Aconteceu

Preservar as conquistas da Convenção Coletiva e incluir cláusulas que combatam a re(de)forma trabalhista com aumento real nos salários e benefícios!

As negociações da Campanha Salarial 2018 tiveram inicio no dia 12 de dezembro. Como era de se esperar, os empresários ouviram as reivindicações apresentadas pelo Sindicato com explicações a argumentos, mas não se posicionaram. Essa apresentação envolveu as cláusulas sociais. As econômicas ficaram para uma próxima reunião, marcada para 19 de dezembro, quando possivelmente trarão uma resposta para as cláusulas sociais e algum posicionamento sobre as reivindicações econômicas.

Nossa prioridade é preservar as conquistas previstas em nossa Convenção Coletiva ao longo dos anos de negociações, incluir clausulas que tragam proteção às mazelas que a re(de)forma trabalhista trouxe aos trabalhadores, além de um aumento real nas clausulas econômicas, que compensem as perdas impostas pela inflação que corrói  o poder de compra dos trabalhadores. Mas somente com a participação efetiva da categoria, discutindo, opinando e se integrando, é que conseguiremos impedir que o patronal imponha sua vontade: se apoiar na re(de)forma trabalhista para impor mais precarização nos ambientes de trabalho.
 
Participar da Campanha, é pressionar os patrões e garantir vitória!!! Veja nossas principais reivindicações:  
 
  • Preservar as conquistas da Convenção Coletiva;
  • Reajuste Salarial, com reposição de perdas: 7%;
  • Auxilio-refeição: R$10,00 (20 min. intervalo), R$14,00(para os demais);
  • Auxilio-Creche/Cuidadora: R$300,00;
  • Estabilidade de 30 dias para trabalhadores em retorno do auxílio doença;
  • Pagamento a partir da 1ª venda para comissões, sem analises subjetivas.

Participe e fortaleça sua luta junto com o Sintratel!!!
Vamos defender nossos direitos e exigir salários justos. Mobilize seus colegas de trabalho em torno dessa Campanha. Para encarar os patrões e consolidarmos conquistas, sua participação é fundamental. Juntos somos mais fortes!!!

 

Todos na luta por NENHUM DIREITO A MENOS!

A reforma trabalhista da brecha para os empresários tentarem baixar nossos direitos, mas não vamos deixar!

A manutenção de todos os itens da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) é nossa preocupação número um nessa Campanha Salarial. Isso porque há vários dispositivos da reforma que dão chance aos patrões de tentarem diminuir os direitos conquistados ao longo dos anos por nossa categoria, nas Campanhas Salariais. É justamente na Convenção que estão esses direitos que precisamos defender a todo custo. 

Veja algum deles e entre na luta pela manutenção integral da Convenção Coletiva com o Sintratel:

ReformaTrab Site 

Negociado sobre o legislado e negociação direta com o patrão: muito cuidado!

A combinação desses dois mecanismos impostos pela reforma pode complicar o trabalhador. Eles dão às empresas a possibilidade de impor mudanças e regras que estão abaixo do que manda a lei e pedir (ou obrigar) o trabalhador a assinar. Se você assinar, não tem volta, já era!

Como podemos usar a regra a nosso favor?

Essa regra pela qual o acordo vale mais do que as leis deve ser usada a nosso favor, para melhorarmos os direitos que temos hoje, colocando-os acima do mínimo que a lei determina, e nunca abaixo.

A Campanha Salarial é o momento de negociar essas mudanças para cima. Mas para conseguirmos isso precisamos estar muito fortes, com cada trabalhador e trabalhadora envolvido na mobilização. Participe!

 

Jornada de trabalho não pode ser ampliada

A Convenção Coletiva de Trabalho define jornada de 6h/dia e 36/h/semanais para os operadores. É PRECISO MANTER ESSA CLÁUSULA SEM ALTERAÇÃO! Porque do contrário as empresas podem querer usar a regra da reforma, que permite ampliação da jornada para até 12h dia, sem pagamento de horas extras.

 

Não assine nada sem consultar o Sindicato

Já tem empresa querendo impor mudanças na forma do escalonamento, alterando o contrato de trabalho, para se beneficiar. Mas ela só vai conseguir se o trabalhador assinar um acordo. Por isso muito cuidado. Quem sai prejudicado é sempre o lado mais fraco. Consulte o Sintratel antes de assinar qualquer documento ou acordo.

 

Homologação no Sindicato

A reforma acabou com a obrigatoriedade da homologação de rescisão de contrato de trabalho no Sindicato, permitindo que a empresa faça diretamente com os trabalhadores. Quem pode ser prejudicado com isso? O trabalhador, porque a empresa pode não pagar direitos e forçá-lo a aceitar. POR ISSO TEMOS DE EXIGIR A MANUTENÇAO DA CLÁUSULA DA CONVENÇÃO QUE OBRIGA AS EMPRESAS A FAZEREM A HOMOLOGAÇAO NO SINDICATO. É a única forma do trabalhador ter segurança de que todos seus direitos serão respeitados.

