Na Mídia

Líder do Pink Floyd fez show na capital federal ‘Censurado’, escreveu em referência ao militar

O cantor e ex-líder da banda Pink Floyd Roger Waters repetiu, na noite deste sábado (13.out.2018), 1 protesto contra o candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL).

O político apareceu em uma lista de líderes mundiais na qual se lê o nome “neofascismo está em ascensão”. A crítica aconteceu durante intervalo de seu show no estádio Mané Garrincha, em Brasília.

Políticos de diversos países como Marine Le Pen, da França, e Donald Trump, dos Estados Unidos apareceram na listagem do telão. No lugar do campo correspondente ao Brasil, havia uma faixa escrita “ponto de vista político censurado”.

No show feito na 3ª (9.out) em São Paulo, o nome de Bolsonaro aparecia sem a tarja. No 2º show na capital paulista, na 4ª (10.out), a faixa sobre o trecho foi adotada pelo cantor britânico.

Em várias partes do show o público presente no Mané Garrincha fez coro ao protesto de Roger Waters e entoou gritos de “Ele Não”. Algumas pessoas da planteia se mostraram insatisfeitas e responderam com gritos de “Ele Sim”.

Na apresentação feita na capital paulista, parte do público não concordou com as críticas de Roger Waters e vaiou o artista. No show de Brasília, o cantor comentou o episódio e disse que as pessoas deviam guardar as energias para brigar com os “porcos”, em referência a música “Pigs” do Pink Floyd, que foi tocada em seguida.

No trecho “mother, should I trust the government? [mãe, devo confiar no governo?]” da música “Mother”, o telão exibiu uma mensagem na qual se lia “nem fodendo”.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi o maior alvo de Waters durante o show. A primeira ministra do Reino Unido, Theresa May e o ex-presidente americano George W. Bush também estiveram sob a mira do artista.

Toda a apresentação foi marcada por críticas não só a políticos, mas também a empresários.

Mark Zuckeberg , fundador do Facebook, foi chamado de misógino, em referência ao fato que a rede social começou como 1 site que avaliava fisicamente as estudantes do campus de Harvard onde ele estudava. Na ocasião, foi lembrado o escândalo envolvendo denúncias de vendas de dados pessoais dos usuários do Facebook para campanhas políticas.

O artista pediu também a liberdade do australiano Julian Assange. Ele é fundador do WikiLeaks e é procurado pelo governo dos Estados Unidos por publicar informarções sigilosas de documentos diplomáticos . Assange está exilado na embaixada do Equador em Londres desde 2012.

Fonte: Poder 360

Opinião é da historiadora Glaucia Fraccaro, autora do livro “Os direitos das mulheres: feminismo e trabalho no Brasil (1917-1937)”

 

Em 1917, as mulheres brasileiras deram os primeiros sinais de um movimento que buscava garantir, para elas, direitos trabalhistas que eram reservados apenas aos homens. Cem anos depois, igualdade salarial entre homens e mulheres que desempenham a mesma função ou questões relativas à maternidade ainda estão na pauta de discussão.

 

Autora do livro “Os direitos das mulheres: feminismo e trabalho no Brasil (1917-1937)”, recém-lançado pela Editora FGV, a pesquisadora Glaucia Fraccaro  avalia que além da dificuldade histórica encontrada pelas mulheres para conseguir direitos,a reforma trabalhista terá um efeito direto, e principalmente, sobre as trabalhadoras.

“A reforma trabalhista revoga explicitamente aspectos importantes da CLT: a proibição do trabalho de gestantes em local insalubre, a regulação sobre a pausa para amamentação e a igualdade salarial. A pausa para amamentação, por exemplo, passa a ser de livre negociação com o empregador, mas coloca, no regramento, os interesses da empresa acima das recomendações da saúde”, afirmou, em entrevista ao JOTA.

 

Na avaliação da pesquisadora sobre a reforma trabalhista, as alterações no regramento jurídico “ferem, inclusive, numerosos acordos internacionais sem aviso prévio, na medida em que convenções relativas à igualdade salarial e ao trabalho doméstico foram travadas entre o Brasil e a Organização Internacional do Trabalho ao longo de todo o século XX”.

