Categorias

De acordo com reportagem da jornalista Idiana Tomazelli, para o jornal O Estado SP, a crise causada pela covid-19 reduziu oferta de vagas para esse público, que inclui o ‘grupo de risco’ para a doença, e levou a demissões

 

A covid-19 tornou o mercado de trabalho ainda mais avesso a trabalhadores acima de 50 anos, parcela que inclui o “grupo de risco” para a doença. Se antes da pandemia esse grupo já tinha dificuldades para se colocar profissionalmente – apesar de as empresas estarem começando a se abrir para essa mão de obra mais experiente, como mostrou o Estadão recentemente -, a crise reduziu a oferta de vagas para esse público e levou a demissões de quem ainda mantinha o emprego. Mesmo com a recente recuperação da economia, o quadro ainda não se normalizou para os mais experientes.

 

Em setembro de 2020, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) – que retrata o mercado formal de trabalho -, as admissões somaram 1,379 milhão e ficaram muito próximas da média observada para o mês entre 2012 e 2019 (1,4 milhão). Mas o comportamento é distinto entre as faixas etárias. Enquanto as contratações de jovens abaixo de 25 anos até superaram levemente a média, as vagas para os mais velhos não estão abrindo no mesmo ritmo. As admissões de pessoas com mais de 60 anos estão em torno de 70% da média para meses de setembro, considerando o período entre 2012 e 2019.

 

Nas demissões, ocorre o inverso. Embora o Caged costume ter saldos sempre negativos para as faixas etárias mais avançadas por conta da saída para a informalidade ou a aposentadoria, os desligamentos dos mais velhos estão voltando mais rapidamente à tendência histórica do que as dispensas de mais jovens, que estão bem abaixo da média observada para setembro nos últimos anos.

 

A plataforma Maturi, que atua como intermediadora entre empresas e profissionais de 50 anos ou mais, registrou uma queda de 80% na busca por trabalhadores em março e abril, no auge da pandemia. Em agosto e setembro, a procura aumentou 30% em relação a abril, e em outubro, a alta chegou a 60% na comparação com o momento mais crítico.

 

Mesmo assim, as buscas ainda estão 30% abaixo do registrado em igual período de 2019, conta o CEO da Maturi, Mórris Litvak. A empresa também passou a ser mais procurada para conduzir demissões.

 

“O preconceito com os mais velhos acabou se intensificando na pandemia. É algo que já existia bem forte no mercado de trabalho, e agora tem essa ‘desculpa’ de as pessoas serem teoricamente grupo de risco – e eu digo teoricamente porque não é todo mundo que tem 50, 60 anos que é grupo de risco. Muito mais que a idade, depende da condição de saúde”, afirma.

 

Em maio, a plataforma fez uma pesquisa com 4.052 usuários e descobriu que 39,2% consideram que a denominação “grupo de risco” resultou em maior preconceito na busca por uma vaga.

 

Em Brasília, uma menina de 13 anos escreveu uma carta a empresas de limpeza urbana pedindo emprego para o pai, de 63 anos, que está desempregado. O caso foi noticiado pelo portal de notícias Metrópoles. Uma das companhias, a Sustentare, respondeu ao veículo que o trabalhador já havia integrado o quadro de funcionários da empresa, mas que, por causa da pandemia, foi necessário demiti-lo. Ela também informou ao Metrópoles que “a recontratação de pessoas do grupo de risco vai ocorrer após a aprovação da vacina contra a covid-19”.

 

Procurada novamente pelo Estadão, a Sustentare modulou o discurso. “A empresa recebe normalmente os currículos de todos aqueles que pretendem uma posição na empresa e, no momento oportuno, as contratações serão feitas conforme a necessidade operacional”, disse em nota.

 

Em setembro, o Ministério Público do Trabalho (MPT) emitiu uma nota técnica ressaltando a importância de garantir igualdade de oportunidades e alertando que a dispensa discriminatória, inclusive por idade, é vedada por convenção da Organização Internacional do Trabalho (OIT) ratificada pelo governo brasileiro. O órgão não tem números consolidados sobre o tema dos idosos na pandemia.

