Duas notícias publicadas no site callcenter.inf.br chamam a atenção por colocar luz sobre a situação financeira das empresas de telemarketing.

As notícias abordam a situação da empresa Vector, instalada no nordeste, com planos de vir para o sudeste, especialmente São Paulo.

Elas mostram que a empresa teve crescimento de 28% com suas operações em 2015, totalizando a receita de R$ 32 milhões. E sua direção projeta para 2016 um crescimento mínimo de 20% nas operações, com o avanço dos negócios para além da região nordeste.

Leia abaixo as entrevistas:

 

Vector registra crescimento de 28%

Conquista de importantes clientes contribuíram para a receita de R$ 32 milhões

A Vector Contact Center anunciou crescimento de 28% com suas operações, em 2015, totalizando a receita de R$ 32 milhões. A empresa conquistou importantes clientes que impulsionaram os resultados financeiros. "O setor de contact center ... cresceu 4,7% em suas operações em 2015. E a Vector se posiciona como uma boa alternativa de fornecedor nesta área, justamente por unir custos competitivos e uma alta especialização da mão de obra", explica Gustavo Marinho, vice-presidente da Vector.

Em 2015, a companhia também completou 15 anos de atuação no mercado e departamentos essenciais dentro da empresa passaram por investimentos. Exemplo é a área de tecnologia que adotou parcerias estratégicas com universidades de Fortaleza para a absorção de mão de obra especializada, passou a desenvolver internamente plataformas de PABX e CRM 100% customizados e começou a oferecer aos clientes capacidade de operar com toda a infraestrutura de tecnologia de softwares e hardwares.

O departamento de RH também contribuiu para os bons resultados da empresa. "Só no ano passado, aplicamos o programa Líderes voltados a supervisores e coordenadores, o Treinamento Comportamental para Operadores do Call Center que já atingiu mais de 400 operadores. E os programas Líderes do Amanhã - com o objetivo de formar futuros gestores; o Programa Espaço Aberto - que visa estreitar o relacionamento dos mais diversos níveis hierárquicos através de encontros com o RH; Projeto Cegonha - acompanhamento especial com as grávidas; Programa Saúde sem Fronteiras - destinado a colaboradores com idade superior a 50 anos incluindo atividades na área de saúde com exames periódicos, nutrição, atividades física e, por fim, a Campanha Mensal de Valorização  - com ações temáticas para ajudar a dar qualidade de vida e melhorar a rotina do trabalho", revela Daniel Tavares, gerente de RH da empresa destacando que a Vector emprega hoje 1.500 pessoas. O setor foi, inclusive, alvo de premiações importantes como o CIC 2015.

A área de novos negócios também ganhou destaque. A empresa vislumbra expandir os negócios para outros grandes centros do Sul e Sudeste, como as cidades de Belo Horizonte e São Paulo.

 

 

Com cautela, mas otimista

Sem deixar efeitos da crise de lado, Vector projeta perspectivas melhores para o setor

Deborah Barra VectorApós um 2015 de muitos desafios diante da crise econômica brasileira, esse ano a expectativa é de que o quadro fique estável. Claro que há aqueles que acreditam numa piora, mas há também quem aposte em um cenário mais positivo, como é o caso da presidente da Vector Contact Center, Deborah Barra. "Acreditamos que ainda será um ano em que a palavra de ordem será cautela. Porém, as perspectivas estão melhores que 2015." Para ela, o setor de relacionamento com clientes continua necessitando de boas opções de atendimento com custos acessíveis e bons profissionais.

Ciente disso, ela conta que a Vector continuará investindo na capacitação e aperfeiçoamento das pessoas, além de avançar nas soluções próprias de tecnologia de informação. "Estamos projetando para 2016 um crescimento mínimo de 20% em nossas operações. Para tanto, investiremos também no pilar infraestrutura e novos negócios com escritórios fora da região Nordeste", completa. Em entrevista exclusiva ao portal, Deborah aponta suas expectativas para o ano, bem como os desafios e as tendências.

Callcenter.inf.br - Qual a expectativa para o mercado de contact center esse ano?

Deborah: Acreditamos que ainda será um ano em que a palavra de ordem será cautela. Porém, as perspectivas estão melhores que 2015. O setor de relacionamento com clientes continua necessitando de boas opções de atendimento com custo acessível e bons profissionais.

Qual deve ser o grande desafio das empresas do setor?

O grande desafio será entender as necessidades das empresas que estão contratando esse tipo de serviço. As propostas estão mais elaboradas e as empresas contratantes buscam aumentar a eficiência e a produtividade, além de racionalizar custos e reter clientes.

O que devemos ver como tendências?

Sem dúvida, a procura por tecnologias que integrem os atendimentos continuará sendo tendência. O mercado de call center percebeu a necessidade de unir os múltiplos canais de contato, tais como dispositivos móveis, Internet, chat e mídia social, a chamada abordagem omni-channel, para melhorar a experiência do cliente.

Quais são os planos da Vector para 2016?

A Vector continuará investindo na capacitação e aperfeiçoamento das pessoas, porém já estamos avançando nas soluções próprias de tecnologia de informação, justamente para acompanhar esta tendência de integração multicanal. Estamos projetando para 2016 um crescimento mínimo de 20% em nossas operações. Para tanto, investiremos também no pilar infraestrutura e novos negócios com escritórios fora da região Nordeste.

A empresa acatou a solicitação do Sindicato e se comprometeu a quitar os valores devidos. Portanto o Sintratel e os trabalhadores obtiveram uma importante vitória com a garantia do cumprimento da Convenção Coletiva de Trabalho. Ou seja, a vitória veio graças à união da categoria ao Sintratel.

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Sindicato convocou a empresa para discutir e regularizar a situação

O Sintratel convocou a direção da empresa Alpha Vox para uma mesa redonda de negociação no dia 19 de janeiro. O objetivo foi discutir a regularização de cláusulas da Convenção Coletiva de Trabalho da categoria, que a empresa não está cumprindo.

Trata-se da cláusula que define o piso salarial da categoria, que é o menor valor que a empresa pode pagar aos seus empregados.

