Categorias

O percentual de pessoas obesas em idade adulta no país mais do que dobrou em 17 anos, indo de 12,2%, entre 2002 e 2003, para 26,8%, em 2019. No mesmo período, a proporção da população adulta com excesso de peso passou de 43,3% para 61,7%, representando quase dois terços dos brasileiros. Os dados são do segundo volume da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2019, divulgada hoje (21) pelo IBGE, e que é uma parceria com o Ministério da Saúde.

A comparação foi feita com as edições 2002-2003 e 2008-2009 da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) e com edição anterior da PNS, em 2013, para as pessoas com 20 anos ou mais de idade. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a avaliação antropométrica nutricional de adultos deve ser feita a partir da relação entre peso e altura. Para a OMS, quem tem o Índice de Massa Corporal (IMC) abaixo de 18,5 kg/m² pode ser classificado com déficit de peso. Já os que têm o IMC igual ou acima de 25kg/m² podem ter excesso de peso e, igual ou acima de 30 kg/m², obesidade.

Segundo a técnica do IBGE Flávia Vinhaes, os dados da PNS retratam o avanço do excesso de peso e da obesidade na população brasileira nos últimos anos. “O percentual tanto da obesidade quanto do excesso do peso vem subindo. Em ambos os sexos, o excesso de peso avançou e a obesidade mais que dobrou”, diz a pesquisadora.

Considerando o grupo com 18 anos ou mais, 25,9% estavam obesos em 2019, o que representa 41,2 milhões de pessoas. Cerca de 96 milhões de pessoas, ou 60,3% da população nesse grupo etário, estavam com excesso de peso. “A obesidade é um subgrupo do excesso de peso, então as pessoas obesas também estão inclusas no grupo que está com excesso de peso”, explica Flávia.

O estudo também investigou as medidas antropométricas de adolescentes entre 15 e 17 anos que foram selecionados em uma subamostra dos domicílios da pesquisa. O percentual de excesso de peso para os adolescentes desse grupo foi de 19,4%, o que representa 1,8 milhão de pessoas. A prevalência foi maior entre adolescentes do sexo feminino (22,9%) do que no masculino (16%). Em relação à obesidade, o percentual ficou em 6,7%, sendo 8% para o sexo feminino, e 5,4% no sexo masculino.

Cerca de 7,4 milhões de pessoas (33,7%) de 18 a 24 anos estavam com excesso de peso em 2019. Já quando se observa o grupo da faixa de idade entre 40 e 59 anos, essa prevalência sobe para 70,3%, o que representa 39,5 milhões de pessoas.

“Com o avanço dos grupos de idade, a prevalência vai aumentando, mas ela diminui na faixa de idade de 60 anos ou mais. Isso para ambos os sexos. A gente observa que as mulheres têm mais prevalência que os homens em excesso de peso, exceto na faixa de 25 a 39 anos, em que os homens têm o percentual mais elevado”, diz a pesquisadora. Em 2019, a obesidade atingia 29,5% das mulheres e 21,8% dos homens, enquanto o sobrepeso afetava 62,6% das mulheres e 57,5% dos homens.

A técnica destaca que a obesidade cresce conforme o avanço das faixas de idade, exceto no grupo de pessoas com 60 anos ou mais. “Em relação à obesidade, a gente observa esse mesmo movimento, à medida que a idade vai avançando, a prevalência aumenta. Na faixa de idade de 60 ou mais, o percentual recua. Observamos também que as mulheres têm maior prevalência de obesidade que os homens em todos os grupos de idade”, completa.

 A pesquisa também analisou o déficit de peso na população brasileira. O déficit de peso no grupo de pessoas com 18 anos ou mais foi de 1,6% em 2019. “A interpretação de déficit de peso é que abaixo de 5% seriam características normais de uma população. Se tivermos um percentual abaixo disso, não é caracterizado como déficit, mas como característica de pessoas que têm o biotipo magro”, explica a pesquisadora.

A prevalência de déficit de peso foi maior entre os homens em quase todos os grupos de idade, exceto entre as pessoas de 60 anos ou mais. O percentual de déficit de peso das mulheres desse grupo ficou em 2,9%, enquanto o dos homens foi de 2,2%.