 

Redução no nível de ocupação

O economista Bruno Ottoni, pesquisador da Fundação Getulio Vargas (FGV) e do IDados, observa que a população com 60 anos ou mais é o segundo grupo mais afetado pela pandemia, atrás apenas dos jovens com menos de 24 anos. O nível de ocupação, medida que considera a população empregada em relação ao número de pessoas em idade ativa na faixa etária, caiu 11,2% para pessoas de 60 a 64 anos no segundo trimestre do ano ante igual período de 2019. Para pessoas de 65 anos ou mais, o tombo foi de 15,4%, segundo dados do IBGE.

 

“Tem risco para a empresa e para a pessoa. A empresa não quer contratar um indivíduo que pode pegar a doença, ir parar no hospital. E a empresa também tem riscos, pensando de uma forma mais fria e calculista. Você contrata uma pessoa, tem todo o custo de procurar, encontrar a pessoa certa, e essa pessoa fica doente e sai”, explica Ottoni.

 

No ano passado, o governo tentou criar um incentivo à contratação de trabalhadores com mais de 55 anos por meio do Emprego Verde Amarelo. A ideia era reduzir encargos sobre o salário desse profissional, enquanto o trabalhador também abriria mão de alguns direitos – o FGTS, por exemplo, seria menor. A medida acabou não vingando porque a equipe econômica não teve dinheiro para bancar as renúncias necessárias para a inclusão do grupo mais velho e priorizou o incentivo à contratação de jovens até 29 anos. No fim, o texto perdeu validade sem que tivesse aval do Congresso Nacional.

 

Segundo apurou o Estadão/Broadcast, o tema segue no radar do governo e é objeto de estudos pela área econômica, embora ainda não haja uma proposta concreta para atacar o problema.

 

Litvak, da Maturi, diz que o impacto da exclusão ainda maior desses profissionais durante a pandemia pode ser grande. “Eles já são muito afetados pela falta de valorização dos mais velhos no mercado de trabalho. Com a acentuação disso, além da questão financeira, que afeta logo de cara, também tem o psicológico. Eles ficam com uma baixa autoestima, começam a se sentir inúteis, ficam deprimidos, e isso afeta a saúde”, afirma.

 

Para ele, saídas possíveis são investir na inclusão digital, ter incentivos para as empresas e desfazer os mitos de que trabalhadores mais velhos seriam desatualizados, não tão ágeis e custariam caro. Sobretudo agora que a reforma da Previdência exigirá mais tempo de serviço até a aposentadoria.

 

“Na pandemia, acho que eles enfrentam uma situação mais difícil, mesmo. Mas depois vai haver convergência para a situação das demais faixas etárias. A taxa de desemprego deve aumentar, porque nós postergamos a aposentadoria desses indivíduos, que não poderão sair do mercado de trabalho e terão de continuar procurando”, diz Ottoni.

 

Fonte: O Estado S.Paulo

Os dados, divulgados nesta terça-feira (24), são do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

 

A maioria dos reajustes salariais no país, considerando o período entre janeiro e outubro deste ano, resultou em ganhos acima da inflação, os chamados ganhos reais. Em 41% das negociações houve reajustes superiores ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Os dados, divulgados nesta terça-feira (24), são do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

 

Segundo o levantamento, 18,3% dos reajustes trouxeram ganhos de até 0,5%; 12,8% tiveram ganhos entre 0,51% e 1%; 6,6%, ganhos de 1,1% a 2%; e 3,3% ganho real acima de 3%. Os reajustes iguais ao INPC foram observados em 31% das negociações; e em 28% ficaram abaixo da inflação medida pelo índice.

 

Em outubro, 48,3% dos reajustes salariais com data-base no mês %uFB01caram abaixo do INPC. O percentual de reajustes iguais à inflação atingiu o patamar de 20,7%, enquanto 31% das negociações trouxeram aumentos reais. Ante uma inflação de 3,89% nos 12 meses anteriores, o percentual de reajustes iguais a 0%, ou seja, a manutenção do salário sem acréscimo nenhum atingiu o patamar de 12,1% das negociações. É a terceira maior incidência no ano, atrás somente de maio (16,4%) e julho (12,6%).