A empresa AlphaVox terá que pagar a todos seus empregados o retroativo dos valores do piso salarial e do vale refeição (em agosto de 2015 a empresa regularizou o piso e o benefício) garantido em Convenção Coletiva.

Aqueles que trabalharam na AlphaVox no período de janeiro de 2014 a agosto de 2015 têm direito a receber os valores não pagos referentes aos meses trabalhados neste período, tanto a diferença dos salários como do vale refeição.

Na mesa redonda de negociação o Sintratel cobrou a obrigação da empresa, que acatou a solicitação do Sindicato.

Os termos propostos para o acerto serão informado aos trabalhadores em assembleia no dia 30 de janeiro, para tomada de decisão quanto a aceitação

O sindicato está sempre ao lado da categoria para promover normas que ampliem sua renda e melhorem suas condições de trabalho continuamente.

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Dentre todas as convenções da OIT - Organização Internacional do Trabalho- a 111 se destaca tanto pela relevância e atualidade, cada dia mais infame e gritante do tema que trata: a questão das discriminações no mundo trabalho; como também por sua amplitude ao abarcar as mais variadas formas de discriminações: raça/etnia, gênero, sexo, religião, social, opinião política e origem nacional, portadores de deficiência física ou imunológica. Objetivando a promoção da igualdade de oportunidade e tratamento no emprego e na profissão, discute e atua, como uma força civilizatória, em um dos pontos mais sensíveis e estratégicos da sociedade contemporânea. Desse modo, já define em seu art. 1º o que entende por discriminação:

1. Para os fins desta Convenção, o termo "discriminação" compreende:

 a) toda distinção, exclusão ou preferência, com base em raça, cor, sexo, religião, opinião política, nacionalidade ou origem social, que tenha por efeito anular ou reduzir a igualdade de oportunidade ou de tratamento no emprego ou profissão;

 b) qualquer outra distinção, exclusão ou preferência, que tenha por efeito anular ou reduzir a igualdade de oportunidades, ou tratamento emprego ou profissão, conforme pode ser determinado pelo país-membro concernente, após consultar organizações representativas de empregadores e de trabalhadores, se as houver, e outros organismos adequados."

As Convenções são tratados internacionais que os países ratificam ou não. Mas, quando ratificadas torna-se de cumprimento obrigatório, incorporando-se as legislações nacionais. Embora o Brasil tenha admitido a existência de discriminação somente em 1995, durante a Conferência Internacional do Trabalho, já havia, desde de 1965, ratificado a 111. Como o fez com outras, entre elas, a 100, de 1951, sobre a igualdade de remuneração por trabalho igual, entre homens e mulheres; a 117, de 1962, cujo objetivo é a supressão de toda discriminação por motivo de crença, raça, sexo e sindicalização.

Porém, não obstante a importância da Convenção 111 na elaboração de políticas públicas, sua importância reside menos em sua eficácia como norma positiva e mais em seu aspecto político na denúncia das discriminações, preconceitos e do racismo. Tornando-se, assim, um instrumento de conscientização dos trabalhadores no combate a existência dessas chagas na luta pela igualdade no trabalho. Nesse sentido, para sua efetiva implementação, pressupõe e potencializa, ao lado da luta pela democracia, a organização e mobilização dos trabalhadores, pois, por sua característica, deve ser articulada com a luta por condições dignas de trabalho, por saúde e salários justos.

 E, se as questões elencadas acima já não fossem suficientes para que o movimento sindical valorizasse a Convenção 111, o fato de que reafirma o princípio da isonomia no trabalho já deveria motivá-los a exigirem sua efetiva implementação. Nesse sentido, coloca às entidades sindicais o desafio de uma atuação mais ampliada junto aos setores mais vulneráveis à discriminação no trabalho que formam os exércitos de superexplorados e excluídos, vítimas do desemprego e do subemprego, isto é, desenvolvendo não só campanhas que favoreçam as populações de jovens, mulheres e afrodescendentes, mas formulando políticas sindicais e sociais que os incorpore definitivamente em suas pautas, entre elas, a construção de um sindicalismo avançado, classista e cidadão.

Desse modo, não é à toa que a Convenção 111 é o núcleo, juntamente com a 100, da declaração sobre os princípios e direitos fundamentais no trabalho da OIT; sendo seguidas pelas Convenções 29 e 105, sobre a eliminação de todas as formas de trabalho forçado e obrigatório; as 138 e 182, sobre a abolição efetiva do trabalho infantil; e, finalmente as 87 e 98, sobre a liberdade sindical e o reconhecimento efetivo do direito de negociação coletiva.

Leads-Pagamento-2Foi uma luta árdua. Muitos dias de tensão e trabalho. Mas a vitória veio. O Sintratel conseguiu negociar com o produto NET o pagamento dos direitos de todos os trabalhadores que foram deixados na mão pela Leads4Sales.

O patrão havia encerrado as atividades sem rescindir os contratos dos trabalhadores. Eles ficaram sem receber seus direitos como dias Leads-Pagamento-1trabalhados, férias e 13º salário proporcionais, FGTS e a multa de 40%, e não tinham como acessar o Seguro desemprego. Tudo foi resolvido em prazo recorde após negociação com o produto NET, para o qual trabalhavam os prejudicados pela Leads.

A solução deste problema criado por um mau patrão e péssimo gestor traz satisfação e alívio para o Sindicato e os trabalhadores. Foi muito importante o canal aberto com a NET e o fato dela ter reconhecido sua responsabilidade com os empregados da empresa por ela contratada, para realizar serviços terceirizados.

Este relacionamento estabelecido pela Sintratel com a NET foi importante para reforçar a figura da responsabilidade subsidiária, que está prevista na legislação celetista e é reconhecida pelos nossos Tribunais. Por ela, o tomador de serviços é co-responsável pelos pagamentos dos trabalhadores que prestam serviço em seu favor, no caso de terceirização.

Também valeu por colocar o Sindicato em contato direto com o tomador de serviços, um modelo de relacionamento a ser repetido sempre que uma empresa do setor não cumprir com suas obrigações e sonegar os direitos trabalhistas. Vale lembrar que, no caso do telemarketing, os tomadores de serviço são empresas de porte maior que as empresa do setor, e têm toda condições de assumir as dívidas trabalhistas que não forem honradas pelos empresários que contratarem os empregados.