Atenção Primária à Saúde é avaliada com nota 5,9

Pela primeira vez, a PNS abordou o tema Atenção Primária à Saúde (APS). O público-alvo do estudo foram moradores com 18 anos ou mais que tiveram pelo menos dois atendimentos com o mesmo médico em Unidades Básicas de Saúde (UBS) ou Unidades de Saúde da Família (USF). As respostas deles a um questionário foram usadas para calcular o Escore Geral da APS, que varia de 0 a 10. No Brasil, o escore obtido foi de 5,9.

“Sempre que o escore médio é acima de 6,6, ou seja, dois terços de 10, você diz que aquele serviço tem uma orientação para ser de qualidade. É um ponto de corte. Se você tem um valor abaixo disso, não quer dizer que você está muito distante dessa qualidade. Com 5,9, eu diria que o Brasil está em uma trajetória de qualidade para esse público-alvo”, explica o professor associado da Faculdade de Medicina da UFRJ, Luiz Felipe Pinto, que foi consultor da pesquisa.

O estudo também investigou características como sexo, grupos de idade, cor ou raça e estado conjugal dos usuários de Atenção Primária à Saúde. Das pessoas que utilizaram alguns dos serviços da APS nos últimos seis meses que antecederam a entrevista, 69,9% eram mulheres, 60,9% eram pretas ou pardas, 65% tinham cônjuges e 35,8% estavam entre 40 e 59 anos.

De acordo com o diretor substituto do Departamento de Saúde da Família, da Secretaria de Atenção Primária à Saúde, Alexandre Fortes, os motivos que levaram ao aumento da prevalência de obesidade e excesso de peso na população brasileira podem ser compreendidos a partir dos dados que serão divulgados no próximo volume da PNS. “A parte de antropometria nos mostrou que há uma grande parcela da população aquém do desejado. Os índices alarmaram um pouco e os motivos da obesidade podem ser vários. Com o módulo de hábitos de saúde, que, de certa forma, é correlacionado com os hábitos alimentares, vamos ter dados para nos fazer entender por que os dados da antropometria terem sido como foram”, afirma.

O professor da USP Wolney Conde, que foi consultor da pesquisa, afirma que o avanço da obesidade no país é preocupante e que mudanças devem ser feitas no combate à doença. “De maneira geral, se a gente separar os determinantes da obesidade no Brasil e de outros países, em determinantes individuais e sociais, de maneira mais ampla, a gente vai ver que boa parte das ações de prevenção, de combate à obesidade, tem se concentrado naqueles determinantes individuais. É importante que a gente tenha uma mudança enfática em relação a isso. Sem um combate mais centrado em determinantes sociais do crescimento da obesidade, dificilmente vamos conseguir muito sucesso”, analisa.

“As causas individuais são aquelas que o indivíduo tem que eleger para sua saúde: se ele pratica atividade física, se ele se cuida, o que ele escolher comer, entre outras. Já as causas sociais são as condições de sobrevida, são a renda, tempo de lazer, as condições de mercado que ele enfrenta para fazer essas opções individuais. Então basicamente quando a gente centra nossas campanhas de prevenção em aspectos individuais, a gente está incentivando e empoderando o indivíduo, mas atuando pouco, de maneira geral, nas causas estruturais”, completa o professor.

Fonte: Agência IBGE

 

Segundo o ministério, o processo de aquisição ocorreria somente após o imunizante ser aprovado e obter o registro junto à Anvisa.

 

O presidente Jair Bolsonaro afirmou hoje (21) que o governo federal não comprará a vacina CoronaVac, que está sendo desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan. De acordo com ele, antes de ser disponibilizada para a população, a vacina deverá ser “comprovada cientificamente” pelo Ministério da Saúde e certificada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

 

“O povo brasileiro não será cobaia de ninguém. Não se justifica um bilionário aporte financeiro num medicamento que sequer ultrapassou sua fase de testagem”, escreveu Bolsonaro em publicação nas redes sociais.

 

Ontem (21), após reunião virtual com governadores, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, assinou um protocolo de intenções para adquirir 46 milhões de doses da CoronaVac, com o objetivo de ampliar a oferta de vacinação para os brasileiros. O ministério já tinha acordo com a AstraZeneca/Oxford, que previa 100 milhões de doses da vacina, e outro acordo com a iniciativa Covax, da Organização Mundial da Saúde, com mais 40 milhões de doses.