 

A pesquisa que deu origem ao livro de Fraccaro venceu a edição de 2017 do prêmio Mundos do Trabalho em Perspectiva Multidisciplinar, concedido pela Associação Brasileira de Estudos do Trabalho (ABET). Professora da PUC de Campinas, a historiadora explica que um dos grandes obstáculos na luta das mulheres por mais direitos trabalhistas é a falta de compreensão global sobre o dia a dia das mulheres.

 

“Essa experiência envolve a dimensão dos cuidados, das tarefas domésticas, da maternidade que precisam ser valorizadas, não só do ponto de vista de como se produz a riqueza, mas como uma forma de transformar a sociedade, de obter justiça social”, aponta.

 

Para ela, para entender como a sociedade se organiza hoje é preciso “verificar como foi determinada, nas leis, e nos conflitos que delas derivam, a capacidade das mulheres em garantir o próprio sustento, a capacidade de tomar decisões sobre a própria vida”.

 

Leia abaixo a íntegra da entrevista com a historiadora Glaucia Fraccaro:

 

Como a construção dos direitos das mulheres passa pelas leis trabalhistas?

Os direitos das mulheres estão relacionados com a regulação do trabalho na medida em que temos que compreender como se construiu, historicamente, a autonomia delas. Em outras palavras, para entender como a sociedade se organiza hoje é preciso verificar como foi determinada, nas leis, e nos conflitos que delas derivam, a capacidade das mulheres em garantir o próprio sustento, a capacidade de tomar decisões sobre a própria vida. Dessa forma, como se obtém o sustento é uma das formas de tratar sobre autonomia, ou ainda, sobre a falta dela, na medida em que toda a compreensão sobre o mundo do trabalho ainda se baseia na noção de que o salário pago ao homem deve ser suficiente para manter toda a família, supondo, portanto, que as mulheres devem se manter dependentes economicamente. Há que se considerar que as mulheres participam há mais de um século do mercado de trabalho sem que as políticas reprodutivas tenham sido alteradas, principalmente, na América Latina.

 

Em seu livro, você busca as origens, aqui no Brasil, do movimento de mulheres em busca de direitos trabalhistas, ainda em 1917. Existe algum paralelo que podemos traçar com o momento atual?

Sem dúvidas, principalmente ao compreendermos que o feminismo é um campo político e, como tal, é permeado por disputas e diferentes projetos de emancipação. A história mais conhecida sobre o movimento feminista brasileiro narrava que as mulheres das classes altas, por terem proximidade com o poder público, efetuaram mudanças fundamentais, como o direito ao voto, à revelia das mulheres das classes populares. Essas mulheres se organizavam na Federação Brasileira pelo Progresso Feminino [FBPF] que era uma entidade com capilaridade nacional, e assim reconhecida por uma grande parte das brasileiras. É bem verdade que a atuação dessa federação é impressionante, mas não o foi sem disputas. Desde sempre, as mulheres da FBPF estiveram sujeitas a pressões políticas de diversos campos e alteraram suas pautas e formas de luta à luz dessas pressões, principalmente, por conta das trabalhadoras e das militantes do Partido Comunista.

 

Eleger a luta das mulheres das classes altas como um marco da história do feminismo brasileiro é até hoje uma perspectiva que influencia a forma de compreender a atuação política das mulheres. Por vezes, a prerrogativa da definição do termo “feminismo” é daquelas que pensam a sociedade. No entanto, há aquelas que lutam para mudar a sociedade todos os dias e é tão possível, quanto necessário, contar a história do movimento a partir da experiência de mulheres comuns.

 

O Decreto do Trabalho das Mulheres, de 1932, estipulou a licença-maternidade, proibiu a desigualdade salarial e regulou a jornada do trabalho feminino. Entretanto, sabemos que até hoje as mulheres recebem salários menores que os homens para as mesmas funções. O que ficou no meio do caminho nesses 86 anos?