Fica dado o alerta aos tomadores de serviço: eles devem ser bastante criteriosos na hora de contratar serviços terceirizados, e só escolher empresas com histórico de respeito pela legislação e pelos direitos dos trabalhadores.

Clique AQUI para ver vídeo com declarações de trabalhadores da Leads e do Presidente do Sintratel sobre esta luta.

 

NÚMEROS DOS PROCESSOS:

  1. Medida Cautelar: processo nº 0002481.29.2015.502.0001 (controle 2481/2.015) em trâmite perante a 1ª. Vara do Trabalho.
  2. Reclamação Trabalhista: processo nº 0000004.96.2016.502.0001 (controle 4/2016) em trâmite perante a 1ª. Vara do Trabalho

 Em prosseguimento ao trabalho realizado pelo SINTRATEL, INFORMAMOS que após as solicitações realizadas ao Juiz da 1ª. Vara do Trabalho de São Paulo com relação aos processos movidos em face da empresa SOUTH, HOJE, 29/01/2016, o Juiz entendeu por bem designar audiência de tentativa de acordo entre o SINTRATEL e as empresas, SOUTH, SKY e SANTANDER.

A AUDIÊNCIA FOI DESIGNADA PARA O DIA 16/02/2016 ÀS 13h10, CONFORME DESPACHO ANEXO (veja AQUI a decisão do juiz)

Os pedidos formulados tanto pelo SINTRATEL quanto pelo SANTANDER e SKY, NÃO SERÃO DELIBERADOS ATÉ A DATA DESTA AUDIÊNCIA, devendo os trabalhadores aguardarem a realização da audiência para eventual determinação de saque de FGTS e Seguro Desemprego.

O SINTRATEL continuará lutando pelo recebimento dos valores aos trabalhadores e informa que fará reunião com o SANTANDER no dia 04/02/2016.

 

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Conforme informado com destaque neste site, o SINTRATEL realizou plantão do dia 09/01/2016 até o último dia 18/01/2016 para cumprimento da liminar concedida pelo juiz da 1ª. Vara do Trabalho. Nesses dias foram procedidas as baixas nas Carteiras de Trabalho e recebimento de documentos para cálculo das verbas rescisórias dos ex-trabalhadores da South.

Os trabalhadores que não puderam comparecer nesse período terão uma nova oportunidade.

A fim de garantir os direitos de todos os trabalhadores desligados de forma arbitrária pela empresa SOUTH DO BRASIL, o SINTRATEL fará um novo processo coletivo e CONVOCA NOVAMENTE todos os ex-emrpegados da South para comparecerem na sede do SINTRATEL de segunda à sexta-feira das 09h00 às 12h30 e das 14h30 às 17h30, ATÉ O DIA 29/01/2016 para entregar os documentos abaixo listados.

IMPORTANTE: Para esses trabalhadores, o SINTRATEL receberá os documentos e fará uma nova ação judicial coletiva. Somente após a propositura da nova ação coletiva é que será dado baixa nas carteiras de quem comparecer a partir de 19/01/2016.

Assim sendo, pedimos que os trabalhadores compareçam à sede do SINTRATEL e levem os seguintes documentos em ORIGINAL E CÓPIA:

  1. RG;
  2. Carteira de Trabalho (Tirar cópia de todas as folhas da Carteira que tiver alguma anotação, mesmo que não seja da SOUTH);
  3. Últimos 12 (doze) holerits (se vc trabalhou menos que 12 meses, todos os holerits do período trabalhado);
  4. Caso você não tenha os holerits, o extrato bancário da conta corrente onde recebia salário dos últimos 12 meses ou de todo o período trabalhado;
  5. Extrato Analítico do FGTS (ligar no 08007260207 entrar na opção do FGTS e solicitar. Retirar após 05 (cinco) dias úteis. Não serve o extrato emitido no caixa eletrônico ou pela internet).

Empregado também trabalhava sob pressão fora do comum.

AlmavivaA Justiça do Trabalho de primeira instância deu ganho de causa a um ex-funcionário da empresa ALMAVIVA, de Maceió, Alagoas, especializada em call center, que pleiteava a reparação pelos intensos danos morais sofridos durante o tempo em que trabalhou como atendente de telemarketing.

Segundo a sentença, ficou demonstrado, por meio de provas testemunhais, que o ex-funcionário era submetido a um ambiente de trabalho com alto nível de stress devido à pressão incomum exercida pelos superiores para que as metas fossem atingidas, sob pena de punições, incluindo a demissão.

Outro fato pontuado pelo magistrado sentenciante, Dr. Luiz Jackson, foi que até para ir ao banheiro, o trabalhador tinha seu tempo contabilizado. Nas palavras do Juiz da 1ª Vara do Trabalho de Maceió-AL tais atos não são razoáveis e

“retiram qualquer parcela de dignidade para o trabalhador, laborando em situação estressante, em um sistema que procura obter máxima produtividade, just in time, a custa dos direitos de personalidade dos seus empregados.”

Segundo a sentença, que condenou a empresa ao pagamento de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por danos morais, o assédio moral restou caracterizado pelas provas que

“confirmaram os fatos alegados pelo reclamante, no sentido de que laborava sobre pressão fora do comum, pois se não batesse metas de atendimento poderiam ser punidos pela empresa, o tempo de atendimento para o cliente era pouco, se não fosse nos intervalos regulares concedidos tinham dificuldade de ir para o banheiro e mesmo assim os minutos eram contados. [...]

Não posso compactuar com tais práticas, que considero ilícitas, degradantes, especialmente a limitação de até ficar no banheiro, razões pelas quais, com fundamento nos artigos 186e 960 do CC, julgo procedente o pedido de indenização por dano moral, que ora arbitro no valor de R$ 5.000,00 em prol do autor.”