 

Segundo o ministério, o processo de aquisição ocorreria somente após o imunizante ser aprovado e obter o registro junto à Anvisa. Para auxiliar na produção da vacina, a pasta já havia anunciado o investimento de R$ 80 milhões para ampliação da estrutura do Butantan.

 

A CoronaVac já está na Fase 3 de testes em humanos e, segundo Instituto Butantan, ela é uma vacina segura, ou seja, não apresenta efeitos colaterais graves. Ao todo, os testes serão realizados em 13 mil voluntários e a expectativa é que sejam finalizados até dezembro.

 

Caso a última etapa de testes comprove a eficácia da vacina, ou seja, comprove que ela realmente protege contra o novo coronavírus, o acordo entre a Sinovac e o Butantan prevê a transferência de tecnologia para produção do imunizante no Brasil. A CoronaVac prevê a administração de duas doses por pessoa.

 

Fonte: Agência Brasil

 

Será realizada no Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo, de 10 a 14 de novembro, a 16ª Mostra Internacional do Cinema Negro.

Nesta edição, a Mostra homenageará José Flores de Jesus, o Zé Kety, sambista, cantor e compositor.

Serão homenageados também personalidades como: José Carlos Bule - Diretor de Cinema, Grande Otelo – Ator, Ruth de Souza – Atriz e Anselmo Duarte - Ator e Diretor.

A 16ª Mostra Internacional do Cinema Negro destaca, nesta edição de 2020, o Dr. Wilson Rosália- Secretário Geral da Fundação Roberto Marinho, Dra. Luiza Helena Trajano - Conselho Gestor do Magazine Luiza e o Curso de Cinema da Faculdade de Audiovisual da Universidade Federal do Pará – UFPA.

 

https://www.youtube.com/watch?v=ZFZ19exx3v4&feature=youtu.be

 

 

http://www.sintratel.org.br/site/index.php/multimidia/videos-sintratel/3142-16-mostra-internacional-do-cinema-negro

Cesta básica sobe 20% e diretor do Ministério da Agricultura põe a culpa na alta do consumo

 

Em setembro o preço da cesta básica subiu quase 20% nacionalmente em comparação com os 12 meses anteriores e até 10% em relação a agosto em algumas capitais como Florianópolis, segundo pesquisa do Departamento Intersindical de Economia e Estatística (Dieese), divulgada em outubro.

Ao ser procurado pelo Brasil de Fato, na quarta-feira (14), para comentar a alta, o diretor do Departamento de Comercialização e Abastecimento, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Silvio Farnese, disse que a inflação dos alimentos ocorreu por conta do aumento do consumo, impulsionado pelo auxílio emergencial. “A primeira coisa que foram (a população) fazer foi gastar com a alimentação.” Segundo ele, “comida no Brasil ainda não é cara”, apesar de a cesta básica já custar meio salário mínimo.

Ao contrário, Farnese disse que ela pode aumentar ainda mais.

Para comentar as declarações do diretor do Ministério da Agricultura, o Brasil de Fato conversou com dois ex-presidentes do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea, extinto pelo governo de Jair Bolsonaro), Elisabetta Recine e Renato Maluf. Confira:

Quais os impactos da alta do preço das alimentos?

Farnese (Mapa): Comida no Brasil ainda não é cara. Apesar desse momento todo, isso é um pico fora da curva. Depende do nível de produção. Se cair, você vai pagar o saco de arroz a R$ 30. Nós queremos fazer uma estrutura produtiva para que não haja problema de abastecimento.

Recine: Quanto menor o orçamento da família, proporcionalmente, se destina mais recursos para a alimentação. As famílias tentam maximizar ao máximo os recursos. Mas existe um limite, caso contrário entra em um estado de privação total.

Maluf: O arroz e feijão têm um peso maior (na alimentação), então a perversa combinação que nós temos hoje é fome aumentando e famílias dependendo muito (desse) consumo em um contexto de aumento de preços.

“Essas famílias têm a composição da sua alimentação reduzida. O arroz e feijão têm um peso maior (Maluf)”

O que motivou alta dos alimentos?

Farnese (Mapa): Uma corrida para estocagem (com a pandemia). Esse auxílio (emergencial, inicialmente em parcelas mensais de R$ 600,00) trouxe várias pessoas que tinham dificuldade com a receita, e a primeira coisa que elas foram fazer foi gastar com a alimentação.

