contra a Exploração Sexual e o Tráfico de Mulheres e Crianças

Mulheres e crianças representam 82% das vítimas de tráfico de pessoas no mundo, e o Brasil é o país com maior incidência na América do Sul, de acordo com o Escritório das Nações Unidas para o Combate às Drogas e ao Crime (UNODC). Este domingo (23), marca a data do Dia Internacional contra a Exploração Sexual e o tráfico de Mulheres e Crianças. Para quem estuda e denuncia o tema, o país tem negligenciando o fenômeno e suas vítimas.

De acordo com o balanço de dados colhidos pelo Disque 100, canal de denúncias relativas a casos de violação de direitos humanos, o Brasil teve 175 mil casos de exploração sexual de crianças e adolescentes entre 2012 e 2016, o que significa quatro casos por hora. Em relação ao tráfico de pessoas, o Disque 100 já mapeou este ano 14 casos até julho. Já o Disque 180, canal destinado a receber denúncias de casos de violência contra a mulher, registrou 102 ocorrências apenas em 2018, de acordo com o Ministério de Direitos Humanos.

Exploração no Pará

No entanto, os números representam apenas os casos que chegaram ao conhecimento do canal, o que indica subnotificação. Segundo a ativista Rebecca Souza, integrante do Grupo Assessor da Sociedade Civil (GASC) da Organização das Nações Unidas para Mulheres (ONU Mulheres), não existem programas eficientes para combater o fenômeno no país. Souza atua no Pará, segundo estado com maior número de exploração sexual infanto-juvenil.

"Tradicionalmente a região Norte é uma das mais afetadas, tanto com a questão da exploração sexual quanto pelo tráfico de mulheres. A rota do tráfico toda é aqui pelo Norte, pelo Pará. O Brasil é o quarto país em casamentos infantis, o sexto em exploração sexual e o terceiro na questão do tráfico de mulheres. O que estamos fazendo para combater isso? Não existe até hoje nenhum plano de nenhum governo que tenha combatido diretamente essa questão, principalmente aqui no Norte. Temos coletivos de mulheres e iniciativas de instituições como a ONU, mas não vemos isso sendo debatido", afirma.

Souza relatou a questão das meninas "balseiras", que vivem em locais próximos à Ilha de Marajó, no Norte do estado, região com um dos menores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do País. As meninas são levadas de barco até as balsas, que realizam trabalhos marítimos, e são exploradas sexualmente em troca de comida ou dinheiro. Além disso, ela relatou a rota de tráfico dos garimpos e da construção de grandes obras na região.

"Na maioria das vezes, o primeiro passo é levar as mulheres para o garimpo, depois algumas vão para a Europa, mas a maioria das que saem do país são as mulheres transexuais. Algumas realmente estão indo acreditando em uma questão de trabalho, chegam lá e é prostituição. Também há vários relatos de mulheres que foram sequestradas até mesmo na rua. Depois da construção de Belo Monte, por exemplo, a gente teve 60% de aumento de exploração infanto-juvenil. Muitas vezes, o próprio governo é omisso ou causador dessa questão, no momento em que constrói uma grande obra mas não se atenta para os impactos sociais que ela pode ter", denuncia. 

De acordo com o psicólogo Antônio José Ângelo Motti, professor da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) e ex-coordenador do projeto da Estratégia Regional de Enfrentamento ao Tráfico de Crianças e Adolescentes para Fins de Exploração Sexual no Mercosul (PAIR), a situação no Brasil é preocupante. Motti relata que os compromissos assumidos por meio do relatório final do programa, assinado em 2013, não foram cumpridos desde então.

Descaso governamental

"Hoje, não tem nenhuma mobilização a partir de uma estratégia nacional de proteção às crianças nas regiões de fronteiras. As legislações não foram alteradas para dar cobertura a essas ações. Para mim é muito preocupante, porque é um recurso enorme que foi gasto, seja financeiro, social ou institucional, milhares de pessoas nas 15 cidades onde o programa foi desenvolvido, para um produto estático. Então é um quadro de total negligência das autoridades nesse sentido, elas deixam de cumprir suas obrigações", analisa.

O projeto apresentava propostas de trabalho para as cidades fronteiriças do Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia, no âmbito da agenda da Convenção Internacional dos Direitos das Crianças, e trazia diretrizes, como o comprometimento dos governos nacionais na mobilização de políticas públicas, estimulação de campanhas conjuntas, divulgação de canais de denúncia e a implementação de sistemas de gestão de dados sobre o tráfico de crianças e adolescentes.