Além disso, a empresa também foi condenada a pagar diferença salarial e corrigir as anotações na CTPS, tendo em vista que anotou função diferente da exercida pelo mesmo e prevista na convenção coletiva, implicando em diminuição dos seus ganhos. Veja:

"DO PEDIDO DE RETIFICAÇÃO NA CTPS, DIFERENÇA SALARIAL E REFLEXOS LEGAIS Com razão o reclamante. De fato, até o preposto da empresa confessa que o reclamante laborou como operador de telemarketing, pois nesse sentido declarou em depoimento que" as funções de operador de telemarketing e operador de atendimento são as mesmas, somente existe diferença de nomenclatura ".

Registro que a empresa não apresenta explicação razoável para que não tenha assinado a CTPS do autor na função de operador de telemarketing, como o cargo é comumente conhecido, e assim classificado na CBO e no anexo II, item 1.1.2, da NR - 17 da SRTE, simplesmente não existindo a classificação de operador de atendimento. Ora, registro que o fato em questão de certa forma prejudica o reclamante, inclusive em relação a procura de novos empregos, já que se trata de nomenclatura que somente é utilizada pela reclamada, realidade que torna nulo o ato, nos termos do artigo , da CLT.

Pacífico que o autor laborou como operador de telemarketing, dúvida existe em relação ao salário, no que considero válidas as convenções coletivas apresentadas pelo reclamante, que prevalecem sobre a remuneração menor acordada pela empresa via acordo coletivo, ante o principio da norma mais favorável, aplicação do artigo 620 da CLT (as condições estabelecidas em convenção quando mais favoráveis, prevalecerão sobre as estipuladas em acordo). Interessante é que a reclamada, através de acordo coletivo de trabalho, simplesmente estabeleceu salário menor para os seus operadores de telemarketing, realidade bem conveniente quando lhes retira, inclusive, a nomenclatura própria, atos com os quais este magistrado não concorda, seja em relação a nomenclatura, seja em relação a questão da prevalência da convenção coletiva, que é mais benéfica para a reclamante neste sentido.

Julgo procedente, portanto, o pedido de retificação na CTPS, no que condeno a reclamada na seguinte obrigação de fazer: retificar o cargo para o de operador de telemarketing, bem como a remuneração para a de R$ 919,00, sob pena, em caso de descumprimento, de pagar multa que ora fixo na quantia de R$ 3.000,00, hipótese em que as anotações serão realizadas pela Secretaria da Vara do Trabalho.

Igualmente, com base na convenção coletiva de trabalho apresentada julgo procedente o pedido de diferença salarial por todo o período laborado, com reflexos em férias acrescidas de 1/3, 13º salários, horas extras pagas, FGTS do período acrescido de 40%, aviso prévio."

A advogada que representa o ex-funcionário, Dra. Nila Lobo, informou que a empresa ainda pode recorrer da sentença, mas acredita que, mesmo havendo recurso, o Tribunal irá manter a indenização diante das humilhações sofridas pelo trabalhador.

O processo que tramita na Primeira Vara do Trabalho de Maceió-AL é público e pode ser consultado através do site do Tribunal sob o número 0001085-43.2015.5.19.0001.

assediomoralPois é uma aberração que ronda o mundo do trabalho!!!

A violência moral e a sexual no ambiente do trabalho não são um fenômeno novo. As leis que tratam do assunto ajudaram a atenuar a existência do problema, mas não o resolveram de todo. Há a necessidade de conscientização da vítima e do agressor(a), bem como a identificação das ações e atitudes, de modo a serem adotadas posturas que resgatem o respeito e a dignidade, criando um ambiente de trabalho gratificante e propício a gerar produtividade.

Assédio sexual

A abordagem, não desejada pelo outro, com intenção sexual ou insistência inoportuna de alguém em posição privilegiada que usa dessa vantagem para obter favores sexuais de subalternos ou dependentes. Para sua perfeita caracterização, o constrangimento deve ser causado por quem se prevaleça de sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função. Assédio Sexual é crime (art. 216-A, do Código Penal, com redação dada pela Lei nº 10.224, de 15 de maio de 1991).

Assédio moral

É toda e qualquer conduta abusiva (gesto, palavra, escritos, comportamento, atitude, etc.) que, intencional e freqüentemente, fira a dignidade e a integridade física ou psíquica de uma pessoa, ameaçando seu emprego ou degradando o clima de trabalho.

As condutas mais comuns, dentre outras, são:

  • instruções confusas e imprecisas ao(à) trabalhador(a);
  • dificultar o trabalho;
  • atribuir erros imaginários ao(à) trabalhador(a);
  • exigir, sem necessidade, trabalhos urgentes;
  • sobrecarga de tarefas;
  • ignorar a presença do(a) trabalhador(a), ou não cumprimentá- lo(a) ou, ainda, não lhe dirigir a palavra na frente dos outros, deliberadamente;
  • fazer críticas ou brincadeiras de mau gosto ao(à) trabalhador(a) em público;
  • impor horários injustificados;
  • retirar-lhe, injustificadamente, os instrumentos de trabalho;
  • agressão física ou verbal, quando estão sós o(a) assediador(a) e a vítima;
  • revista vexatória;
  • restrição ao uso de sanitários;
  • ameaças;
  • insultos;
  • isolamento.

A briga recomeça em São Paulo e outros locais do Brasil.

Após as prefeituras anunciarem aumento do valor das passagens nos transportes públicos, jovens vão às rua e a polícia reprime com violência. Até onde isso irá, ainda veremos. 

Por que tem que aumentar o valor? Qual o real problema? É impossível manter um valor baixo ou estabelecer a gratuidade?

Para pensar a respeito, publicamos abaixo a peça publicitária da Prefeitura de Macaé anunciando a manutenção da passagem de ônibus em R$ 1 real.

Veja e avalie:

Passagem

Sim, a passagem continua R$1.

Continua pois pra você, que usa o ônibus pra ir ao trabalho, isso significa muito no final do mês.

Continua pois pra você, que usa o ônibus pra buscar emprego, pode ser a chance de fazer isso mais vezes.

Continua pois pra você que usa o ônibus pra se divertir, pode ser a chance de fazer isso sem comprometer o orçamento.

Continua pois pra nós, manter a passagem a R$1 significa, de alguma maneira, contribuir para que a vida do cidadão, seja melhor.