Recine: As pessoas, no início da pandemia, fizeram estoque no nível do varejo e imediato, não foi algo que se prolongou.

Maluf: O processo de comprometimento da oferta de arroz e feijão vem de algum tempo. Tem a ver com a substituição de áreas de cultivo por soja e aumento dos preços internacionais de produtos. Com a redução da área plantada (…) isso é um prato cheio para a inflação.

“Se qualquer oscilação faz com que a gente tenha uma alta nos preços, isso mostra que o Brasil não tem capacidade de regular preços, porque não tem estoques regulares (Recine)”

Qual o papel do governo na regulagem dos preços dos alimentos?

Farnese (Mapa): Para nosso olhar aqui, segurança alimentar é produção. Não tá faltando produto no mercado, pode estar com preço alto. Está garantido [sic] essa questão do abastecimento. Essa é a tônica do governo.

Recine: O Mapa (Ministério da Agricultura) deveria ser um ator absolutamente fundamental para garantir a disponibilidade de alimentos adequados e saudáveis para a população brasileira e não apenas para exportação.

Maluf: O Brasil produziu cada vez mais e a fome não desapareceu. Esse modelo de produção não é suficiente para impedir a insegurança alimentar e a fome.

O que ele deveria explicar é porque o Ministério da Agricultura não foi capaz de atuar em algo que já se sabia. Desde o início do ano, já estava previsto que haveria problemas nesta área (Maluf)

Abastecimento interno x exportação

Farnese (Mapa): Nosso foco no ministério é fazer o crescimento da exportação e sobretudo da produtividade.

Recine: Essa é uma das raízes do por que a gente está passando fome hoje no Brasil e no mundo: a agricultura não se vê mais como uma produtora de alimentos, mas como uma produtora de itens de exportação.

Maluf: Regulação privada (do abastecimento) quer dizer isso: “soja tá dando mais, eu paro de produzir arroz e vou produzir soja. Ah, mas e o mercado doméstico? Dane-se”, não tem ninguém que fala nada o contrário. É inaceitável.

“A agricultura não se vê mais como uma produtora de alimentos, mas como uma produtora de itens de exportação (Recine)”

Por que o Brasil não tem estoques públicos de alimentos?

Farnese (Mapa): “Nenhum país do mundo, fora a China, tem estoque. É uma coisa muito cara. O governo tem amarras legais imensas para poder administrar isso e não tem orçamento. Não temos legislação que permita a formação de estoque. Não formamos”.

Recine: “O Brasil já teve estoque. O governo e o Congresso Nacional existem justamente para definir políticas públicas e aprovar leis que sejam necessárias para que a gente tenha soberania alimentar”.

Maluf: “Não é verdade que só a China tem estoque. O governo faz uma opção pela regulação privada e aposta que funcionamento dos atores privados assegure melhores resultados. A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) deixou de ter uma política de garantia de preços mínimos ativa”.

 

Fonte: Brasil de Fato

ara o economista Pedro Fernando Nery, em artigo publicado no Estadão nesta terça, 20, o fim do auxílio vai desencadear uma nova pandemia, a pandemia da pobreza e da desigualdade. Isso porque, segundo ele, “O auxílio segurou os efeitos devastadores que a pandemia poderia ter no sustento das famílias mais pobres: com o seu fim abrupto, parte desses efeitos terão sido meramente adiados”.

 

 

Nery revela que dados do Centro de Estudos da Metrópole, levantados pelo pesquisador Rogério Barbosa indicam que existe “uma taxa de desemprego oculto de quase 40% entre os mais pobres”, contingente que não é captado nas formulações tradicionais porque inclui os trabalhadores que gostariam de um emprego, mas não procuraram um no isolamento. E afirma que “a partir de 1.º de janeiro, uma multidão sem renda deve passar a procurar ativamente emprego, o que pode provocar uma alta expressiva nos números oficiais de desocupação”.

 

Com isso, a expectativa é que “em 2021, um terço dos brasileiros poderá estar vivendo com menos de meio salário mínimo”.

 

Com base nesses apontamentos, o economista definiu como preocupante a abordagem, que ele chamou de “conformista” expressa pelo ministro Paulo Guedes em live da XP Investimentos, na sexta-feira (16).