"A partir do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff isso foi totalmente esquecido, a partir de 2014. Com o governo Temer isso não foi recuperado também. Os governos já não estavam tão preocupados com os direitos humanos, principalmente de crianças e adolescentes. Houve uma queda acentuada no nível do status designado para esse campo das políticas públicas, isso foi um desprestígio muito grande, de tal forma que não foi monitorado pelas autoridades, nem pelos dirigentes. Infelizmente vimos esse processo de esvaziamento total da importância da agenda de Direitos Humanos nos governos", opina.

O Brasil também é signatário, desde 2014, do Protocolo Adicional à Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional Relativo à Prevenção, Repressão e Punição do Tráfico de Pessoas, em especial Mulheres e Crianças, conhecido como Protocolo de Palermo. Desde 2006, o país já teve três Planos Nacionais de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, sendo que o último corresponde ao Decreto 9.440, publicado no Diário Oficial da União, em 3 de julho deste ano. Destinado aos próximos quatro anos, o programa traz 58 metas destinadas à prevenção, repressão ao tráfico dentro do território nacional e responsabilização dos autores.

A Política Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas é comandada pelo Ministério da Justiça (MJ). Contatada, a coordenadora da área não pode se pronunciar até a publicação da matéria, mas ressaltou que não existe nenhuma programação governamental para a data do 23 de setembro, porque o Ministério trabalha apenas com o Dia Mundial de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, celebrado no dia 30 de julho.

De acordo com Rebecca Souza, a partir de janeiro de 2019, a ONU Mulheres implementará a campanha #ElaDecide, referente ao combate à exploração infanto-juvenil, com enfoque no norte do Brasil.

Fonte: Rede Brasil de Fato

 

Vítima, cujo nome foi preservado pelo partido, é uma das organizadoras do ato #MulheresContraBolsonaro

O Psol do Rio de Janeiro divulgou, por meio de nota oficial, que uma militante do partido foi agredida na noite de ontem (24) por três homens armados, que a atingiram com socos e coronhadas.

A vítima, cujo nome foi preservado para preservar sua segurança, é uma das coordenadoras do ato #MulheresContraBolsonaro, marcado para este sábado (29), às 15h, na Cinelândia, e integrante da comunidade virtual de mesmo nome, onde mais de 2 milhões de mulheres de todo o país denunciam o caráter misógino da candidatura presidencial de Jair Bolsonaro (PSL).

"Três homens desceram de um táxi armados, deram coronhadas e um soco no rosto da militante, e ainda roubaram o seu celular. Ela foi atendida no Hospital Municipal Evandro Freire, Ilha do Governador. Em seguida, foi encaminhada para a 37ª Delegacia de Polícia na Estrada do Galeão", diz a nota do partido.

"A Executiva Nacional do PSOL repudia essa agressão covarde e exige das autoridades apuração e punição imediata contra os autores desse ato. Nos colocamos ao lado dos que defendem uma eleição livre de agressões e violência. Temos certeza de que as mulheres não se intimidarão com mais agressão e farão do dia 29 um marco histórico contra o machismo e a intolerância", conclui o documento.

Fonte: Rede Brasil de Fato

O candidato à presidência da república Ciro Gomes (PDT) declarou que seu projeto é de “centro-esquerda”; ele disse: "não sou do PT, nunca fui e, aparentemente, sou adversário. A diferença, por definição, é profunda"; o pedetista lamentou a polarização entre os chamados coxinhas e mortadelas, mas fez uma ressalva: “o Brasil se dividiu entre coxinhas e mortadelas. Eu bem que gostaria que isso não fosse assim, mas eu tomo um lado, o lado dos mortadelas”

 

247 -  O candidato à presidência da república Ciro Gomes (PDT) declarou que seu projeto é de “centro-esquerda”. Ele disse: "não sou do PT, nunca fui e, aparentemente, sou adversário. A diferença, por definição, é profunda". O pedetista lamentou a polarização entre os chamados coxinhas e mortadelas, mas fez uma ressalva: “o Brasil se dividiu entre coxinhas e mortadelas. Eu bem que gostaria que isso não fosse assim, mas eu tomo um lado, o lado dos mortadelas”.