Maria-Lucia-FattorelliPara ex-auditora da Receita, convidada pelo Syriza (partido do governo da Grécia) para analisar a dívida grega, sistema atual provoca desvio de recursos públicos para o mercado financeiro. Maria Lucia Fattorelli já auditou a dívida pública do Equador e agora faz o mesmo pela Grécia.

Dois meses antes de o governo Dilma Rousseff anunciar oficialmente o corte de 70 bilhões de reais do Orçamento por conta do ajuste fiscal, uma brasileira foi convidada pelo Syriza, partido grego de esquerda que venceu as últimas eleições,para compor o Comitê pela Auditoria da Dívida Grega com outros 30 especialistas internacionais. A brasileira em questão é Maria Lucia Fattorelli, auditora aposentada da Receita Federal e fundadora do movimento “Auditoria Cidadã da Dívida” no Brasil. Mas o que o ajuste tem a ver com a recuperação da economia na Grécia? Tudo, diz Fattorelli. “A dívida pública é a espinha dorsal”.

Enquanto o Brasil caminha em direção à austeridade, a estudiosa participa da comissão que vai investigar os acordos, esquemas e fraudes na dívida pública que levaram a Grécia, segundo o Syriza, à crise econômica e social. “Existe um ‘sistema da dívida’. É a utilização desse instrumento [dívida pública] como veículo para desviar recursos públicos em direção ao sistema financeiro”, complementa Fattorelli.

Esta não é a primeira vez que a auditora é acionada para esse tipo de missão. Em 2007, Fattorelli foi convidada pelo presidente do Equador, Rafael Correa, para ajudar na identificação e comprovação de diversas ilegalidades na dívida do país. O trabalho reduziu em 70% o estoque da dívida pública equatoriana.

Em entrevista a CartaCapital, direto da Grécia, Fattorelli falou sobre como o “esquema”, controlado por bancos e grandes empresas, também se repete no pagamento dos juros da dívida brasileira, atualmente em 334,6 bilhões de reais, e provoca a necessidade do tal ajuste.

Leia a entrevista:

CartaCapital: O que é a dívida pública?

Maria Lucia Fattorelli: A dívida pública, de forma técnica, como aprendemos nos livros de Economia, é uma forma de complementar o financiamento do Estado. Em princípio, não há nada errado no fato de um país, de um estado ou de um município se endividar, porque o que está acima de tudo é o atendimento do interesse público. Se o Estado não arrecada o suficiente, em princípio, ele poderia se endividar para o ingresso de recursos para financiar todo o conjunto de obrigações que o Estado tem. Teoricamente, a dívida é isso. É para complementar os recursos necessários para o Estado cumprir com as suas obrigações. Isso em principio.

CC: E onde começa o problema? 

MLF: O problema começa quando nós começamos a auditar a dívida e não encontramos contrapartida real. Que dívida é essa que não para de crescer e que leva quase a metade do Orçamento? Qual é a contrapartida dessa dívida? Onde é aplicado esse dinheiro? E esse é o problema. Depois de várias investigações, no Brasil, tanto em âmbito federal, como estadual e municipal, em vários países latino-americanos e agora em países europeus, nós determinamos que existe um sistema da dívida. O que é isso? É a utilização desse instrumento, que deveria ser para complementar os recursos em benefício de todos, como o veículo para desviar recursos públicos em direção ao sistema financeiro. Esse é o esquema que identificamos onde quer que a gente investigue.

CC: E quem, normalmente, são os beneficiados por esse esquema? Em 2014, por exemplo, os juros da dívida subiram de 251,1 bilhões de reais para 334,6 bilhões de reais no Brasil. Para onde está indo esse dinheiro de fato?

MLF: Nós sabemos quem compra esses títulos da dívida porque essa compra direta é feita por meio dos leilões. O processo é o seguinte: o Tesouro Nacional lança os títulos da dívida pública e o Banco Central vende. Como o Banco Central vende? Ele anuncia um leilão e só podem participar desse leilão 12 instituições credenciadas. São os chamados dealers. A lista dos dealers nós temos. São os maiores bancos do mundo. De seis em seis meses, às vezes, essa lista muda. Mas sempre os maiores estão lá: Citibank, Itaú, HSBC...é por isso que a gente fala que, hoje em dia, falar em dívida externa e interna não faz nem mais sentido. Os bancos estrangeiros estão aí comprando diretamente da boca do caixa. Nós sabemos quem compra e, muito provavelmente, eles são os credores porque não tem nenhuma aplicação do mundo que pague mais do que os títulos da dívida brasileira. É a aplicação mais rentável do mundo. E só eles compram diretamente. Então, muito provavelmente, eles são os credores.

CC: Por quê provavelmente?

MLF: Por que nem mesmo na CPI da Dívida Pública, entre 2009 e 2010, e olha que a CPI tem poder de intimação judicial, o Banco Central informou quem são os detentores da dívida brasileira. Eles chegaram a responder que não sabiam porque esses títulos são vendidos nos leilões. O que a gente sabe que é mentira. Porque, se eles não sabem quem são os detentores dos títulos, para quem eles estão pagando os juros? Claro que eles sabem. Se você tem uma dívida e não sabe quem é o credor, para quem você vai pagar? Em outro momento chegaram a falar que essa informação era sigilosa. Seria uma questão de sigilo bancário. O que é uma mentira também. A dívida é pública, a sociedade é que está pagando. O salário do servidor público não está na internet? Por que os detentores da dívida não estão? Nós temos que criar uma campanha nacional para saber quem é que está levando vantagem em cima do Brasil e provocando tudo isso.

CC: Qual é a relação entre os juros da dívida pública e o ajuste fiscal, em curso hoje no Brasil?

MLF: Todo mundo fala no corte, no ajuste, na austeridade e tal. Desde o Plano Real, o Brasil produz superávit primário todo ano. Tem ano que produz mais alto, tem ano que produz mais baixo. Mas todo ano tem superávit primário. O que quer dizer isso, superávit primário? Que os gastos primários estão abaixo das receitas primárias. Gasto primários são todos os gastos, com exceção da dívida. É o que o Brasil gasta: saúde, educação...exceto juros. Tudo isso são gastos primários. Se você olhar a receita, o que alimenta o orçamento? Basicamente a receita de tributos. Então superávit primário significa que o que nós estamos arrecadando com tributos está acima do que estamos gastando, estão está sobrando uma parte.