 

Guedes teria dito que “é melhor voltar ao Bolsa Família do que fazer um movimento louco e insustentável”.Ele expõe seu raciocínio através do cálculo: “Vejamos: uma mãe com renda de R$ 300 por mês vivendo com um filho recebeu R$ 1.200 por mês no auxílio emergencial. No Bolsa Família, seriam R$ 41 mensais. Se a renda dela fosse um pouco maior, de R$ 400, o valor recebido no Bolsa seria zero: a família não seria pobre o suficiente para receber qualquer valor. Frise-se que para receber o auxílio emergencial essa família de duas pessoas poderia ter renda de até R$ 1.000”. Chamando a atenção para o fato de que o Bolsa Família não acompanha a inflação a alguns anos. E conclui afirmando que “Há ainda um conjunto de propostas no Congresso com interpretações menos conservadoras sobre o teto de gastos, admitindo a possibilidade de que a despesa com um programa como o Bolsa Família possa ultrapassar o teto – compensado por ganhos de arrecadação sobre os mais ricos”.

 

Fonte: Rádio Peão Brasil

Ex-presidente da CNTI e da CGT na década de 60, Clodsmidt Riani coleciona mais uma conquista após driblar o coronavírus

 

Clodsmidt Riani nasceu no dia 15 de outubro de 1920, em Rio Casca, na Zona da Mata de Minas. Portanto, no último dia 15 ele completou 100 anos de muitas lutas como sindicalista e, recentemente, contra o coronavírus, superado em setembro após ser internado num hospital de Juiz de Fora. Filho de Orlando e Maria, ele herdou do pai, um ferroviário da Leopoldina Railway Company, a disposição de luta e a consciência sobre as injustiças sociais e a importância de estar ao lado da classe trabalhadora.

Pai de dez filhos com Norma Geralda Riani, depois de passar dez dias internado no hospital da Unimed em Juiz de Fora, por causa de uma contaminação da COVID-19 e uma infecção pulmonar bacteriana, o sindicalista recebeu alta no dia 31 de setembro, quando deixou a unidade hospitalar sem precisar de atendimento de UTI, apesar da idade.

“A vida de luta do pai é como a de um guerreiro. É uma lição de vida. Um homem que ficou preso de 1964 até 1971, sempre lutou pelos direitos, chegou aqui e enfrentou uma pneumonia e a Covid-19 e venceu”, disse o filho Orlandsmit Riani na ocasião ao portal Estado de Minas.

O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é Riani-Unimed-Covid.jpg
Riani foi aplaudido pelo pessoal da área médica ao deixar o hospital no dia 31 de setembro

Depois de uma carreira sindicalista e política iniciada em Juiz de Fora que culminou com sua eleição para o Comando Geral dos Trabalhadores (CGT) e longos anos de prisão durante a ditadura, Riani foi eleito vice-presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Indústria (CNTI), em 1960, na chapa encabeçada por Deocleciano de Holanda Cavalcanti, durante o III Congresso Nacional dos Trabalhadores, realizado no Rio de Janeiro em agosto daquele ano. Ele defendeu, então a criação do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT), que reuniria todos os sindicatos brasileiros. No segundo dia dos trabalhos Deocleciano Cavalcanti e grande parte da mesa diretora, que se opunham à ideia, retiraram-se da reunião, dando o congresso por encerrado. Mas, com Riani na presidência, o plenário aprovou a formação do CGT.

Rica biografia

O Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil, da Fundação Getúlio Vargas elaborou uma minuciosa biografia de Clodsmidt Riani que vale ser conferida no pé deste texto. Em 1961, ele assumiu a presidência do diretório do PTB em Juiz de Fora. Como deputado estadual pelo partido, ajudou na preparação do Iº Congresso Nacional Camponês, realizado em Belo Horizonte, e convenceu o então presidente João Goulart, de quem era aliado, a presidir a sessão solene de abertura ao lado do primeiro-ministro Tancredo Neves.

Eleito presidente da CNTI em dezembro de 1961, Riani representou os trabalhadores brasileiros na conferência da OIT, em Genebra, Suíça, onde apoiou os delegados dos países africanos, que abandonaram a reunião em protesto contra a política do  apartheid praticada pela África do Sul.