Na sabatina promovida pela parceria Estadão-Faap, o candidato afirmou que falta de projetos para o País afundou PT e PSDB. Ele disse também que a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é “frágil” e fez críticas ao PSDB e ao candidato tucano Geraldo Alckmin.

Ciro afirmou ainda que seu projeto é de “centro-esquerda” e fustigou mais uma vez Fernando Haddad: "vamos deixar o povo votar. Negócio de herdar é patrimonialismo. Disputar voto é minha arte. Herdar é um verbo que está no direito civil como uma transferência de patrimônio. Eu quero todos os votos de todos os brasileiros de boa-fé, que dão valor ao trabalho e à decência.” 

 

Fonte:247

 

Na foto, o Presidente do Sintratel, Marco Aurélio C. de Oliveira, entrega propostas de projetos em favor da categoria ao Deputado Federal Orlando Silva, em reunião no Sindicato em março de 2017 - Um deles era a desoneração da folha para o setor.

 

A Câmara dos Deputados aprovou projeto reduzindo de 56 para 28 o número de setores com desoneração da folha de pagamento. Com isso, apenas 28 setores continuariam “desonerados”, ou seja, contribuindo para o INSS com base na receita bruta com uma alíquota de 2%. Os outros 28 voltariam a contribuir com 20% sobre a folha de pagamento.

O projeto foi aprovado com urgência no Senado. Mas no dia 31 de maio, após a greve dos caminhoneiros, Michel Temer sancionou o projeto com veto a mais 11 setores. Para contemplar o setor de transporte de cargas, deixou apenas 17 contemplados, com o setor de telemarketing/call center entre eles.

A diferença de 2% para 20% é substancial. Gastando menos, o setor pode manter investimentos e a geração de emprego. O que não pode acontecer é os empresários receberem o benefício e o usarem para manter suas taxas de lucro sem contrapartida social, com investimento na geração de serviço e emprego.

O Sintratel tem apoiado diretamente esta iniciativa sob a condição de compromisso com essa contrapartida pelos empresários.  "Sem o compromisso de gerar empregos e promover a inclusão do jovem, não há sentido numa desoneração, pois beneficiaria apenas um dos lados, e quem mais está vulnerável neste momento de crise é o trabalhador ", ressalta o presidente do Sintratel, Marco Aurélio Coelho de Oliveira.

Nesse sentido, a Diretoria do Sintratel vem dialogando há um bom tempo com o Deputado Federal Orlando Silva, um aliado importante do Sindicato para o encaminhamento de demandas da categoria na Câmara dos Deputados e de ais espaços políticos.

Esse diálogo resultou no empenho do Deputado para o setor de telemarketing ser mantido entre os 28 beneficiados com a desoneração da folha.

Seus argumentos convenceram os demais parlamentares de que esse setor é um dos mais importantes para geração de empregos no país atualmente. Além disso ele emprega sem discriminação de sexo, gênero, idade e raça, sendo uma das mais importantes portas para o mercado de trabalho a jovens trabalhadores, uma das camadas mais afetadas nesse período de crise e recessão econômica, e de oportunidade para a população LGBT.

Além do telemarketing, mantiveram o benefício setores como transporte de passageiros (transporte rodoviário, rodoviário de carga e metroviário), comunicação, construção civil, têxtil, calçados e máquinas e equipamentos. O projeto prevê que o benefício da desoneração da folha acabará em 2020 para todos os setores.

Em países periféricos como o Brasil, a ignorância é mantida por interesse das classes dominantes, porque serve para promover a apatia da população – e, como consequência, a pobreza se perpetua como eficaz instrumento de dominação.

A educação é, portanto, um antídoto para combater os males sociais e políticos vistos hoje no Brasil, como a falta de compromisso dos governantes com o povo que o elegeu, e a corrupção ligada aos recursos e benesses oferecidos pelas pelas empresas, para que os políticos aprovem e encaminhem o que a elas interessa.

O combate ao desemprego passa também pela educação. É lógico que precisa haver desenvolvimento econômico e social, a partir de um governo progressista, para haver pleno emprego. Mas a educação faz a diferença na hoa de acessar esses empregos e alcançar os melhores postos.

Por isso o Sintratel oferece inúmeros convênios com descontos e facilidades substanciais para os filiados cursarem uma faculdade.