 

Se perder processo, paga

Uma das mudanças mais drásticas trazidas pela reforma trabalhista foi a que acabou com a gratuidade da justiça do trabalho.

Agora, se o trabalhador entrar com processo e perder, vai ter que pagar as custas do tribunal, os honorários do advogado da empresa e outros custos processuais. O valor é decidido pelo juiz, que também pode processar o trabalhador por falsidade ideológica, se entender que houve tentativa de enganar a justiça.

Por isso, não assine nada sem consultar o Sindicato!

 

Aplicação do Anexo II da NR-17: a obrigatoriedade tem que estar na Convenção Coletiva de Trabalho

Parece mentira que um Norma Regulamentadora das relações de trabalho que tem força de lei não seja cumprida pelas empresas. Mas acontece. Por isso é fundamental que a obrigatoriedade da aplicação do Artigo 2 da NR 17 esteja na Convenção Coletiva, para dar poder de fiscalização ao Sindicato e mecanismos para obrigar a empresa a aplicá-la.

A aprovação do Anexo II da NR 17, em 2007, foi uma grande vitória da nossa categoria, que só foi possível porque ela construiu um Sindicato forte, o Sintratel. VAMOS DEFENDÊ-LA COM TODAS AS NOSSAS FORÇAS.

O que tem no Anexo II da NR 17:

•O Anexo garante dois intervalos de 10 minutos cada, inclusos na jornada de 6:00 hs, e uma pausa de 20 minutos para alimentação e repouso.

•As pausas devem ser concedidas: a) fora do posto de trabalho; b) em períodos de 10 minutos contínuos; c) após os primeiros e antes dos últimos 60 minutos de trabalho.

•Controle de idas ao banheiro não pode existir, nem o desconto do tempo gasto nas duas pausas existentes.

•O item 3 do Anexo II da NR 17, Equipamentos dos Postos de Trabalho, determina que as empresas têm que fornecer equipamentos (headset) gratuitos e individuais, garantir a higienização e condições operacionais recomendadas pelos fabricantes, bem como a manutenção continua de todos os equipamentos.

 

A re(de)forma trabalhista do governo Temer acabou com inúmeros direitos dos trabalhadores. Mas com união e participação efetiva da categoria vamos intensificar nossa luta para conquistarmos uma Convenção Coletiva que contemple a dignidade aos trabalhadores e impeça as mazelas patronais!

Logo campanha salarial 2018 SITEUma das principais alterações contidas na reforma trabalhista é a que permite que o negociado sobressaia ao que a lei determina.

A Campanha Salarial é exatamente o período em que acontecem as negociações da nossa Convenção Coletiva, que regem “as leis” do telemarketing.

Uma Convenção Coletiva forte, que assegure nossos direitos e cláusulas que garantam a dignidade aos trabalhadores, só serão possíveis com a participação de categoria de fato, pois o Sindicato só é forte quando os trabalhadores estão unidos pela mesma causa. Agora é o momento de mostrar força, mobilização e unidade.

E mais do que nunca bons acordos serão a saída para os problemas.

Vamos usar a regra pela qual o acordado vale mais do que as determinações das leis para conquistar um acordo relevante, com a manutenção de todos nossos direitos e novas conquistas, além de um bom reajuste salarial.

A participação de cada trabalhador e trabalhadora na mobilização e ações convocadas pelo Sindicato será essencial para o fechamento de um acordo favorável.

O momento é agora! Com o envolvimento de todos(as) podemos obter conquistas que farão total diferença no cotidiano das operações.

 

O Sintratel já entregou a Pauta de Reivindicações da categoria ao Sindicato patronal!

As principais reivindicações (bandeiras de luta) são:

•Manutenção da Convenção Coletiva de Trabalho na íntegra;

•Reajuste salarial de 7%;

•PLR de R$ 300,00;

•Cumprimento efetivo da NR-17;

•Pela revogação da reforma trabalhista e retrocessos que ela traz.

 

Dizimimadora de direitos trabalhistas

A reforma trabalhista alterou a CLT e súmulas do TST que eram favoráveis aos trabalhadores. Sabe quantas alterações beneficiam o trabalhador? NENHUMA! Todas facilitam e melhoram a vida dos empresários, que terão muito mais facilidade para explorar os trabalhadores.  Veja algumas das principais maldades da reforma e como elas vão afetar sua vida:

 

Charge 1 Site

 

 

Negociado sobre o legislado

Todo acordo feito entre empregados e patrões tem maior valor que a lei. Daí a importância de fecharmos um Acordo Coletivo que garanta os nossos direitos.

 

  

 

FIQUE ATENTO:

Fim da homologação no seu Sindicato

Quando dispensado, o trabalhador fará a homologação na própria empresa, sem a fiscalização do Sindicato para impedir fraudes.