CC: E esse dinheiro que sobra é para pagar os juros dívida pública?

MLF: Isso, e essa parte do superávit paga uma pequena parte dos juros porque, no Brasil, nós estamos emitindo nova dívida para pagar grande parte dos juros. Isso é escândalo, é inconstitucional. Nossa Constituição proíbe o que se chama de anatocismo. Quando você contrata dívida para pagar juros, o que você está fazendo? Você está transformando juros em uma nova divida sobre a qual vai incidir juros. É o tal de juros sobre juros. Isso cria uma bola de neve que gera uma despesa em uma escala exponencial, sem contrapartida, e o Estado não pode fazer isso. Quando nós investigamos qual é a contrapartida da dívida interna, percebemos que é uma dívida de juros sobre juros. A divida brasileira assumiu um ciclo automático. Ela tem vida própria e se retroalimenta. Quando isso acontece, aquele juros vai virar capital.  E, sobre aquele capital, vai incidir novos juros. E os juros seguintes, de novo vão se transformados em capital. É, por isso, que quando você olha a curva da dívida pública, a reta resultante é exponencial. Está crescendo e está quase na vertical. O problema é que vai explodir a qualquer momento.

CC: Explodir por quê?

MLF: Por que o mercado – quando eu falo em mercado, estou me referindo aos dealers – está aceitando novos títulos da dívida como pagamento em vez de receber dinheiro moeda? Eles não querem receber dinheiro moeda, eles querem novos títulos, por dois motivos. Por um lado, o mercado sabe que o juros vão virar novo título e ele vai ter um volume cada vez maior de dívidas para receber. Segundo: dívida elevada tem justificado um continuo processo de privatização. Como tem sido esse processo? Entrega de patrimônio cada vez mais estratégico, cada vez mais lucrativo. Nós vimos há pouco tempo a privatização de aeroportos. Não é pouca coisa os aeroportos de Brasília, de São Paulo e do Rio de Janeiro estarem em mãos privadas. O que no fundo esse poder econômico mundial deseja é patrimônio e controle. A estratégia do sistema da dívida é a seguinte: você cria uma dívida e essa dívida torna o pais submisso. O país vai entregar patrimônio atrás de patrimônio. Assim nós já perdemos as telefônicas, as empresas de energia elétrica, as hidrelétricas, as siderúrgicas. Tudo isso passou para propriedade desse grande poder econômico mundial. E como é que eles [dealers] conseguem esse poder todo? Aí entra o financiamento privado de campanha. É só você entrar no site do TSE [Tribunal Superior Eleitoral] e dar uma olhada em quem financiou a campanha desses caras. Ou foi grande empresa ou foi banco. O nosso ataque em relação à dívida é porque a dívida é o ponto central, é a espinha dorsal do esquema.

CC: Como funcionaria a auditoria da dívida na prática? Como diferenciar o que é dívida legítima e o que não é?

MLF: A auditoria é para identificar o esquema de geração de dívida sem contrapartida. Por exemplo, só deveria ser paga aquela dívida que preenche o requisito da definição de dívida. O que é uma dívida? Se eu disser para você: ‘Me paga os 100 reais que você me deve’. Você vai falar: “Que dia você me entregou esses 100 reais?’ Só existe dívida se há uma entrega. Aconteceu isso aqui na Grécia. Mecanismos financeiros, coisas que não tinham nada ver com dívida, tudo foi empurrado para as estatísticas da dívida. Tudo quanto é derivativo, tudo quanto é garantia do Estado, os tais CDS [Credit Default Swap - espécie de seguro contra calotes], essa parafernália toda desse mundo capitalista 'financeirizado'. Tudo isso, de uma hora para outra, pode virar dívida pública. O que é a auditoria? É desmascarar o esquema. É mostrar o que realmente é dívida e o que é essa farra do mercado financeiro, utilizando um instrumento de endividamento público para desviar recursos e submeter o País ao poder financeiro, impedindo o desenvolvimento socioeconômico equilibrado. Junto com esses bancos estão as grandes corporações e eles não têm escrúpulos. Nós temos que dar um basta nessa situação. E esse basta virá da cidadania. Esse basta não virá da classe politica porque eles são financiados por esse setor. Da elite, muito menos porque eles estão usufruindo desse mecanismo. A solução só virá a partir de uma consciência generalizada da sociedade, da maioria. É a maioria, os 99%, que está pagando essa conta. O Armínio Fraga [ex-presidente do Banco Central] disse isso em depoimento na CPI [Comissão Parlamentar de Inquérito] da Dívida, em 2009, quando perguntado sobre a influência das decisões do Banco Central na vida do povo. Ele respondeu: “Olha, o Brasil foi desenhado para isso”. 

CC: Quanto aproximadamente da dívida pública está na mão dos bancos e de grandes empresas? O Tesouro Direto, que todos os brasileiros podem ter acesso, corresponde a que parcela do montante?

MLF: Essa história do Tesouro Direto é para criar a impressão que a dívida pública é um negócio correto, que qualquer um pode entrar lá e comprar. E, realmente, se eu ou você comprarmos é uma parte legítima. Agora, se a gente entrar lá e comprar, não é direto. É só para criar essa ilusão. Tenta entrar lá para comprar um título que seja. Você vai chegar numa tela em que vai ter que escolher uma instituição financeira. E essa instituição financeira vai te cobrar uma comissão que não é barata. Ela não vai te pagar o juros todo do título, ela vai ficar com um pedaço. O banco, o dealer, que compra o título da dívida é quem estabelece os juros. Ele estabelece os juros que ele quer porque o governo lança o título e faz uma proposta de juros. Se, na hora do leilão, o dealer não está contente com aquele patamar de juros, ele não compra. Ele só compra quando o juros chega no patamar que ele quer. Invariavelmente, os títulos vêm sendo vendidos muito acima da Selic [taxa básica de juros]. Em 2012, quando a Selic deu uma abaixada e chegou a 7,25%, nós estávamos acompanhando e os títulos estavam sendo vendidos a mais de 10% de juros. E eles sempre compram com deságio. Se o título vale 1000 reais, ele compra por 960 reais ou 970 reais, depende da pressão que ele quer impor no governo aquele dia. Olha a diferença. Se você compra no Tesouro Direto, você não vai ter desconto. Pelo contrário, você vai ter que pagar uma comissão. E você também não vai mandar nos juros. É uma operação totalmente distinta da operação direta de verdade que acontece lá no leilão.