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A pobreza como forma de dominação

Em seu magistral livro, O Capital no Século XXI, o economista francês Thomas Piketty afirma que uma das maneiras de diminuir o enorme abismo entre ricos e pobres, além da óbvia taxação das fortunas, é a disseminação do conhecimento.

ignorância revela-se como uma trava ao desenvolvimento, tanto pessoal quanto coletivo, impedindo uma melhor distribuição da renda. Em países periféricos como o Brasil, no entanto, a ignorância é mantida porque serve para promover a apatia da população – e, como consequência, a pobreza se perpetua como eficaz instrumento de dominação.

O valor do salário-mínimo, R$ 954, estabelecido pelo presidente não eleito, Michel Temer, representa um aumento de 1,8% em relação ao piso anterior, de R$ 954, o que não corrige nem mesmo as perdas para a inflação, que deve fechar o ano em torno de 2,8%. Segundo a Constituição de 1988, o salário-mínimo deveria ser capaz de atender “às necessidades vitais básicas” do trabalhador “e de sua família” com “moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social”.

Ora, apenas a cesta básica – o item “alimentação” – custava, em novembro, entre R$ 327,85 (a mais barata, em Recife) e R$ 444,16 (a mais cara, em Porto Alegre), conforme levantamento do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). Para cumprir a lei, o valor do salário-mínimo – pensando numa família composta por quatro pessoas – deveria ter sido, naquele mês, de R$ 3.731,39 – equivalente a quase quatro vezes o valor estipulado para este ano.

Entretanto, segundo pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), cerca da metade dos trabalhadores brasileiros sequer recebe um salário-mínimo por mês. Realizada a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD), dos 88,9 milhões de trabalhadores ocupados em 2016, 44,4 milhões recebiam, em média, o equivalente a 85% do valor do salário-mínimo vigente, ou seja, R$ 747. Por outro lado, 889 mil pessoas (1% do total da população empregada) recebia, em média, R$ 27 mil mensais. Por isso, ocupamos o vergonhoso 10º lugar no ranking dos países mais desiguais do mundo...

E mais: a miséria está voltando a patamares anteriores ao início da nossa crise econômica. O documento Síntese de Indicadores Sociais, do IBGE, mostra que, em 2016, o número de brasileiros vivendo com rendimentos mensais abaixo de ¼ do salário-mínimo havia aumentado 53% em comparação com 2014, alcançando 24,8 milhões de pessoas, ou seja, 12,1% do total da população vivem na “pobreza extrema”. E a desigualdade social também discrimina por cor: entre os 10% da população com os menores rendimentos, 78,5% eram pretos ou pardos.

Em setembro, a Polícia Federal descobriu, num apartamento em Salvador, dezenas de caixas contendo um total de R$ 51.030.866,49, que, acusa, pertencem ao ex-ministro-chefe da Secretaria de Governo de Michel Temer, ex-ministro da Integração Nacional de Luiz Inácio Lula da Silva e ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal no governo Dilma RousseffGeddel Vieira Lima. Este dinheiro seria suficiente para remunerar 53.491 trabalhadores que recebem um salário-mínimo por mês! Infelizmente, o caso de Geddel é apenas uma ínfima amostra do quadro de total descalabro em que se encontra o Brasil.

Em março de 2010, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) divulgou o documento “Corrupção: custos econômicos e propostas de combate”, que calculava em 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) o custo médio anual da corrupção. O relatório concluía que “o custo extremamente elevado da corrupção no Brasil prejudica o aumento da renda per capita, o crescimento e a competitividade do país, compromete a possibilidade de oferecer à população melhores condições econômicas e de bem-estar social e às empresas melhores condições de infraestrutura e um ambiente de negócios mais estável”.

má qualidade da nossa educação – ocupamos o penúltimo lugar no ranking da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) – explica a nossa alienação em relação às questões coletivas: sem acesso ao conhecimento temos dificuldade de compreender o mundo e, por consequência, de tentar mudar a realidade à nossa volta. Assim também a pobreza. Uma população premida por solucionar cotidianamente questões primárias de sobrevivência individual – comida e teto – e que não alimenta a menor esperança de que amanhã será um dia melhor, não tem energia para despender na resolução de problemas coletivos. Junte-se a isso a total desmoralização da classe política e do Poder Judiciário, e o resultado é esse que estamos assistindo: o desdém pelas próximas eleições.

Como escreveu o grande escritor Machado de Assis, a respeito do Brasil, em crônica de 29 de dezembro de 1861: “O país real, esse é bom, revela os melhores instintos; mas o país oficial, esse é caricato e burlesco”...

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