 

Charge 3 Site

 

 

Trabalho intermitente

A empresa só vai usar o trabalhador quando precisar, e vai pagar só as horas trabalhadas. O trabalhador ficará à disposição do patrão e poderá receber até menos que o salário mínimo.

 

 

 

Sem processo

O trabalhador não poderá recorrer à Justiça do Trabalho caso tenha assinado qualquer acordo com a empresa. E o que é pior, se perder um processo, pagará multa e vai ter que pagar as despesas até do advogado da empresa.

 

Charge 4 Site

 

 

 

Redução do tempo de descanso

Com a falácia de otimizar o seu tempo, os empresários poderão aumentar a carga de trabalho e reduzir a pausa de descanso e refeição.

 

 

Charge 2 Site 

 

Acordo individual de trabalho

Permitirá que  trabalhador negocie diretamente com a empresa itens como duração da jornada, salário, hora extra, entre outros, de igual para igual, numa relação que por si só é desfavorável ao trabalhador, que sempre vai sair perdendo.

 

 

 

Venha fazer parte! Associe-se!

Participe da luta e fortaleça seu Sindicato para impedir a aplicação dessa reforma e se defender do retrocesso!

Nosso instrumento de luta, o Sindicato, precisará estar cada dia mais forte! ASSOCIE-SE FORTALEÇA A LUTA!!

 

Entre em contato:

WhatsApp:

(11) 94958-7437

(11) 95430-2324

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A Justiça Federal determinou,no dia 30 de novembro, a suspensão imediata de todos os anúncios da campanha "Combate aos Privilégios", elaborada pelo governo para defender a reforma da Previdência. A decisão é liminar (provisória) e o governo pode recorrer.

Na decisão, a juíza Rosimayre Gonçalves de Carvalho, da 14ª Vara Federal de Brasília, disse que a propaganda é "ofensiva e desrespeitosa a grande número de cidadãos dedicados ao serviço público". Ela determinou multa de R$ 50 mil por dia se a determinação for descumprida. 

A ação contra a propaganda foi ajuizada pela Anfip (Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil), pela Fenafisco (Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital), pela Unafisco (Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil) e outras entidades de servidores.

Segundo a Anfip, o objetivo da ação é "impedir que os servidores públicos sejam usados indevidamente na propaganda governamental, sendo alvos de uso político como mote para a aprovação de uma reforma cruel e draconiana".

A juíza afirmou que "fica evidenciado o intuito de obter apoio popular" para a reforma, "mas sob um determinado ponto de vista e conceito que, a despeito de nada informar, propaga a ideia que compromete parcela significativa da população com a pecha de 'pouco trabalhar' e ter 'privilégios', como se fosse essa a razão única da reforma".

Governo busca apoio

A campanha do governo busca diminuir a rejeição a sua proposta de reforma, que atualmente está na Câmara dos Deputados. Um dos discursos do governo para defender as mudanças é o de que ela acaba com diferenças entre as aposentadorias de servidores públicos e trabalhadores da iniciativa privada.

Apesar de ser considerada prioridade do governo, a reforma enfrenta muita resistência dos parlamentares, pelo receio de que a medida seja impopular entre os eleitores. Para ser aprovada, a proposta precisa do voto de 308 deputados, número que ainda não foi atingido.

A falta dos votos necessários já fez com que o governo enxugasse a reforma da Previdência, com mudanças no texto que foram apresentadas na semana passada pelo relator da matéria na Câmara, Arthur Oliveira Maia (PPS- BA).

O governo trabalhava para que a votação fosse realizada no dia 6 de novembro. Mas o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) disse que ainda "falta muito voto”, e evitou prever uma data para a votação.

DETALHES DA DECISÃO:

Para a juíza, a campanha “veicula a desinformação” ao dizer que, com a reforma, “o Brasil vai ter mais recursos para cuidar da saúde, da educação e da segurança de todos”.

“A campanha não divulga informações a respeito de programa, serviços ou ações do governo, visto que tem por objetivo apresentar a versão do executivo sobre aquela que, certamente, será uma das reformas mais profundas e dramáticas para a população brasileira”, observou Rosimayre..

Na avaliação da magistrada, com o intuito de obter apoio popular à proposta de emenda constitucional – que ainda precisa ser aprovada no Congresso Nacional –, a campanha utiliza “um determinado ponto de vista e conceito que, a despeito de nada informar, propaga ideia que compromete parcela significativa da população com a pecha de ‘pouco trabalhar’ e ter ‘privilégios’, como se fosse essa a razão única da reforma”.

“A superficialidade da matéria, ademais, indica que o governo federal anuncia um déficit na Previdência Social sem esclarecer e demonstrar à população, com dados objetivos, o quantum devido e a sua origem (ou origens)”, criticou a juíza.

“Verifico que também está demonstrada a urgência da medida, haja vista que a propagação diária e contínua dessa propaganda governamental gerará efeitos irreversíveis à honra e à dignidade daqueles diretamente atingidos pela mensagem nela contida”, concluiu.

