Movimentos

Após 2 anos deflagrado o impeachment que derrubou o governo legitimo da presidente Dilma Rousseff, o saldo atual comprova o verdadeiro intuito do feito.

Marco Opiniao SiteMarco Aurélio Coelho de Oliveira - Presidente do Sintratel“PEC do fim do mundo”, onde congelaram gastos sociais por vinte anos (leia-se: saúde/educação), privatizações dos bens públicos (pré-sal), fim da CLT (reforma trabalhista), aumento do desemprego, ataque à previdência, dentre várias decisões políticas que elucidam o regresso do neoliberalismo - já testado e comprovado ineficiente e nocivo ao povo em diversos cantos do mundo, inclusive aqui.

Por outro lado, denúncias e mais denúncias de corrupção, malas de dinheiro “sem donos”, lucros exorbitantes das instituições financeiras e isenções tributárias para as multinacionais que compraram o pré-sal (estimadas em 40bilhões/ano, apenas neste caso) coroam o cenário dantesco, comprovando que: pior que estava ainda pode ficar.

Diante desta conjuntura, o retrocesso social, econômico e político exige reversão urgente. E as eleições de 2018 serão o momento propício para a tão esperada reação.

Eleicao 4Se empresários elegem quem defende estritamente seus interesses (mesmo corporações não votando), eleger representantes de uma pauta que envolva a revogação das mudanças drásticas geradas pela reforma trabalhista (que apregoou a precarização ao mundo do trabalho) se faz necessário.

Além disso, pontuar a manutenção de uma política de valorização do salário mínimo, de geração de empregos e renda através de um modelo econômico que contrarie o ideário neoliberal reinstalado pós-golpe (onde o lucro a qualquer custo, justifica qualquer opção política em detrimento dos que vivem de sua força de trabalho), acompanhado de uma reforma tributária, que desonere os trabalhadores e trabalhadoras, taxe as grandes fortunas e corrija as injustiças históricas do nosso país, somam com urgência nesta pauta.

Assim, a escolha de candidatos que assumam uma plataforma de governo dos trabalhadores e nos representem de fato é de suma importância, e isso perpassa pela escolha à presidência, valendo também para deputados federais e senadores.

Eleicao 3Os movimentos sociais, incluindo o sindical, e os trabalhadores como um todo, têm a árdua, mas não impossível, tarefa de enfrentar este desafio que está posto.

Ou apoiamos e elegemos candidaturas que possamos contar nos embates que se colocam no Congresso, ou o retrocesso imposto pelas bancadas do chamado BBB (Boi/Bala/Bíblia), irão impor, ainda mais, sua pauta conservadora ao nosso cotidiano, dos nossos familiares e amigos.

Nesse momento tão tênue, mobilização e organização são peças chaves, pois apenas três meses nos separam do primeiro turno das eleições, em outubro.

 

A DISPUTA PRESIDENCIAL É MAIS IMPORTANTE QUE NUNCA

Quanto ao pleito à presidência, não podemos ignorar sua relevância no processo, nem mesmo ignorar a plataforma que defendem estes postulantes a cadeira presidenciável.

Eleicao 2Alguns já se manifestaram contrários à reforma trabalhista, defendendo sua revogação.

E é com esses que devemos ir!

Todavia, a falta de Unidade por uma candidatura em torno de um nome no campo da esquerda ameaça a ala progressista e os sonhos de retomar o processo democrático em nosso país. Caso isso persista, as chances de incorrer no erro de sequer nos gabaritar a disputar o segundo turno é grande.

Principalmente num cenário em que a extrema direita vem capitaneando os números das pesquisas, através do ícone fascista, Bolsonaro, marcado por suas opiniões contraditórias de cunho machista e homofóbicas em pleno século XXI.

A Unidade é, portanto, não apenas mais um, mas o mais importante elemento para por fim neste momento de controle e repressão que estamos submetidos.

Sem Unidade dificilmente esse campo disputará o pleito de igual para igual com as demais linhas partidárias, em grande parte patronal, patrocinadoras do impeachment e alinhadas com o atual governo golpista e sua política de retrocessos.

O pluralismo de candidaturas de esquerda, que apesar de alcançarem baixo número nas intenções de votos nas pesquisas de opinião pública, acabam sendo de enorme importância, já que engrossam e dão ressonância à discussões de temas que são caros a população.