O que fica no caminho é a dificuldade de se compreender a experiência das mulheres como um tema central na luta por direitos.

 

Essa experiência envolve a dimensão dos cuidados, das tarefas domésticas, da maternidade que precisam ser valorizadas, não só do ponto de vista de como se produz a riqueza, mas como uma forma de transformar a sociedade, de obter justiça social.

 

Ao longo dos últimos 100 anos, quais foram, na sua opinião, as maiores conquistas das mulheres no mundo do trabalho no Brasil?

A conquista mais importante do século XX é a mudança constitucional que garante direitos às trabalhadoras domésticas, a Emenda Constitucional 72 [a chamada PEC das Domésticas, aprovada em 2012]. Desde o final do século XIX, o emprego doméstico é o segundo setor que mais emprega mulheres nas cidades brasileiras.

 

Cidadania pode ser definida pelo acesso aos direitos sociais. As mulheres empregadas no serviço doméstico haviam ficado de fora da CLT e não foi por mero acaso: Getúlio Vargas pretendia legislar para a classe trabalhadora que ele gostaria de ter, como um projeto político, reduzindo o trabalho rural, por exemplo. De todo modo, transformar as trabalhadoras em sujeitas de direitos iguais foi uma forma de valorizar o trabalho doméstico, interferindo na vida de milhões de mulheres, principalmente mulheres negras.

 

A reforma trabalhista – Lei 13.467/2017 – promoveu alterações sobre normas de proteção ao trabalho das mulheres, como a regra do intervalo especial concedido para amamentação. Como você avalia as implicações da Reforma na atividade das mulheres?

A retirada de direitos, de uma forma geral, afeta, principalmente, as mulheres. Ao reduzir equipamentos públicos, como hospitais, creches, escolas e a proteção ao exercício da à maternidade, o Estado prevê que todo esse trabalho de cuidados continuará sendo feito, mas de forma gratuita e pelas mulheres, nas casas e dentro da dinâmica das famílias. Da forma que nossa sociedade é organizada, quem não detém o poder do salário e dos direitos correlatos a ele acaba tendo que arcar com as tarefas de cuidados. Considerando que o cuidado é uma dimensão importante da vida das mulheres, temos que valorizar isso. Se desejamos garantir autonomia para as mulheres, se sonhamos que cada uma delas possa ter o seu próprio sustento, é preciso reconhecer essa grande massa de trabalho que fica a cargo delas como parte, não só da forma que produzimos a riqueza, mas como objeto de direitos.

 

A baixa presença feminina na vida política – Câmara dos Deputados, Senado Federal, Assembleias Legislativas Brasil afora – impacta na construção de direitos trabalhistas das mulheres?

A baixa presença feminina é explicada pelo acúmulo de tarefas, pela chamada “jornada dupla” que afeta todas as mulheres, mas de formas diferentes.

 

É claro que aumentar essa participação traz um elemento de equidade, mas é preciso considerar que não bastaria aumentar a participação das mulheres para construir novos modelos de justiça social.

 

Vale para o feminismo o que vale para todo movimento político: para obter projetos políticos que mudem a vida das mulheres, que valorizem o cuidado, que considerem os diversos sonhos de emancipação é preciso votar em mulheres que propõem exatamente isso.

 

Você fala sobre as tarefas de cuidado, que ficam a cargo das mulheres. Como, na sua avaliação, a reforma trabalhista está relacionada a isso?

Tem uma grande massa de trabalho a cargo das mulheres e isso é uma dimensão importante das nossas vidas, que não pode ser ignorada e nem desvalorizada. Há os cuidados com as crianças, com os idosos, com as pessoas que ficam doentes; os trabalhos de limpeza e manutenção da vida em casa. Esforços recentes de pesquisas mostram que muito tempo é dedicado para a realização dessas tarefas; chamam isso de estudos do “uso do tempo”. O IBGE, apenas recentemente, passou a monitorar essas atividades e aferiu que as mulheres brasileiras empenham 24 horas semanais nesses trabalhos (os homens declararam utilizar cerca de 10 horas nas mesmas tarefas).