Já como vice-presidente do CGT, criado em agosto de 1962, Riani empenhou-se juntamente com o presidente da entidade, Dante Pellacani, na imediata concretização do programa de reformas de base, lançando mão de diversas formas de mobilização, particularmente a greve.

Na eleição de outubro de 1962 Riani reelegeu-se deputado estadual, pelo legenda do PTB. Em maio, nas eleições do CGT, assumiu a frente da entidade. Em setembro, o CGT apoiou a revolta de sargentos deflagrada em Brasília e foi acusado pelo ministro da Guerra, general Jair Dantas Ribeiro, de ter sido responsável pelo seu desencadeamento. No mês seguinte, à campanha pelas reformas de base somaram-se as reivindicações pela legalização do CGT e por um aumento de 100% no salário mínimo.

Em novembro de 1963, Riani participou em São Paulo da fundação do Pacto de Ação Conjunta (PAC), congregando quatro federações de trabalhadores na indústria e 80 sindicatos de trabalhadores, representando ao todo 700 mil operários de diversas categorias empenhados na luta.

Eleito adjunto do conselho administrativo do Bureau Internacional do Trabalho (1963-1966) e reeleito presidente da CNTI (1964), assinou o manifesto aos trabalhadores e ao povo em geral convocando para o comício de 13 de março de 1964, no Rio de Janeiro, em frente à estação Dom Pedro II da Estrada de Ferro Central do Brasil, onde foram defendidas a implantação das reformas de base, as liberdades democráticas e sindicais e a extensão do voto aos analfabetos e soldados. O ato reuniu milhares de pessoas e contou, entre os oradores, com líderes políticos, judiciais e estudantes, sendo presidido por João Goulart, em uma de suas últimas manifestações como chefe de governo.

O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é Riani-Jango-na-posse-de-Clodesmidt-Riani-na-presidencia-da-CNTI-em-1962.-Foto-Instituto-Joao-Goulart.jpg
O presidente Jango Goulart participou da posse de Riani à frente da CNTI, em 1962

Diante do movimento civil-militar que em 31 de março de 1964 depôs o presidente constitucional, Riani tentou organizar uma greve geral, tendo sido desaconselhado por João Goulart, sob o argumento que a situação voltaria ao normal “dentro de pouco tempo”. A precária comunicação entre os líderes da CNTI impediu-o de sustar a paralisação, cujo alcance revelou-se medíocre. Dias depois, foi preso em Juiz de Fora e teve seus direitos políticos suspensos por dez anos por força do Ato Institucional nº 1 (AI-1), promulgado no dia 9 de abril de 1964. Em abril de 1964 a CNTI sofreu intervenção federal, sendo entregue a uma junta governativa.

Em setembro de 1965 o Superior Tribunal Militar (STM) concedeu habeas corpus que o autorizou Riani a sair do Batalhão da Polícia Especial do Exército, no então Estado da Guanabara. Transferido para a 4ª Região Militar, em Juiz de Fora, assinou o termo de liberdade, mas foi logo detido ao deixar o foro castrense. De volta ao Rio de Janeiro, submeteu-se a um Inquérito Policial-Militar (IPM) instaurado para apurar irregularidades na CNTI e que o acusava de apropriação indébita de recursos.

Condenação

Enquadrado pela Lei de Segurança Nacional como subversivo, foi condenado em dezembro de 1965 a 17 anos de prisão. Em julho de 1966 teve a pena reduzida para dez anos pelo STM e, dois anos depois, graças a recurso acolhido pelo Supremo Tribunal Federal, para um ano e dois meses. Foi então libertado, pois já estava preso há quatro anos e dois meses, e retornou ao trabalho na Companhia Mineira de Eletricidade.

Contudo, os problemas com a Justiça não haviam terminado, em decorrência do IPM da CNTI, que continuava sob intervenção. Em agosto de 1969 recebeu voz de prisão e, processado em outubro, foi condenado a dois anos de reclusão, sendo levado para o presídio da ilha Grande (RJ). Após cumprir um ano e seis meses da pena foi posto em liberdade por bom comportamento. De volta a Juiz de Fora e à Companhia Mineira de Eletricidade, retomou os estudos, completando o curso técnico de eletrotécnica, em novembro de 1972, no Colégio Estadual Sebastião Patrus de Sousa.