Rosimayre ainda apontou que a propaganda não explica à população os diferentes regimes previdenciários. “E mais, a notícia leva a população brasileira a acreditar que o motivo do déficit previdenciário é decorrência exclusiva do regime jurídico do funcionalismo público, sem observar quaisquer peculiaridades relativas aos serviços públicos e até mesmo às reformas realizadas anteriormente. Essa diretriz conduz a população ao engano de acreditar que apenas os servidores públicos serão atingidos pela mudança”, afirmou.

Com informações do Estado de SP

Veja abaixo artigo do Jornal The New York Times, que mostra bem a percepção, em países extrangeiros, da política brasileira praticada no Congresso Nacional.

 

Envolvido em corrupção, Congresso brasileiro é circo que tem até seu próprio palhaço

The New York Times

CongressoNacionalUm dos espetáculos há mais tempo em exibição no Brasil conta com um número desconcertante de personagens cuja teatralidade aparece em milhões de televisores quase toda noite.

O elenco em constante mudança de 594 integrantes e inclui suspeitos de homicídio e tráfico de drogas, ex-jogadores de futebol, um campeão de judô, um astro sertanejo e uma coleção de homens barbados que adotaram papéis como líderes do movimento das mulheres.

O elenco até mesmo inclui um palhaço cujo nome significa "Zangado".

Mas eles não são atores. Eles são os homens e mulheres que servem no Congresso nacional.

A democracia pode causar perplexidade e confusão, mas no mundo há pouco que se iguala ao Congresso brasileiro.

Enquanto a nação enfrenta sua pior crise política em uma geração, os legisladores que orquestraram a remoção da presidente Dilma Rousseff (que foi suspensa e enfrenta um processo de impeachment sob acusação de manipulação do orçamento) estão sob novo escrutínio.

Mais da metade dos membros do Congresso enfrenta processos na Justiça, de casos envolvendo auditoria de contratos públicos até crimes sérios como sequestro ou homicídio, segundo o Transparência Brasil, um grupo que monitora a corrupção.

As figuras sob investigação incluem o presidente do Senado e o novo presidente da Câmara. Neste mês, o presidente anterior da Câmara, um comentarista de rádio evangélica que gosta de postar versos bíblicos no Twitter, foi afastado para ser julgado pela acusação de esconder até US$ 40 milhões em propinas em contas bancárias na Suíça.

Muitos dos problemas do Legislativo derivam das generosas recompensas proporcionadas pelo sistema partidário brasileiro de múltiplas cabeças como de uma hidra, uma coleção desajeitada de dezenas de partidos políticos cujos nomes e agendas com frequência deixam os brasileiros coçando suas cabeças.

Há o Partido da Mulher Brasileira, por exemplo, um grupo cujos membros eleitos no Congresso são todos homens.

"O processo eleitoral permite muitas distorções", disse Suêd Haidar, a fundadora e presidente do partido. Ela suspirou, reconhecendo que muitos dos homens que ingressam têm pouco interesse em promover os direitos da mulher.

Um dos que se juntaram ao partido, o senador Hélio José da Silva Lima, foi acusado de abusar sexualmente de uma sobrinha menor de idade no ano passado, apesar das acusações terem sido posteriormente retiradas. "O que seria de nós, homens, se não fosse uma mulher ao nosso lado para nos trazer alegria e prazer?" ele foi citado como tendo dito à imprensa brasileira, quando perguntado sobre sua decisão de ingressar no partido das mulheres.

A mesma fúria pública com a corrupção endêmica e má gestão governamental que ajudou a retirar Dilma Rousseff do poder há muito é direcionado à cabala de políticos, a maioria homens brancos, cuja inclinação por acordos escusos e enriquecimento próprio já faz parte do folclore brasileiro.

"A reputação da classe política no Brasil realmente não tem como piorar", disse Timothy J. Power, um professor de estudos brasileiros da Universidade de Oxford.

"As pessoas comparam o Legislativo à 'House of Cards'", ele disse, referindo-se à série política da Netflix, "mas eu discordo. 'House of Cards' é, na verdade, muito mais crível".

Com 28 partidos ocupando cadeiras, o Congresso brasileiro é o mais dividido do mundo, segundo Power. O que fica em segundo lugar, o da Indonésia, tem um terço a menos de partidos.

"O Brasil não é atípico, é uma aberração", disse Gregory Michener, diretor do programa de transparência pública da Fundação Getúlio Vargas, uma universidade no Rio de Janeiro.

Pesquisas mostram que mais de 70% dos brasileiros não conseguem se recordar a qual partido os candidatos que elegeram pertencem, e que dois terços do eleitorado não têm preferência por qualquer partido.

Mais importante, dizem os especialistas, é que a maioria dos partidos não abraça nenhuma ideologia ou agenda, e são simplesmente veículos para clientelismo e propina. Em um mandato típico de quatro anos, um entre três legisladores federais trocará de partido, alguns mais de uma vez, segundo um levantamento por Marcus André Melo, um cientista político da Universidade Federal de Pernambuco.