 

A reforma trabalhista impõe uma série de mudanças na regulação das horas de trabalho: a possibilidade de se contratar trabalho por jornada intermitente, ou seja, manter as pessoas em casa até que se necessite delas, provoca um impacto muito maior na vida das mulheres na medida em que precisam organizar os trabalhos de cuidados e em casa. Sem contar que essa era uma reivindicação fortemente defendida pelo comércio, que emprega quase 18% das mulheres que trabalham. Dessa forma, os itens de regulação da jornada e de controle do tempo afetam mais as mulheres.

 

Você acha que a reforma trabalhista irá prejudicar mais as mulheres do que os homens? 

Há uma noção de que não regular as relações de trabalho permitirá que o capitalismo se desenvolva livremente, nem que seja a custo de jornadas exaustivas e baixos salários, que não alimentarão a economia. Isso é prejudicial em várias dimensões e afeta toda a sociedade; muitos especialistas já demonstraram isso com mais propriedade. A Reforma Trabalhista revoga explicitamente aspectos importantes da CLT: a proibição do trabalho de gestantes em local insalubre, a regulação sobre a pausa para amamentação e a igualdade salarial.

 

A pausa para amamentação, por exemplo, passa a ser de livre negociação com o empregador, mas coloca, no regramento, os interesses da empresa acima das recomendações da saúde.

 

Essas alterações no regramento jurídico ferem, inclusive, numerosos acordos internacionais sem aviso prévio na medida em que convenções relativas à igualdade salarial e ao trabalho doméstico foram travadas entre o Brasil e a Organização Internacional do Trabalho ao longo de todo o século XX.

 

No geral, as medidas que esvaziam as políticas sociais do Estado afetam especialmente as mulheres. Diminuir o número de equipamentos públicos em nome do saneamento das contas, por exemplo, não faz desaparecer crianças, idosos ou pessoas doentes. Pelo contrário, todo esse trabalho de cuidados vai continuar sendo realizado, especialmente, pelas mulheres.

 

Fonte: Jota.info

 

Pela 1ª vez, um empregador doméstico foi reportado como infrator

 

O Ministério do Trabalho divulgou na sexta-feira (05) uma versão atualizada da chamada "lista suja" do trabalho escravo, em que denuncia 209 empresas pela prática do crime. De acordo com o documento, entre 2005 e este ano, 2.879 funcionários foram submetidos por seus empregadores a exercer atividades laborativas sob condições degradantes e desumanas.

 

O chefe da Divisão de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo (Detrae), Maurício Krepsky Fagundes, destaca que a lista traz 50 nomes que não figuravam no cadastro anterior.

 

Ainda segundo ele, pela primeira vez na série histórica, iniciada em 2005, um empregador doméstico foi reportado como infrator. "Esse é o primeiro resgate [do tipo]. De lá pra cá, teve o caso de uma senhora submetida [a um trabalho análogo à escravidão] há mais 40 anos, no interior da Bahia e um caso em Roraima também. Esses [dois últimos] estão com processos ainda pendentes", afirmou.

 

Empresas

 

Entre as companhias flagradas pelas equipes de auditores fiscais do trabalho encontram-se a Spal Indústria Brasileira de Bebidas S.A, fabricante da Coca-Cola, e o grupo empresarial do setor têxtil Via Veneto, detentor de marcas de grife como a Brooksfield e a Harry's e que possui uma rede de lojas presente em todo o país.

 

Em mensagem encaminhada por e-mail, a Coca-Cola afirma que a Spal Indústria Brasileira de Bebidas S.A. já adotou as medidas judiciais cabíveis e que a companhia segue acordo coletivo, regulando a carga horária e o pagamento de remuneração extra. Na nota, a empresa assinala, ainda, que adota um plano de otimização de processos, com o objetivo de ajustar a duração do período de trabalho dos colaboradores responsáveis pela distribuição dos produtos. "Ressalta ainda que sempre operou com responsabilidade social, comprometida com a qualidade de vida e bem-estar de seus colaboradores, oferecendo-lhes condições de trabalho que respeitam a legislação vigente. Sua atuação é e sempre foi pautada no cumprimento rigoroso das leis trabalhistas e das políticas de direitos humanos vigentes", completa.