Reassumiu as atividades sindicais em fevereiro de 1979, ao ser eleito vogal do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Energia Hidrelétrica de Juiz de Fora na 1ª Junta de Julgamento e Conciliação da Justiça do Trabalho. Após a anistia, em agosto, filiou-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB).

Em março de 1980 elegeu-se delegado do Sindicato dos Trabalhadores em Energia Hidrelétrica de Juiz de Fora junto ao Conselho de Representantes da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas de Minas Gerais. Em agosto de 1981 participou da I Conferência Nacional da Classe Trabalhadora, realizada em Praia Grande (SP).

Deputado

No pleito de novembro de 1982 elegeu-se deputado estadual pelo PMDB. Empossado em março do ano seguinte, integrou a Comissão de Assuntos Municipais na Assembleia Legislativa (1983-1984). Em maio de 1983 viajou para o Rio de Janeiro, onde participou dos trabalhos do 8º Congresso Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas e, em dezembro de 1984, formou-se em Direito pela Faculdade de Ciências Jurídicas Viana Júnior, de Juiz de Fora.

Candidatou-se à reeleição em outubro de 1986, obtendo uma suplência. Deixou a Assembleia ao término da legislatura, em janeiro de 1987. Afastado da vida pública, dedicou-se à advocacia trabalhista.

Em junho de 1994 a Assembleia Legislativa mineira reconheceu ter agido sob motivação política ao cassar seu mandato, em 1964, e reabilitou-o, assegurando-lhe os direitos previstos pela lei. Em agosto, o XIII Congresso Nacional dos Trabalhadores Urbanitários, realizado em Brasília, nomeou-o presidente de honra da Federação Nacional dos Urbanitários, filiada à Central Única dos Trabalhadores.

Tendo recusado os cargos de assessor presidencial, vogal da Justiça do Trabalho e ministro do Tribunal Superior do Trabalho, nunca manifestou outro interesse senão o de prosseguir na luta trabalhista.

Aloísio Morais é jornalista

Fonte: Vermelho

O Tribunal Superior do Trabalho recebeu 313.837 processos de janeiro a setembro, 19,3% a mais do que em igual período de 2019. As ações julgadas somaram 251.845, crescimento de 8%. Os dados são da edição mais recente do Relatório de Movimentação Processual, divulgado pelo TST.

 

Do total recebido, 276.687 são casos novos. Há ainda 36.590 recursos internos e 560 retornos para nova decisão. Dos julgados, a maioria (152.571) foi em decisões monocráticas (individuais). Os demais 98.914, em sessões.

 

Estoque maior, tempo menor

Já o total de processos pendentes de julgamento aumentou 50,7% em relação ao ano passado. Assim o acervo de ações na principal Corte trabalhista cresceu 16,7%, para 495.252 em setembro.

 

Por sua vez, o tempo médio de julgamento caiu 1,3%, para 234 dias. Esse prazo fica abaixo de uma das metas previstas pelo planejamento estratégico do TST, que é de 320 dias.

 

Principais devedores

Os principais temas dos processos são horas extras (35.295), tomador de serviços/terceirização (29.936), negativa de prestação jurisdicional (29.773), valor da execução/cálculo/correção (25.173) e honorários advocatícios (24.991). Entre os “top 10 litigantes”, os que têm maior número de ações, estão Petrobras (8.064 ações), União (7.395), Banco do Brasil (6.249), Bradesco (5.868), Correios (5.715) e Caixa Econômica Federal (4.621).

 

A lista se completa com Estado do Rio de Janeiro (4.358), Itaú (4.103), Santander (3.276) e Telefônica (3.273). Em relação a dezembro do ano passado, o total de processos trabalhistas envolvendo esses 10 caiu 18,2%.

 

Em relação à origem dos casos novos, a maior parcela vem do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 2ª Região, que abrange a Grande São Paulo e a Baixada Santista: 45.678. Logo depois, está o TRT da 15ª Região, no interior paulista, com 44.582. Em seguida, vêm a 1ª (Rio de Janeiro), com 33.366, e a 3ª (Minas Gerais), com 32.139. O menor número de novas ações – 1.573 – tem como origem a 19ª Região, em Alagoas.

 

Fonte: Rede Brasil Atual

Mais Artigos...