 

Desde o início do ano, 676 negociações não tiveram reajustes, o que representam cerca de 9% do total. Para comparação, em 2019 foram observadas 39 negociações sem reajustes salariais, o que corresponde a 0,3% do total analisado no ano.

 

Fonte: Agência Brasil

Mais uma vez influenciada pelos alimentos, a prévia da inflação ficou em 0,81% em novembro, maior índice para o mês desde 2015 (0,85%). Além do grupo de Alimentação e bebidas, que teve alta de 2,16%, todos os demais subiram: Transportes (1%), Artigos de residência (1,40%), Habitação (0,34%) e Vestuário (0,96%), além de Saúde e Cuidados Pessoas (0,04%), Despesas Pessoais (0,14%), Comunicação (0,06%) e Educação (0,01%). Os resultados são do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), divulgado hoje (24) pelo IBGE.

 

 

O grupo com maior influência no índice no mês (0,44 p.p.) foi alimentação e bebidas (2,16%), que acumula alta de 12,12% no ano. Destaque para os preços dos alimentos para consumo no domicílio, que subiram 2,69% influenciados pela alta de itens importantes no consumo das famílias, como as carnes (4,89%), o arroz (8,29%) e a batata-inglesa, que passou de -4,39% em outubro para 33,37% em novembro. Também subiram o tomate (19,89%) e óleo de soja (14,85%). Entre as quedas, a principal foi a do leite longa vida (-3,81%).

 

A alimentação fora do domicílio também contribuiu para o IPCA-15 de novembro e acelerou de 0,54% em outubro para 0,87% em novembro, principalmente em função da alta do item lanche (1,92%). Já refeição variou (0,49%), menos que a alta de outubro (0,93%).

 

A inflação dos alimentos vem se destacando nesse final de ano, influenciada também por conta do câmbio favorável às exportações, o que levanta preocupações de uma alta mais disseminada dos preços.

 

Entre os itens que mais subiram, destaque para carnes (4,89%), arroz (8,29%), batata-inglesa (33,37%), tomate (19,89%) e óleo de soja (14,85%). Entre as quedas, a principal foi a do leite longa vida (-3,81%).

 

Outros grupos

 

 Outro grupo de forte impacto (0,20 p.p), Transportes (1%) foi impulsionado pela alta da gasolina (1,17%), subitem de maior peso do IPCA-15. Os preços de outros combustíveis como o etanol (4,02%), o óleo diesel (0,53%) e o gás veicular (0,55%) também tiveram alta na passagem de outubro para novembro. Outra contribuição importante no grupo foi do item automóvel novo: alta de 1,07%. O aumento nas passagens aéreas (3,46%) em novembro mostrou desaceleração frente a outubro (39,90%).

Entre as quedas do grupo de Transportes, destaque para as passagens dos ônibus interestaduais (-0,52%) e dos ônibus intermunicipais (-0,40%).

 

Em Artigos de residência (1,40%), as maiores contribuições vieram dos itens mobiliário (2,40%) e eletrodomésticos e equipamentos (2,23%). Os preços dos aparelhos de ar-condicionado destacaram-se e tiveram alta de 11,23%.

 

Já no grupo Habitação (0,34%), a variação positiva da taxa de água e esgoto (0,33%) reflete os reajustes tarifários de 3,04% em Belo Horizonte (1,33%), vigente desde 1º de novembro, e de 5,88% em uma das concessionárias de Porto Alegre (1,69%), vigente desde 1º de outubro. Já o resultado do item energia elétrica (-0,04%) foi influenciado por dois reajustes e uma redução tarifária: Brasília (-0,01%), redução de 0,63%, a partir de 22 de outubro; Goiânia (0,79%), reajuste de 2,57%, a partir de 22 de outubro; e São Paulo (-0,39%), reajuste de 3,87% em uma das concessionárias pesquisadas, vigente desde 23 de outubro.

 

Em São Paulo, apesar do reajuste tarifário, houve redução na alíquota de PIS/COFINS em uma das concessionárias pesquisadas, o que fez com que o resultado tenha ficado negativo.