CC: Por que é tão difícil colocar a auditoria em prática? Como o mercado financeiro costuma reagir a uma auditoria?

MLF: O mercado late muito, mas na hora ele é covarde. Lá no Equador, quando estávamos na reta final e vários relatórios preliminares já tinham sido divulgados, eles sabiam que tínhamos descoberto o mecanismo de geração de dívida, várias fraudes. Eles fizeram uma proposta para o governo de renegociação. Só que o Rafael Correa [atual presidente do Equador] não queria negociar. Ele queria recomprar e botar um ponto final. Porque quando você negocia, você dá uma vida nova para a dívida. Você dá uma repaginada na dívida. Ele não queria isso. Ele queria que o governo dele fosse um governo que marcasse a história do Equador. Ele sabia que, se aceitasse, ficaria subjugado à dívida. Ele foi até o fim, fez uma proposta e o que os bancos fizeram? 95% dos detentores dos títulos entregaram. Aceitaram a oferta de recompra de no máximo 30% e o Equador eliminou 70% de sua dívida externa em títulos. No Brasil, durante os dez meses da CPI da Dívida, a Selic não subiu. Foi incrível esse movimento. Nós estamos diante de um monstro mundial que controla o poder financeiro e o poder político com esquemas fraudulentos. É muito grave isso. Eu diria que é um mega esquema de corrupção institucionalizado.

CC: O mercado financeiro e parte da imprensa costumam classificar a auditoria da dívida de calote. Por que a auditoria da dívida não é calote?

MLF: A auditoria vai investigar e não tem poder de decisão do que vai ser feito. A auditoria só vai mostrar. No Equador, a auditoria só investigou e mostrou as fraudes, mecanismos que não eram dívidas, renúncias à prescrição de dívidas. O que é isso? É um ato nulo. Dívidas que já estavam prescritas. Uma dívida prescrita é morta. E isso aconteceu no Brasil também na época do Plano Brady, que transformou dívidas vencidas em títulos da dívida externa. Depois, esses títulos da dívida externa foram usados para comprar nossas empresas que foram privatizadas na década de 1990: Vale, Usiminas...tudo comprado com título da dívida em grande parte. Você está vendo como recicla? Aqui, na Grécia, o país está sendo pressionado para pagar uma dívida ilegítima. E qual foi a renegociação feita pelo [Geórgios] Papandréu [ex-primeiro-ministro da Grécia]? Ele conseguiu um adiamento em troca de um processo de privatização de 50 bilhões de euros. Esse é o esquema. Deixar de pagar esse tipo de dívida é calote? A gente mostra, simplesmente, a parte da dívida que não existe, que é nula, que é fraude. No dia em que a gente conseguir uma compreensão maior do que é uma auditoria da dívida e a fragilidade que lado está do lado de lá, a gente muda o mundo e o curso da história mundial.

CC: Em comparação com o ajuste fiscal, que vai cortar 70 bilhões de reais de gastos, tem alguma estimativa de quanto a auditoria da dívida pública poderia economizar de despesas para o Brasil?

MLF: Essa estimativa é difícil de ser feita antes da auditoria, porém, pelo que já investigamos em termos de origem da dívida brasileira e desse impacto de juros sobre juros, você chega a estimativas assustadoras. Essa questão de juros sobre juros eu abordei no meu último livro. Nos últimos anos, metade do crescimento da divida é nulo. Eu só tive condição de fazer o cálculo de maneira aritmética. Ficou faltando fazer os cálculos de 1995 a 2005 porque o Banco Central não nos deu os dados. E mesmo assim, você chega a 50% de nulidade da dívida, metade dela. Consequentemente para os juros seria o mesmo [montante]. Essa foi a grande jogada do mercado financeiro no Plano Real porque eles conseguiram gerar uma dívida maluca. No início do Plano Real os juros brasileiros chegaram a mais de 40% ao ano. Imagina uma divida com juros de 40% ao ano? Você faz ela crescer quase 50% de um ano para o outro. E temos que considerar que esses juros são mensais. O juro mensal, no mês seguinte, o capital já corrige sobre o capital corrigido no mês anterior. Você inicia um processo exponencial que não tem limite, como aconteceu na explosão da dívida a partir do Plano Real. Quando o Plano Real começou, nossa dívida estava em quase 80 bilhões de reais. Hoje ela está em mais de três trilhões de reais. Mais de 90% da divida é de juros sobre juros.

CC: E isso é algo que seria considerado ilegal na auditoria da dívida pública?

MLF: É mais do que ilegal, é inconstitucional. Nossa Constituição proíbe juros sobre juros para o setor público. Tem uma súmula do Supremo Tribunal Federal, súmula 121, que diz que ainda que tenha se estabelecido em contrato, não pode. É inconstitucional. Tudo isso é porque tem muita gente envolvida, favorecida e mal informada. Esses tabus, essa questão do calote, muita gente fala isso. Eles tentam desqualificar. Falamos em auditoria e eles falam em calote. Mas estou falando em investigar. Se você não tem o que temer, vamos abrir os livros. Vamos mostrar tudo. Se a dívida é tão honrada, vamos olhar a origem dessa dívida, a contrapartida dela.

CC: Ao longo da entrevista, a senhora citou diversos momentos da história recente do Brasil, o que mostra que esse problema vem desde o governo Fernando Henrique Cardoso, e passou pelas gestões Lula e Dilma. Mas como a questão da dívida se agravou nos últimos anos? A dívida externa dos anos 1990 se transformou nessa dívida interna de hoje?