 

A Agência Brasil também buscou ouvir o grupo Via Veneto, mas não obteve retorno.

 

Segundo Fagundes, a nova lista traz tanto empregadores do espaço urbano como da zona rural. Ainda segundo ele, somente a lista com dados de 2018 consolidados, divulgada no final do ano, permitirá uma análise mais detalhada sobre o perfil das vítimas.

 

Ele ressalta, porém, que o governo federal já identifica como características comuns às vítimas a baixa escolaridade e o fato de estarem inseridas em bolsões de pobreza. "Já é um caráter histórico", disse.

 

A lista divulgada hoje reúne processos administrativos encerrados, ou seja, quando o empregador já foi ouvido e teve direito a se defender das acusações em duas instâncias administrativas.

 

Trabalho escravo

 

A legislação brasileira atual classifica como trabalho análogo à escravidão toda atividade forçada - quando a pessoa é impedida de deixar seu local de trabalho - desenvolvida sob condições degradantes ou em jornadas exaustivas. Também é passível de denúncia qualquer caso em que o funcionário seja vigiado constantemente, de forma ostensiva, por seu patrão.

 

De acordo com a Coordenadoria Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo (Conaete), jornada exaustiva é todo expediente que, por circunstâncias de intensidade, frequência ou desgaste, cause prejuízos à saúde física ou mental do trabalhador, que, vulnerável, tem sua vontade anulada e sua dignidade atingida. Já as condições degradantes de trabalho são aquelas em que o desprezo à dignidade da pessoa humana se instaura pela violação de direitos fundamentais do trabalhador, em especial os referentes a higiene, saúde, segurança, moradia, repouso, alimentação ou outros relacionados a direitos da personalidade.

 

Outra forma de escravidão contemporânea reconhecida no Brasil é a servidão por dívida, que ocorre quando o funcionário tem seu deslocamento restrito pelo empregador sob alegação de que deve liquidar determinada quantia de dinheiro.

 

Pesquisa da Organização Internacional do Trabalho (OIT) publicada no ano passado, elaborada em conjunto com a Fundação Walk Free, revela que, no mundo todo, cerca de 25 milhões de pessoas foram vítimas de trabalhos forçados, em 2016.

 

O Ministério Público do Trabalho disponibiliza, em seu site, um canal para registro de denúncias de crimes que atentem contra os direitos dos trabalhadores. A notificação pode ser feita de forma anônima.

 

Fonte: Agência Brasil

Cinco livros sobre direitos humanos do acervo da Biblioteca Central (BCE) da Universidade de Brasília (UnB) foram propositalmente danificados, tendo algumas páginas rasgadas e riscadas. A instituição divulgou nota informando que está fazendo uma varredura em outros títulos que tratam do mesmo assunto para verificar se há mais obras vandalizadas.

 

O diretor da BCE, Fernando Leite, informou à Agência Brasil que está sendo feita uma investigação preliminar para apurar as circunstâncias e identificar os responsáveis. Segundo ele, a varredura no acervo deve demorar entre 7 e 15 dias.

 

“A gente precisa fazer essa identificação para encaminhar o caso para a Polícia Federal. O livro dentro de uma universidade pública é patrimônio público e a investigação sobre depredação de patrimônio público é atribuição da PF”, explicou.

 

Leite disse que funcionários da biblioteca já tinham identificado danos em três dessas obras ao longo do primeiro semestre do ano. Os títulos foram encaminhados para o setor de restauração da universidade. “Quando soubemos de outras duas obras com o mesmo tema percebemos que não era uma coincidência”, disse.

 

A Biblioteca Central ocupa uma área de mais de 16 mil metros quadrados, guardando um acervo de 1,5 milhão de itens. Como a maior parte está disposta em estantes, ao longo de mais de 500 corredores, nem todos os locais têm câmeras.