 

Todas as regiões tiveram alta em novembro

 

Quanto aos índices regionais, todas as regiões pesquisadas apresentaram alta, sendo o menor resultado verificado na Região Metropolitana de Recife (0,31%), especialmente por conta da queda nos preços da gasolina (-1,37%); e o maior no município de Goiânia (1,26%), onde a alta de 3,25% na gasolina foi a principal responsável.

 

Conforme informou o G1, o resultado está um pouco acima do esperado “a mediana das estimativas de 24 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data projetava uma alta de 0,72% do IPCA-15 em novembro”.

 

Expectativa de inflação dos consumidores aumenta para 4,8%: maior valor desde abril

 

Segundo dados da FGV IBRE, a expectativa mediana de inflação dos consumidores brasileiros para os próximos 12 meses aumentou 0,1 ponto em novembro, para 4,8%, o maior valor desde abril desse ano (5,1%). Em relação ao mesmo mês do ano anterior, a mediana se manteve estável.

 

“Após a estabilidade no mês anterior, os consumidores voltam a fazer previsões ligeiramente maiores para a inflação nos próximos doze meses, seguindo a tendência de alta nas projeções dos analistas tanto para o final de 2020 quanto 2021. Vale ressaltar que o valor observado em novembro ainda é menor do que janeiro (5,0%), o que sugere certa ancoragem das expectativas, apesar dos choques de alguns itens importantes observados durante o ano, como os alimentos. Para o final de 2020 e 2021, é possível que a mediana se aproxime cada vez mais dos 5,0%, dado que não há perspectivas de choques favoráveis principalmente sobre os preços de alguns itens com peso significativo na cesta de consumo das famílias”, afirma Renata de Mello Franco, economista da FGV IBRE.

 

Em novembro, 60,1% dos consumidores projetaram valores dentro dos limites inferior e superior de inflação para 2020 (2,5% e 5,5%), a maior parcela nos últimos seis meses. Por outro lado, a proporção de consumidores projetando abaixo do limite inferior da meta de inflação para 2020 (2,5%) diminuiu 5,8 pontos percentuais (p.p.), de 11,9% para 6,1%, a menor parcela dos últimos seis meses.

 

As expectativas medianas para a inflação nos próximos 12 meses pouco variaram analisando por faixas de renda. As famílias de maior poder aquisitivo (renda familiar até R$ 2,1 mil) registraram aumento 0,1 ponto percentual enquanto as famílias de maior poder aquisitivo (renda familiar acima de R$ 9,6 mil) mantiveram suas expectativas estáveis.

 

IBGE e FGV IBRE

A General Motors anunciou que não apoiaria mais o processo judicial do presidente Trump que busca privar a Califórnia de seu poder para estabelecer padrões de consumo de combustível

 

A General Motors abandonou a batalha do presidente Trump para anular as regras de consumo de combustível impostas pelo governo da Califórnia com o objetivo de combater o aquecimento global, no maior sinal até o momento de que as grandes companhias americanas estão deixando Trump para trás e se adaptando à chegada de um governo democrata.

 

“O presidente eleito Biden declarou recentemente que acredita que possamos controlar o mercado de automóveis do século 21, uma vez mais, se avançarmos para os veículos elétricos, e nós da General Motors não poderíamos concordar mais”, declarou Mary Barra, presidente-executiva da GM, em uma carta enviada na segunda-feira aos líderes de algumas das maiores organizações ambientalistas do Estados Unidos.

 

Barra disse que sua companhia, uma das maiores montadoras de automóveis do planeta, estava retirando seu apoio ao processo judicial de Trump que busca privar a Califórnia de seu poder para estabelecer padrões de consumo de combustível mais severos, e instou a Toyota e a Fiat Chrysler a fazer o mesmo.

 

Barra também conversou por telefone na segunda-feira com Mary Nichols, a principal autoridade de regulamentação da poluição na Califórnia, que é uma das principais candidatas ao comando da Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) no governo Biden.

 

Um porta-voz da EPA de Trump parecia não estar ciente da retirada de apoio da GM ao processo contra a Califórnia. “É sempre interessante acompanhar as mudanças de posição das grandes empresas americanas”, disse o porta-voz, James Hewitt.