Os legisladores brasileiros estão entre aqueles com remuneração mais alta do mundo, dizem estudiosos, com quantias que vão além do salário mensal. Eles também recebem moradia e atendimento de saúde gratuitos, verbas para um grande número de funcionários de gabinete e foro privilegiado em caso de processos. Apenas o sobrecarregado Supremo Tribunal Federal pode julgá-los em processos criminais, algo que pode levar anos.

"A única coisa melhor do que ser um partido político no Brasil é ser uma igreja", disse Heni Ozi Cukier, um cientista política da Escola Superior de Propaganda e Marketing, em São Paulo. "São oportunistas à procura de algo que lhes dê poder, influência e proteção."

Formar um partido requer a coleta de 500 mil assinaturas. Cukier disse que 62 partidos estão à procura de reconhecimento oficial, inclusive um que leva o nome de um time de futebol.

Apesar do presidente do Brasil liderar um dos maiores países do mundo, ele ou ela deve formar coalizões com até uma dúzia de partidos para conseguir que legislações sejam aprovadas no Congresso. O preço da lealdade com frequência é uma cadeira de ministro, ou três, dependendo de quantos votos o partido puder oferecer.

Em alguns casos, a cooperação envolve a troca ilícita de dinheiro. Em 2005, um escândalo conhecido como mensalão revelou o quanto esses arranjos eram comuns. Para obter votos no Congresso, o partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o mentor de Dilma Rousseff e porta-bandeira do Partido dos Trabalhadores, pagava aos legisladores obedientes um valor mensal equivalente a US$ 12 mil.

O mais recente escândalo de corrupção, conhecido como Operação Lava Jato, provou ser ainda maior, com bilhões de dólares em propinas destinados a partidos políticos pela companhia estatal de petróleo, a Petrobras. Mais de 200 pessoas, de magnatas empresariais a líderes partidários, foram implicados no escândalo, e a expectativa é de que o número deles crescerá.

O furor público com o esquema teve papel chave na remoção de Dilma Rousseff, que foi diretora da Petrobras quando o arranjo de propina foi armado, apesar de ela não ter sido acusada diretamente de qualquer crime. Em seu julgamento de impeachment, ela é acusada de uma manipulação orçamentária, em um esforço para esconder os problemas econômicos do Brasil e vencer a reeleição em 2014, não de roubar para enriquecer a si mesma.

A necessidade de formação de alianças de conveniência no Congresso pode levar ao caos legislativo, especialmente quando partidos descontentes abandonam a coalizão do presidente. Dilma Rousseff, que antes contava com ampla maioria na Câmara, acabou abatida pelo agora deposto presidente da Câmara, Eduardo Cunha, um ex-aliado que enfrenta julgamento por corrupção.

O partido de Cunha, o PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro), se tornou uma fonte particular de ultraje no Brasil. Os críticos dizem que o partido, fundado há cinco décadas como partido de oposição, mas tolerado pela ditadura militar do Brasil, se tornou um vasto canal de clientelismo para seus membros, que abraçam um amplo espectro de ideologias.

O trunfo do partido é seu tamanho, o que significa que os presidentes precisam entrar em acordo com ele, o que envolve a concessão de cargos ministeriais cobiçados. Dilma Rousseff escolheu Michel Temer do PMDB para ser seu vice-presidente. Neste ano, ele se voltou contra ela e retirou seu partido da coalizão, abrindo caminho para o processo de impeachment de Dilma. Temer, que já foi condenado por violar os limites de financiamento de campanha, agora é o presidente do país.

A reforma política pode ser difícil, já que os legisladores teriam que aprovar o fim do sistema que os protege. Ocorreram algumas mudanças, incluindo uma lei recente que impede que candidatos cassados ou com condenação concorram a qualquer cargo eletivo por até oito anos, e uma lei de financiamento de campanha, que deverá entrar em vigor neste ano, que limita a influência de dinheiro de empresas.

O grande número de partidos no Brasil tende a favorecer celebridades, cujo reconhecimento do nome ajuda a fazer com que se destaquem nas campanhas eleitorais. O exemplo mais curioso é o do palhaço Tiririca.

Em 2010, ele concorreu à Câmara dos Deputados com o slogan "Pior que tá não fica", e sua literatura de campanha incluía "Você sabe o que faz um deputado federal? Eu também não. Vote em mim que eu te conto".

Ele acabou obtendo mais de 1,3 milhão de votos, quase o dobro do segundo candidato mais votado.

Em uma entrevista, Tiririca, cujo nome real é Francisco Everardo Oliveira Silva, apesar de deputado Tiririca ser o nome no site da Câmara, disse ficar com frequência decepcionado com a desordem no Congresso.

"No início era uma piada", ele disse sobre sua candidatura. "Então decidi que, se tantas pessoas acreditam em mim, eu teria que dar meu melhor, e é o que estou fazendo."