Pois elucidam um prisma progressista, que muitas vezes não teriam espaço na grande mídia, ao denunciar o desmonte do Estado, as mazelas da reforma trabalhista, o déficit das moradias, o recente problema do aumento nos combustíveis, enfim, igualdade nas oportunidades e combate aos privilégios.

Mas se a candidatura de Lula tornar-se inviável, o que é o mais provável hoje, e ultrapassado o período de propagandear estas ideias, serão necessárias doses de humildade e sensatez, que visem a união da esquerda em torno de um bloco, que tenha força para ganhar o apoio dos trabalhadores, arregimentar o maior número de eleitores e nos faça obter êxito nas eleições.

Eleicao 6Estima-se que com tantos candidatos no páreo e sem um preferido popular, quem alcançar entre 15 e 20 pontos porcentuais carrega chances reais de disputar o 2º Turno. Daqui até outubro muito pode acontecer, inclusive a união de candidaturas que agora nos parecem improváveis. Inclusive em torno da candidatura de Ciro Gomes, nome que mais agrega pontos e com chances reais de disputar o pleito.

Sem Lula, Ciro tem crescido nas pesquisas e é quem vai mostrando que pode concretamente nos colocar na disputa, tornando-se uma estratégia de vitória para 2018, pois é o candidato que herda a maior parcela do eleitorado lulista —15% no cenário mais favorável medido pelo Datafolha em abril.

Além de Ciro, a esquerda tem representantes de sua causa que vem dando conta do recado ao denunciar a agenda neoliberal e os ataques à democracia neste período.  Manuela D’Avila (PC do B), Guilherme Boulos (PSOL) e Aldo Rebelo tem cumprido, e muito bem, este papel. 

O PT, por sua vez, não apresenta um nome para substituir Lula, e acaba criando uma estratégia muito mais ao umbigo do que de projeto para o país. Todavia não podemos ficar reféns desta situação anacrônica. Pois mesmo que lá na frente lance um nome, não provavelmente, este, poderá crescer e embalar.

Outro fator que deve ser levado em conta por quem deseja vencer o pleito é conseguir dialogar com as inúmeras pessoas que estão abdicando do direito de escolher (seja por falta de representatividade, ou por descrença política), votando em branco, nulo ou que ainda sequer sabem em quem votar.

Eleicao 5Já que o percentual somado dessas categorias de “não voto” alcança de 36% a 40% nas pesquisas.

De toda forma os dados foram lançados, e esse debate é de grande importância para o nosso futuro. Dos momentos de retrocesso e entreguismo* que o Brasil vive, exige que todos nós falemos de política, tomemos posição e participemos das campanhas.

Caso contrário, estaremos entregues a sorte, mas não será ela quem definirá os rumos do país. Afinal, a história recente nos ensinou, nenhuma passeata termina espontânea aos olhos da mídia, nenhum grupo apartidário é apolítico.

Por fim, citemos as sábias palavras de Brecht, que pode nos ajudar a refletir neste momento tão contraditório:

“Que continuemos a nos omitir da política é tudo o que os malfeitores da vida pública mais querem.” ― Bertolt Brecht.

PS*Entreguismo, também chamado, no Brasil, de cosmopolitismo,[1] em sentido estrito, é o preceito, mentalidade ou prática político-ideológica de entregar recursos naturais de uma nação para exploração por entidades, empresas etc. de outro país e de capital internacional[2][3] É um dos instrumentos de auto-reprodução de uma sociedade de elite,[4] e de manutenção da acumulação entravada[5]

Modernamente o entreguismo consiste na desnacionalização sistemática da indústria, especialmente de setores considerados por determinados segmentos ideológicos e políticos como setores-chave da indústria de produção, mediante a transferência de seu controle para capitais estrangeiros. A posterior remessa de lucros decorrente dessa entrega se constitui numa das parcelas da expatriação do excedente econômico de um país, e a delegação do controle administrativo dos setores estratégicos da economia de um país a empresas multinacionais impede o surgimento de forças internas que eliminem os entraves ao seu desenvolvimento, e que alterem a reprodução do status quo.

 

 

 

 

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