 

A decisão representa uma virada abrupta para a General Motors, que quatro anos atrás foi uma das primeiras empresas a pressionar Trump pelo relaxamento das normas de consumo de combustível e de emissão de poluentes causadores do aquecimento global da era Obama.

 

Barra se reuniu com Trump nas primeiras semanas dele no governo e o instou a enfraquecer os padrões severos quanto à emissão de poluentes por automóveis que representavam a política mais firme dos Estados Unidos para conter o aquecimento global.

 

No ano passado, quando o governo foi além e revogou a autoridade legal da Califórnia e de outros estados para estabelecer padrões estaduais mais severos, GM, Toyota e Fiat Chrysler aderiram ao processo do lado do governo.

 

“Acreditamos que as ambiciosas metas de eletrificação do presidente eleito, a Califórnia e a General Motors estejam alinhadas para lidar com a mudança no clima por meio da redução drástica das emissões de poluentes por automóveis”, ela escreveu.

 

“Estamos confiantes em que o governo Biden, a Califórnia e a indústria automobilística dos Estados Unidos, que banca 10,3 milhões de empregos, podem encontrar de forma colaborativa um caminho para um futuro de propulsão integralmente elétrica.

 

Para fomentar melhor o diálogo necessário, estamos nos retirando imediatamente do processo que esvazia os poderes da Califórnia, e convidamos outras montadoras a fazerem o mesmo”.

 

The New York Times, tradução de Paulo Migliacci

Moradores da periferia de SP sentem impacto da diminuição de R$ 600 para R$ 300 e vivem apreensão sobre o fim do benefício

 

Autônoma, Maria Cícera, 61, vendia bolo na rua em Parelheiros, bairro no extremo sul da capital paulista onde mora. Ela também fazia faxinas no bairro do Grajaú, a duas horas dali. Com a pandemia, perdeu as duas fontes de renda e pediu o auxílio emergencial.

 

"Quando entramos de quarentena, eu não podia sair pra vender os bolos e nem limpar a casa de ninguém. As coisas ficaram difíceis”, afirma.

 

Depois de três parcelas de R$ 600, o valor caiu para R$300 em setembro, e as coisas apertaram ainda mais na casa. A única alternativa foi voltar a sair de casa, diz.

 

Atualmente, Maria Cícera vende novamente bolos no Terminal Parelheiros. Mesmo trabalhando de novo, ela teme perder os R$ 300 que ainda recebe de auxílio.

 

“Se cortar o auxílio vai ser difícil, porque mesmo sendo pouco, ajuda bastante”, diz.

 

O calendário de pagamentos do auxílio se encerra em dezembro, e até o momento não há previsão de uma extensão do benefício ou implementação de um novo programa social.

 

As propostas de criação de um Renda Brasil ou Renda Cidadã, aventadas pelo governo Jair Bolsonaro (sem partido) não avançaram, e a expectativa de governo e aliados é que 2021 comece sem nenhum substituto para o Bolsa Família.

 

A situação de Maria Cecília é a mesma enfrentada por outras famílias nas periferias da capital, que vivem um cenário de apreensão e já sentem o impacto da redução do valor do auxílio. Agravam o quadro a crise econômica provocada pela pandemia e o aumento do desemprego.

 

Em Heliópolis e Paraisópolis, as duas maiores favelas paulistanas, relatos de líderes e agentes comunitários indicam que a procura por ajuda aumentou desde que o valor da parcela diminuiu para R$ 300.

 

“O número de desempregados só aumenta. A fila de pedidos de cestas [básicas] e das marmitas diariamente só aumentam”, afirma Gilson Rodrigues, 35, líder comunitário em Paraisópolis.

 

Uma opção que servia de apoio para a população da região era o Bom Prato, que serve café da manhã a R$ 0,50 e refeições por R$ 1. No entanto, o local, que serve em média 2.800 refeições por dia, foi fechado para reforma no mês passado, sem data de retorno das atividades.

 

O fechamento do local durante a crise sanitária agravou a situação da região, segundo o Rodrigues. “Nossa fila aqui deve aumentar mais, quando as doações só diminuem”.

 

Procurada, a Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo diz que, desde o início de novembro, implantou um plano de ação emergencial que tem entregado marmitas diárias em frente ao Bom Prato de Paraisópolis.