São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará, Espírito Santo, Goiás e Minas Gerais. Esses foram os Estados que já registraram, ou ainda registram, ocupações de escolas públicas comandadas por estudantes.

Cada vez mais frequente, a tática de tomar prédios escolares colocou os alunos no centro do debate educacional. Para estudiosos, o fenômeno reforça o diagnóstico de que já não é mais possível fazer política pública sem ouvir quem está na sala de aula.

Ocupacao

Mesmo com a liberação da sede do Centro Paula Souza, em São Paulo, 11 Etecs (escolas técnicas) seguem ocupadas. Outras duas escolas estaduais, ligadas à secretaria de Educação, e o prédio da Diretoria de Ensino Centro-Oeste, em Perdizes, também foram tomadas por estudantes.

Melhoria na alimentação escolar e protestos contra a "máfia da merenda" no Estado, investigada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público, são os principais alvos.

Em uma vitória parcial dos estudantes, o governo Geraldo Alckmin (PSDB) prometeu distribuir refeições do tipo marmitex a alunos do ensino técnico —parte só recebia a chamada "merenda seca", com bebida láctea e bolacha.

No Rio, fim dos cortes de verbas na educação e mudanças no currículo estão entre as reivindicações dos estudantes, que ocupam 68 escolas estaduais.

Apesar de pautas diversas e muitas vezes complexas, há um pano de fundo em comum, diz o professor da UFF (Universidade Federal Fluminense) Paulo Carrano: a insatisfação com o modelo de escola, o sentimento de falta de interlocução e a própria característica dessa geração, que goza de uma autonomia que os pais não tiveram.

Para Carrano, que coordena o laboratório Observatório Jovem na UFF, há pesquisas e conhecimento sobre o perfil da juventude atual, mas falta "vontade política de fazer uma escola aberta" que vá ao encontro dela.

"O que os governos estão fazendo é reagir contra as ocupações, apenas por sobrevivência política", diz. "Mas temos de aproveitar a potencialidade do movimento".

Para o coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, o movimento "segue uma linha de ocupar e qualificar o debate sobre o direito à educação". "Por muito tempo isso ficou restrito a ativistas e pais, agora eles são os protagonistas", diz.

DESCOBERTA
A estudante Izabel Catão, 17, "mora" desde o dia 18 de março na escola Souza Aguiar, no centro do Rio. Só agora, diz, sente que está na escola "onde queria estar".

"Estamos falando muito sobre política, gênero, feminismo, debates que não temos na escola. A gente tem voz", diz. "Descobrimos talentos entre os alunos que ninguém conhecia."

A estudante afirma ter "acordado" para o movimento estudantil após a "vitória" dos jovens de São Paulo em 2015. As ocupações nas escolas paulistas fizeram o governo voltar atrás no projeto de reorganização escolar.

O Estado previa fechar 94 escolas e criar 754 unidades de ciclo único, o que causaria a transferência de 311 mil alunos. No auge, 196 unidades foram tomadas.

O secretário de Educação de SP, José Renato Nalini, assumiu a pasta no começo do ano, após o fim das ocupações, reforçando compromisso de dialogar com os alunos.

Desde então, a pasta fomentou a formação de grêmios, e o secretário participou de conferências com alunos pela internet.

"Há uma avaliação contínua para mudanças e estamos construindo um projeto de gestão democrática para a rede", diz. "Mas muitas vezes as pautas são muito difusas".

Lilian Kelian, do Programa Jovens Urbanos no Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária), identifica as manifestações do MPL (Movimento Passe Livre) em 2013 como inspiração dos estudantes. Na ocasião, os atos barraram a alta das tarifas em várias cidades e Estados.

"O MPL se articulava com estudantes e influenciou a reflexão sobre a escola", diz.

Sintratel repudia a prática que é usada por maus patrões para pagar salários menores que o piso salarial da categoria e negar o direito ao FGTS e à Seguridade Social aos empregados, e já convocou mesa redonda no Ministério do Trabalho e no Ministério Público denunciando irregularidades e o não pagamento de direitos básicos aos trabalhadores.

  • Equiparação salarial Já
  • Garantia de quitação de ferias vencidas e FGTS
  • Pagamento de horas extras conforme a CLT
  • Registro de empregados estagiários
  • Cumprimento do Anexo II da NR 17
  • Fim do assédio moral
  • Garantia de Seguridade Social

Condições de trabalho são degradantes

Após denuncia de trabalhadores da Phoenix BPO, o Sintratel imediatamente se colocou ao lados dos trabalhadores e iniciou a luta para resolver os problemas acumulados pela má gestão da empresa e garantir os direitos básicos negados por ela, como FGTS, férias, 13º salário, registro em carteira, etc. Consta ainda que há empregados que foram demitidos sem que a rescisão de contrato fosse realizada.

A direção da empresa descumpre a legislação trabalhista brasileira e a Convenção Coletiva de Trabalho da categoria, e com isso prejudica e explora enormemente aqueles que a ela dedicam seu tempo e sua força de trabalho.