 

Em nota, o Ministério dos Direitos Humanos lamentou o episódio e ressaltou que a coexistência de ideias e leituras distintas sobre fatos históricos é essencial para a construção de uma sociedade plural, pacífica e tolerante.

 

“Rasgar obras literárias que veiculam narrativas sobre as conquistas em direitos humanos é, em última análise, impedir a formação de uma visão crítica e democrática do mundo que nos cerca”, destacou o ministro Gustavo Rocha.

 

Fonte: Agência Brasil

Após ser aprovado no concurso público para professor da rede estadual do Rio de Janeiro, João Carlos Carreira Alves foi barrado no exame médico. “O médico alegou a surdez em si, que isso seria um impeditivo para eu exercer o magistério”, conta. Ele recorreu e acabou conseguindo assumir a vaga.

 

Ensinou geografia a estudantes surdos por quatro anos. “Um cego passou pelo mesmo problema. Mas ele recorreu ao judiciário e consegui ser contratado. Eu não tinha consciência nem que tinha o direito de ter direito”.

 

Isso ocorreu em 1978. De lá para cá, segundo Alves, muita coisa mudou, mas ainda há barreiras a serem superadas para ampliar a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Essa é uma das bandeiras lembrada hoje (21), no Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência.

 

“No geral, a situação melhorou. Mas há muita gente esperta. Porém, são espertezas dentro da lei. Por exemplo, muitos surdos são contratados por somente quatro horas, que é o mínimo exigido por lei para contratação com carteira assinada”, explica.

 

Hoje, aos 63 anos, Alves trabalha como analista de tecnologia da informação. O que viveu aos 24 anos o marcou tanto que ele criou Comissão de Luta pelos Direitos do Deficiente Auditivo. “No quesito acessibilidade, a situação melhorou, mas falta atender os surdos que não falam e usam a língua de sinais”, diz.

 

De acordo com o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Brasil são mais de 45 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência. Sendo assim, essa data representa quase um quarto da população brasileira, cerca de 24%. Em 1991, a Lei de Cotas, Lei 8.213, passou reservar cargos em empresas para pessoas com deficiência.  

 

Mercado de trabalho

 

Dados do Ministério do Trabalho e Previdência Social de 2016 indicam que, caso as empresas seguissem a lei, pelo menos 827 mil postos de trabalho estariam disponíveis para essas pessoas, que são mais de 7 milhões de cidadãos que se enquadram nas exigências da legislação. Entretanto, apenas 381.322 vagas foram criadas.

 

“Muitas empresas preferem pagar multa do que ter pessoas com deficiência. Falta de vontade, elas estão presas ao que é cômodo. Para que vou contratar um cadeirante, se vou ter que me adaptar e não sei se ele vai responder com produtividade”, diz o analista de sistemas

 

Leonardo Knittel, 37 anos.

Com duas formações, em análise de sistemas e em relações internacionais, Knittel tem baixa visão. “Sempre as primeiras vagas que surgem são de qualificação muito baixa. É difícil. Quanto mais se tem qualificação, mais difícil achar emprego. “Eu me orgulho muito quando ouço que eu preencher uma cota é favor que estou fazendo, porque entrego produtividade e ainda ajudo a empresa a cumprir uma obrigação legal”.

 

Direitos descumpridos

 

Para a criadora e superintendente do Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiência (IBDD), Teresa Costa d’Amaral, o Brasil tem muita legislação para pessoa com deficiência, mas ela não é cumprida na íntegra. “Emprego e igualdade de condições ainda são questões muito difíceis, empresas ainda não acreditam na competência da pessoa com deficiência. Temos legislação de cotas, mas essa legislação não é fiscalizada”, diz.

 

Segundo Teresa, o grande entrave é o preconceito. “A pessoa com deficiência é vista com olhar negativo. Falta o olhar para aquilo que o empregado oferece de importante e no que pode contribuir para a empresa”.