 

A pasta não informou a quantidade de refeições entregues e nem se são gratuitas.

 

Pertecente ao grupo de risco, a manicure Lisbela Rodrigues, 66, de Suzano, recebeu quatro parcelas de R$ 600 e três de R$ 300.

 

Com o dinheiro, os principais gastos foram com alimentação, remédios e despesas da casa. Segundo ela, o fim do auxílio vai dificultar a vida. “Ficará muito difícil. Estou sem trabalho e não tenho outra renda, não tenho de onde tirar dinheiro”, diz.

 

“O que impactou é que ou você come ou você paga as contas, não tem como sobreviver com R$ 300."

 

Nas redes sociais, grupos de bairro têm sido utilizados para pedidos de alimentos, como arroz, feijão e ovo. Em Pirituba, por exemplo, pessoas comentam que há semanas não comem carne nas refeições. Entre elas, uma mãe afirma que há duas semanas tem comido apenas arroz e cuscuz com as filhas de 5 e 7 anos.

 

Moradora do Vargem Grande, também na zona sul, a dona de casa Mariana Santos, 20, mora com o marido, o filho e mais duas pessoas. Entre os residentes, apenas o marido trabalha, como autônomo, e Santos foi a única que recebeu auxílio emergencial.

 

"Me ajudou muito. Quando entrou a quarentena não tinha ninguém trabalhando em casa. As coisas estavam difíceis, e a gente tem criança pequena”, diz.

 

Ela chegou a se inscrever para receber cesta básica, mas não foi contemplada. Hoje, com parcelas de R$ 300 e o marido trabalhando, diz que a situação melhorou. No entanto, sem um emprego e nem uma renda fixa, a dona de casa se diz preocupada com o futuro.

 

O auxílio emergencial foi gasto principalmente para compra de alimentos —segundo pesquisa Datafolha de agosto, 53% dos beneficiários usaram o recurso com esse fim.

 

Morador do Jardim Felicidade, na zona norte de São Paulo, o estudante de jornalismo Rodrigo Souza Marcelino, 22, recebeu cinco parcelas de R$ 600 e uma parcela de R$ 300. O jovem trabalhava como estagiário na área de marketing, mas foi demitido durante a pandemia.

 

Para Marcelino, o valor recebido foi fundamental para ajudar a pagar os estudos. “O meu principal gasto com o auxílio emergencial foi para pagar a faculdade”, diz.

 

No entanto, mesmo quando recebia R$ 600 não era possível cobrir o valor integral da mensalidade, o que fez o jovem pedir ajuda dos pais. Ele mora com a mãe, empregada doméstica e vítima de um AVC (Acidente Vascular Cerebral) isquêmico que deixou sequelas físicas.

 

“Meu objetivo não é depender do auxílio emergencial. Estou disparando currículo. O dinheiro é um valor baixo e não supre a renda da minha casa nem o meu gasto com a faculdade, mas é importante neste momento”, ressalta.

 

Para o estudante, o governo federal "não tem noção" de quanto custa viver no país. “O arroz está caro, a carne está cara. Atualmente tudo custando muito e os pobres estão ficando mais pobres e os ricos estão ficando mais ricos em plena pandemia."

 

Na Grande São Paulo, a situação se repete. Em Mogi das Cruzes, a psicóloga Ana, 24, afirma que o auxílio funcionou como uma complementação de renda. “Me ajudou no período em que fiquei sem trabalhar, entre março e maio, a pagar contas atrasadas e agora a completar minha renda.”

 

Com a redução do auxílio, ela afirma que a vida financeira foi afetada. “Vou ter que rever gastos e ter uma nova reorganização para pensar as contas básicas, como água e luz”.

 

Quando retomou o trabalho, Ana voltou a andar de transporte público. São 25 minutos no trajeto de ônibus, além de uma caminhada. "Mas preciso sair 1h20 antes porque reduziram os ônibus, então se eu perco, chego atrasada”, afirma.

 

Ela mora com o pai, motorista, que auxilia nos gastos com moradia e alimentação. Juntos, tentam guardar dinheiro para caso precisem ficar um tempo sem trabalhar caso um recrudescimento da pandemia os deixe sem trabalhar novamente.