Uma situação extremamente grave é a manutenção de cerca de 90% dos operadores como estagiários. Isso é ilegal porque a legislação permite no máximo 20% dos empregados como estagiários. Além disso, o Sintratel não concorda com a contratação de estagiários para as operações de Call Center e teleatendimento, porque ela não cumpre a finalidade do aprendizado no estágio, como exige a lei, visto que a profissão de Operador de Telemarketing/Call Center tem suas especificidades e não há curso técnico ou superior para tal.

Este expediente é usado por maus patrões para não registrar em carteira e não pagar os direitos básicos dos trabalhadores. Um desses direitos é o piso salarial do setor, que foi fixado em R$ 890,00 pela Convenção Coletiva 2016. A empresa paga R$ 450,00 para os estagiários. Além disso faz os contratos de estágio por conta própria, sem um agente integrador, o que também é ilegal.

VAMOS FAZER VALER A LEI!!

O Sintratel já convocou a empresa para negociação no Ministério do Trabalho. Além disso, ingressará com ação no Ministério Público e na Justiça do Trabalho para que você trabalhador(a) tenha todos os seus direitos garantidos. Compareça à sede do Sindicato levando os documentos abaixo relacionados e participe da ação. Ajude o seu Sindicato a ajudar você!

AÇÃO COLETIVA JÁ!

Lista de documentos a serem entregues na sede do  Sintratel, na rua Frederico Steidel, 255, Santa Cecília, de segunda a sexta das 10 hs às 17 hs.

(Todos os documentos devem ser trazidos em 1 cópia simples) RG e CPF ou CNH

  • Comprovante de Residência atualizado (últimos 30 dias e de preferência de concessionárias pública – luz, telefone); Contrato de Trabalho (se tiver);
  • Cartão Cidadão e/ou número do PIS;
  • Carteira de Trabalho (cópia de todas as folhas que tiver anotação mesmo que não seja da empresa – só não deve tirar das folhas em branco); Todos os holerites que tiver;
  • Aviso-Prévio (carta de Dispensa);
  • Extrato Analítico do FGTS (ligar no 0800 726 0207 entrar na opção do FGTS e solicitar);
  • Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho (se tiver);
  • Extrato Bancário do Banco que recebia salário se tiver recebimento de comissões.

Veja abaixo o documento encaminhado pelo Sintratel chamando a empresa para Mesa Redonda

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crisehidrica spGovernador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), anunciou na segunda semana de março de 2016 que a crise hídrica que castiga o Estado há mais de dois anos chegou ao fim.

A declaração, no entanto, foi recebida com ceticismo por diversos moradores de São Paulo que relatam ainda sofrerem com torneiras secas em suas casas.

Em Guaianases, na zona leste da capital, a interrupção no fornecimento começa às 14h e só volta ao normal na madrugada do dia seguinte, por volta das 5h, dizem moradores. "Estão racionando água ainda, nada mudou", relata a dona de casa Rafaela Coutinho Xavier.

No bairro de Itaquera, também na zona leste, moradores contam que a água falta todo dia a partir das 19h. As caixas só voltam a receber água da rua a partir das 5h do dia seguinte. "Armazeno água em tambores porque não confio mais se vamos ser abastecidos todos os dias", diz a dona de casa Cleusa Rodrigues, 65. Ela conta que, no auge da crise hídrica, a rua onde mora chegou a ficar cinco dias consecutivos sem abastecimento. Hoje, afirma ela, a situação amenizou, mas ainda não voltou a ser como era antes da crise.

ZONA NORTE

A rotina de aperto e desabastecimento continua também na zona norte. Ao menos duas vezes por semana, a engenheira Roseleide Bibiano, 49, no Parque Edu Chaves, é obrigada a esquentar água no fogão e a tomar banho de caneca quando chega do trabalho. "Não recebemos a água pela qual pagamos todos os meses", diz.

A família de Roseleide já se habituou a armazenar água da chuva em latões para usar na descarga dos banheiros e para limpar o quintal. A máquina de lavar roupas só é usada uma vez por semana.

"No fim de semana é pior, recebemos visitas de amigos e parentes e o constrangimento é geral", afirma ela.

SEM ÁGUA

Desde o agravamento da crise, a Sabesp e o governo Alckmin adotaram como principal estratégia contra a seca das represas a operação de "redução de pressão" nas tubulações.

A ideia era fazer com que a água fosse empurrada pelos canos da cidade com menos força. Assim, menos água era perdida nas inúmeras falhas da tubulação da empresa.

Sem força, a água não consegue chegar a milhares de casas de São Paulo. A situação sempre foi mais grave na periferia, onde a população se acostumou a não ter água nas torneiras durante horas todos os dias.

No auge da crise, esse racionamento (entrega controlada de água) deixou alguns bairros com 15 horas a 20 horas por dia de torneiras secas. Agora, com mais água nas represas graças ao bom volume de chuvas, a Sabesp diz estar reduzindo o período em que faz a manobra de "redução de pressão".