 

Uma pesquisa feita pelo IBDD e pelo DataSenado mostra que 77% das pessoas com deficiência acreditam que os direitos não são respeitados no país. A pesquisa, feita em 2010, é considerada a mais completa por ter entrevistado diretamente as pessoas com deficiência. Segundo Teresa, ela ainda reflete o cenário atual.  

 

Dia de luta

 

A data de 21 de setembro foi a escolhida para reforçar a importância da discussão de propostas e políticas públicas para integrar essas pessoas na sociedade de forma igualitária. A data foiescolhida porque está próxima do início da primavera, estação conhecida pelo aparecimento das flores e coincide com o Dia da Árvore, datas que representam o renascer das plantas, que simbolizam o sentimento de renovação das reivindicações em prol da cidadania, inclusão e participação plena na sociedade.

 

Fonte: Agência Brasil

A Confederação Geral do Trabalho (CGT) anunciou que vai parar a Argentina nesta segunda-feira (25), em reação à política econômica adotada pelo governo.  É a terceira greve geral  em dois anos e meio da gestão do presidente Mauricio Macri.

A paralisação atinge o transporte publico, os postos de gasolina e os bancos. Movimentos sociais de esquerda cortarão as principais vias de acesso à capital, Buenos Aires. Amanhã (26), os argentinos enfrentam outro desafio: derrotar a seleção da Nigéria, no jogo na Rússia. Sem essa vitória, o país ficará fora da Copa do Mundo de Futebol.

Às vésperas das paritárias, as negociações entre sindicatos e empresários, as centrais sindicais tomam a paralisação como demonstração de força. Paralelamente, a paralisação ocorre cinco dias após o primeiro desembolso dos US$ 50 bilhões que o Fundo Monetário Internacional (FMI) colocou à disposição do governo argentino.

A medida vale pelos próximos 36 meses e tem o objetivo de ajudar o país a superar a crise cambial e colocar as contas em ordem. Em troca do empréstimo, o governo se comprometeu a reduzir os gastos públicos e a inflação, que este ano deve chegar a quase 30%.

Centrais sindicais prometem uma paralisação de 24 horas, que ganhou o nome de reação ao “brutal ajuste econômico” imposto pelo FMI.  Para alguns setores da economia, o momento atual é comparado à crise de 2001, apontada como a pior da história recente da Argentina.

Reivindicações

Os diferentes sindicatos têm pauta comum: reajuste de salários para combater a elevação do custo de vida, que em 2017 chegou a 25%. Também reivindicam garantias para evitar  demissões.

Por sua vez, o governo anunciou que vai reduzir o tamanho do Estado e o programa de obras públicas – que esperava usar para reativar a economia e gerar empregos. O ministro da Fazenda, Nicolas Dujovne, disse que o crescimento econômico será menor e a inflação será maior do que o esperado. Segundo ele, o acordo com o FMI impediu o agravamento da crise.

 Desde dezembro, o peso argentino perdeu metade de seu valor. Segundo o presidente do Banco Central argentino, Luis Caputo, a desvalorização terá um custo no curto prazo.  “Foi o melhor que pode ter acontecido”, resumiu Caputo, informando que a medida obrigou a Argentina a buscar o apoio do FMI e estabilizar a economia.

 Pressão

 O ministro do Trabalho, Jorge Triaca, afirmou que a greve geral “não serve para coisa alguma, porque não vai resolver os problemas dos argentinos”. Segundo ele, o objetivo da gestão Macri é manter o diálogo com as centrais sindicais. O sindicato dos caminhoneiros ameaçou parar o país e voltou atrás, após conseguir aumento de 25%. Mas outras categorias não obtiveram o mesmo.

 A Igreja Católica também divulgou um documento, apelando ao governo para não adotar políticas de ajuste que aumentem a desigualdade. Em nome do papa Francisco, que é argentino, religiosos apelaram para que o interesse social se sobreponha ao econômico.

O governo  e o próprio FMI têm ressaltado que o atual programa vai garantir a manutenção dos programas sociais, para proteger os “mais vulneráveis"

Fonte: Agência Brasil

 

 

Mais Artigos...