 

De acordo com a economista Regiane Vieira Wochler, 43, a pandemia do novo coronavírus explicitou a desigualdade social e racial no país ao afetar de maneira diferente ricos e pobres, brancos e negros.

 

“Não à toa um negro tem até 61% mais chances de morrer de coronavírus que um branco no país”, afirma.

 

Um estudo realizado pelo Instituto Pólis apontou que a taxa de mortalidade da doença em São Paulo é 60% maior entre negros do que entre brancos.

 

Wochler ressalta que famílias de baixa renda são as mais expostas à pandemia porque já viviam em condições de insegurança econômica e social mesmo antes da eclosão do coronavírus. Isso porque desempenham funções de baixa qualificação no mercado de trabalho, principalmente no mercado informal, sem proteção de leis trabalhista, afirma.

 

“O fim do auxílio emergencial deixará a população mais pobre entregue à própria sorte e as colocará direto no mapa da fome. Nesse momento, a economia do país não consegue gerar empregos suficientes para absorver a enorme massa de desempregados no país”, avalia.

 

ara Wochler, o Brasil deveria adotar um programa de renda básica, além de políticas públicas de redução dos custos das famílias das periferias, como o pagamento temporário de aluguel e moradia e de tarifas de serviços essenciais, como água e energia elétrica.

 

A economista também defende programas de crédito para empresas como forma de recuperar o mercado de trabalho.

 

“Seria salutar a destinação de linhas de financiamento para pequenas e médias empresas, responsáveis por boa parte das vagas de empregos no país, bem como o fomento de bancos comunitários voltados ao suporte de microempreendedores”, diz.

 

Fonte: Folha de SP

Considerando que as despesas familiares das classes mais pobres têm maior parcela destinada a gastos em alimentação, este aumento gera um alto impacto no custo de vida. O professor também afirmou que grande parte do Auxílio Emergencial durante a pandemia foi gasto com custos em alimentação.

 

 

 

Foto RPB

 

O Índice de Preço ao Consumidor (IPC-S) de 22 de novembro de 2020 subiu 0,77%, ficando 0,15 ponto percentual (p.p) acima da taxa registrada na última divulgação. Com este resultado, o indicador acumula alta de 3,88% no ano e 4,68% nos últimos 12 meses.

 

Nesta apuração, seis das oito classes de despesa componentes do índice registraram acréscimo em suas taxas de variação. A maior contribuição partiu do grupo Educação, Leitura e Recreação (0,75% para 1,79%). No item passagem aérea, a taxa passou de 5,80% para 14,07%.

 

Também registraram acréscimo em suas taxas de variação os grupos: Transportes (0,80% para 0,94%), Alimentação (1,57% para 1,69%), Saúde e Cuidados Pessoais (0,11% para 0,17%), Despesas Diversas (-0,04% para -0,01%) e Habitação (0,22% para 0,23%). Nestas classes de despesa, vale destacar o comportamento dos itens: gasolina (1,49% para 1,99%), hortaliças e legumes (9,20% para 11,40%), medicamentos em geral (0,00% para 0,20%), cigarros (-0,84% para -0,61%) e equipamentos eletrônicos (-0,43% para -0,19%).

 

Em contrapartida, os grupos Vestuário (0,51% para 0,29%) e Comunicação (0,12% para 0,09%) apresentaram recuo em suas taxas de variação. Nestas classes de despesa, vale citar os itens: roupas (0,57% para 0,32%) e tarifa de telefone residencial (0,83% para 0,56%).

 

Alta dos preços dos alimentos

 

O professor e especialista em inflação da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP, Heron do Carmo, destacou, em entrevista à Rádio USP, nesta segunda (23) que a desvalorização do câmbio é um dos fatores responsáveis pela alta dos preços dos alimentos, que alavanca a inflação das classes mais pobres do Brasil.

 

Isso porque, segundo ele, o preço dos produtos internamente também tem relação com o dólar uma vez que o Brasil é um grande exportador de alimentos. Se o preço aumenta, a inflação é significativamente afetada.