A empresa diz, no entanto, que ajustes pontuais estão sendo feitos para adequar o fornecimento de água a padrões anteriores à crise, que começou em 2014.

PERGUNTAS E RESPOSTAS

A crise da água acabou, como disse o governador?

Se comparada a do ano passado, sim, a situação está bem melhor. Mas moradores da periferia ainda sofrem com os cortes no fornecimento de água, principalmente nos períodos da noite e da madrugada. No auge da crise, o racionamento deixava algumas residências de 15 horas a 20 horas por dia com as torneiras secas. Agora a queixa é mais restrita.

Qual foi o ponto mais crítico da seca?

No fim de janeiro de 2015, o sistema Cantareira, principal reservatório da Grande São Paulo, operava com apenas 5% de sua capacidade. Isso já contando com duas porções de seu volume morto, que é a água do fundo das represas que nunca havia sido captada antes. Naquele mês, já se falava em buscar a terceira e até a quarta porções do volume morto do sistema de represas.

Meses antes, o diretor Metropolitano da empresa havia dito em uma reunião fechada que, se a chuva não chegasse, ele não saberia como fornecer água a São Paulo. Chegou a cogitar a hipótese de evacuar parte da cidade.

O então recém-empossado presidente da empresa, Jerson Kelman, dizia que aumentaria o período em que a periferia de São Paulo ficava sem águas em suas torneiras. Tudo para que a cidade pudesse atravessar o que ele chamava de "deserto em 2015", já que o ano apontava ser pior do que o anterior.

A empresa começou a traçar um plano para atuar diante do colapso do fornecimento da água em São Paulo. Nessa situação, só seria capaz de entregar água para alguns hospitais, clínicas de hemodiálise e presídios.

O que fez a situação da água melhorar?

Um conjunto de fatores. Por parte do governo, houve uma maior integração das tubulações que permitiram flexibilizar a entrega de água dentro da Grande São Paulo. Com isso, passou a ser possível, por exemplo, levar água da cheia Guarapiranga para bairros que tradicionalmente eram atendidos pelo sistema Cantareira, que esteve à beira de um colapso. Por parte da população, houve uma forte redução do consumo de água. No ponto mais crítico da estiagem, cerca de 90% da população reduziu seu consumo, muitas vezes incentivadas pelos programas de bônus e pela sobretaxa (leia abaixo).

Outro fator determinante foi a volta do regime de chuvas, conforme o esperado. São Paulo passou dois anos com volumes de chuva extremamente baixos, em que o volume de água que entrou no Cantareira, por exemplo, foi 80% menor do que o previsto. Nos últimos seis meses, o Cantareira recebeu chuvas perto da média.

O programa de bônus e sobretaxa da Sabesp continua?

A empresa estuda a hora certa de acabar com os dois programas. Anunciado em fevereiro de 2014, o programa de bônus confere descontos para quem gastar menos água do que o seu padrão de consumo. Como muitas pessoas começaram a reduzir o consumo, a empresa foi obrigada a conceder muitos descontos, e o programa acabou dilapidando a arrecadação da Sabesp. Em dezembro de 2014, após as eleições a governador e o agravamento da crise, Alckmin anunciou o programa de sobretaxa, que pune quem aumenta o consumo de água sem justificativas.

Na virada do ano, a Sabesp mudou as regras de obtenção do bônus para tornar mais difícil a concessão do desconto.

Alckmin merece novos prêmios pela gestão da crise?

A população e especialistas dizem que não. Durante o auge da crise faltou transparência ao governo do PSDB. Alckmin sempre minimizou a gravidade da crise e nunca admitiu que a Grande SP esteve sob um forte "racionamento" –preferia o eufemismo da "redução da pressão" nas tubulações, o que, na prática, é a mesma coisa. Durante a campanha eleitoral de 2014, quando era candidato à reeleição, adiou a implantação da sobretaxa na conta dos "gastões" de água. Em um debate eleitoral na televisão, chegou a dizer que não faltava água em São Paulo, contrariando a experiência diária de milhares de pessoas, principalmente na periferia da região metropolitana. Pesquisa Datafolha, em outubro, mostrou que apenas 15% dos paulistanos consideravam a gestão tucana da água como ótima e boa.

Estamos preparados para uma nova seca?

Caso a próxima seca seja tão rigorosa quanto a última, a população de São Paulo deverá sofrer novamente. Mas segundo a Sabesp e o governo do Estado, as condições de operação e de distribuição da água na cidade estão melhores do que antes da crise.

De qualquer forma, caso ocorra uma seca ainda mais rigorosa, São Paulo poderá ter mais problemas já que questões estruturais ainda não foram enfrentadas como um programa de individualização de hidrômetros em condomínios, incentivo à água de reuso etc.

 

Matéria publicada originalmente na Folha de S. Paulo.

 

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