 

Ao comentar sobre os impactos que os altos preços têm nas vidas das classes mais baixas, o professor mostrou que a variação da inflação em 12 meses até outubro deste ano ficou em 3,92%, enquanto que somente os alimentos semielaborados (carnes, frutas, óleo de soja) aumentaram em 27%.

 

Considerando que as despesas familiares das classes mais pobres têm maior parcela destinada a gastos em alimentação, este aumento gera um alto impacto no custo de vida. O professor também afirmou que grande parte do Auxílio Emergencial durante a pandemia foi gasto com custos em alimentação.

 

A previsão de Heron é que a situação dos preços dos alimentos volte à normalidade só no fim de 2021. Ele explicou, na entrevista, que, “como os preços já subiram, há uma tendência de estabilização no pico por um tempo para que, com a evolução da economia e do câmbio, haja uma queda”.

 

Sobre a inflação em outras áreas da economia, Heron do Carmo aponta que a área de transporte aéreo está em alta, mas não afeta as classes mais pobres. “Se nós calculássemos só a inflação da classe média, ela seria menor que a inflação geral, enquanto a dos mais pobres é muito maior que a geral.” O professor também traz previsões de que a inflação deve continuar a aumentar em novembro, mas começar a apresentar recuos em dezembro.

 

Com informações de Ibre FGV e Jornal da USP

Novidade possibilita que o saque seja realizado integralmente pelo APP do FGTS. A atualização do aplicativo gratuito já está disponível para dispositivos Android.

 

Trabalhadores podem ter o FGTS 100% digital. A CAIXA disponibiliza a partir desta segunda-feira a opção de Saque do FGTS 100% digital para todas as modalidades previstas em Lei. A novidade possibilita que o saque seja realizado integralmente pelo APP do FGTS. A atualização do aplicativo gratuito já está disponível para dispositivos Android. A nova versão para IOS será lançada nos próximos dias.

 

“O Saque Digital é mais uma inovação da CAIXA em busca da excelência dos serviços prestados ao trabalhador, que a partir de agora não necessita ir a um ponto de atendimento físico para sacar seu recurso do FGTS”, destaca o presidente da CAIXA, Pedro Guimarães.

 

Baixe o Aplicativo Gratuito do Portal Mix Vale e fique por dentro de mais notícias.

 

Ao solicitar o saque do FGTS pelo APP, o trabalhador poderá indicar uma conta da CAIXA ou de outra instituição financeira para receber os valores, sem nenhum custo. O trabalhador também poderá consultar os valores de seu FGTS já liberados para saque, fazer upload de documentos e acompanhar as etapas entre a solicitação e a liberação dos valores para o saque.

 

O APP FGTS permite ainda consultar o saldo e o extrato das contas do FGTS, fazer a opção pela sistemática de Saque-Rescisão ou Saque-Aniversário, efetuar o cadastramento do serviço SMS, além de apresentar uma seção com as dúvidas mais frequentes.

 

Saque Imediato:

 

Até o dia 14 de fevereiro, já foram pagos mais de R$ 27,5 bilhões do Saque Imediato do FGTS para cerca de 59 milhões de trabalhadores. A CAIXA atendeu cerca de 62% dos 96 milhões de trabalhadores contemplados e já liberou aproximadamente 65% dos R$ 42,6 bilhões inicialmente previstos.

 

O Saque Imediato do FGTS já se consolida como a maior ação de pagamento realizada no país, oferecendo comodidade e serviços digitais aos trabalhadores, que permitiram mais de 599 milhões de atendimentos nos canais oficiais da CAIXA e mais de 28 milhões de downloads do APP FGTS nas lojas de aplicativos.

 

Saque-Aniversário:

 

Até o dia 14 de fevereiro, mais de 2,3 milhões de trabalhadores optaram pelo Saque-Aniversário, que permite a retirada de parte do saldo da conta do FGTS, anualmente, no mês do seu aniversário, em alternativa à sistemática de saque por rescisão do contrato de trabalho sem justa causa.

 

A opção pela sistemática de saque é voluntária e pode ser realizada nos seguintes canais: APP FGTS, fgts.caixa.gov.br, Internet Banking CAIXA ou Agências.

 

Fonte: Mix Vale

Mais Artigos...