MLF: Houve essa transformação várias vezes na nossa história. Esses movimentos foram feitos de acordo com o interesse do mercado. Tanto de interna para externa, como de externa para interna, de acordo com o valor do dólar. Esses movimentos são feitos pelo Banco Central do Brasil em favor do mercado financeiro, invariavelmente. Quando o dólar está baixo, e seria interessante o Brasil quitar a dívida externa, por precisar de menos reais, se faz o contrário. Ele contrai mais dívida em dólar. Esses movimentos são sempre feitos contra nós e a favor do mercado financeiro.

CC: E o pagamento da dívida externa, em 2005?

MLF: O que a gente critica no governo Lula é que, para pagar a dívida externa em 2005, na época de 15 bilhões de dólares, ele emitiu reais. Ele emitiu dívida interna em reais. A dívida com o FMI [Fundo Monetário Internacional] era 4% ao ano de juros. A dívida interna que foi emitida na época estava em média 19,13% de juros ao ano. Houve uma troca de uma dívida de 4% ao ano para uma de 19% ao ano. Foi uma operação que provocou danos financeiros ao País. E a nossa dívida externa com o FMI não era uma dívida elevada, correspondia a menos de 2% da dívida total. E por que ele pagou uma dívida externa para o FMI que tinha juros baixo? Porque, no inconsciente coletivo, divida externa é com o FMI. Todo mundo acha que o FMI é o grande credor. Isso, realmente, gerou um ganho político para o Lula e uma tranquilidade para o mercado. Quantos debates a gente chama sobre a dívida e as pessoas falam: “Esse debate já não está resolvido? Já não pagamos a dívida toda?’. Não são poucas as pessoas que falam isso por conta dessa propaganda feita de que o Lula resolveu o problema da dívida. E o mercado ajuda a criar essas coisas. Eu falo o mercado porque, na época, eles também exigiram que a Argentina pagasse o FMI. E eles também pagaram de forma antecipada. Você vê as coisas aconteceram em vários lugares, de forma simultânea. Tudo bem armado, de fora para dentro, na mesma época.

CC: O que a experiência grega de auditoria da dívida poderia ensinar ao Brasil, na sua opinião?

MLF: São muitas lições. A primeira é a que ponto pode chegar esse plano de austeridade fiscal. Os casos aqui da Grécia são alarmantes. Em termos de desemprego, mais de 100 mil jovens formados deixaram o país nos últimos anos porque não têm emprego. Foram para o Canadá, Alemanha, vários outros países. A queda salarial, em média, é de 50%. E quem está trabalhando está feliz porque normalmente não tem emprego. Jornalista, por exemplo, não tem emprego. Tem até um jornalista que está colaborando com a nossa comissão e disse que só não está passando fome por conta da ajuda da família. A maioria dos empregos foram flexibilizados, as pessoas não têm direitos. Serviços de saúde fechados, escolas fechadas, não tem vacina em posto de saúde. Uma calamidade terrível. Trabalhadores virando mendigos de um dia para o outro. Tem ruas aqui em que todas as lojas estão fechadas. Todos esses pequenos comerciantes ou se tornaram dependentes da família ou foram para a rua ou, pior, se suicidaram. O número de suicídios aqui, reconhecidamente por esse problema econômico, passa de 5 mil. Tem vários casos de suicídio em praça pública para denunciar. Nesses dias em que estou aqui, houve uma homenagem em frente ao Parlamento para um homem que se suicidou e deixou uma carta na qual dizia que estava entregando a vida para que esse plano de austeridade fosse denunciado.

O Sintratel conseguiu uma grande vitória para os ex-trabalhadores da South.

O patrão encerrara as atividades da empresa e deixará todos na mão, sem receber seus direitos. Eles ficariam anos lutando na justiça para receber.

Mas no dia 7 de janeiro, após realizar um ato com os trabalhadores em frente ao Fórum Trabalhista Ruy Barbosa, o Sintratel conseguiu uma grande vitória ao ter seu pedido atendido pelo Juiz da 1ª. Vara do Trabalho de São Paulo.

O Juiz autorizou o Sindicato a dar baixa nas carteiras de trabalho dos ex-empregados da South. Para tanto eles tiveram um prazo elástico para entregar os documentos necessários ao Sindicato e providenciar a expedição dos alvarás para levantamento do FGTS e recebimento de Seguro Desemprego. O Sintratel fez mutirão por vários dias para atender os companheiros, inclusive em finais de semana.

O número especial do aniversário do atentado ao jornal francês 'Charlie Hebdo' chegou às bancas com uma tiragem de um milhão de exemplares com desenhos de algumas das vítimas e um editorial assinado pelo atual diretor, o desenhista Laurent Sourisseau, conhecido como "Riss", que dispara contra todos os que tentaram matar a publicação, sem sucesso, em particular contra os fanáticos religiosos.

"O ano de 2015 foi o ano mais terrível da história do 'Charlie Hebdo', porque fez sofrer o pior suplício para um periódico de opinião: pôr a toda prova nossas convicções. Eram suficientemente fortes para nos dar energia para nos levantarmos?"

"Você tem a resposta entre suas mãos" - se dirigindo diretamente aos leitores. "As convicções dos ateus e dos laicos podem movimentar ainda mais montanhas do que a fé dos crentes", finalizou.

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AtoSouth-7-1-16-Site-9O Sintratel realizou uma manifestação junto com os trabalhadores demitidos da South em frente ao Fórum Trabalhista Ruy Barbosa na manhã do dia 7 de janeiro.

Mesmo com o recesso da Justiça, o SINTRATEL conseguiu uma grande vitória ao ser atendido pelo Juiz da 1ª. Vara do Trabalho de São Paulo (processo nº 1000021-35.2015.5.02.0039).

O Sindicato solicitou e o Juiz concedeu a Tutela Antecipada pedida no processo para baixa nas carteiras de trabalho pelo SINTRATEL e, após a entrega de documentos, expedição dos alvarás para levantamento do FGTS e recebimento de Seguro Desemprego. (veja ao lado a decisão do juiz).

ÚLTIMA CHANCE PARA OS EX-TRABALHADORES DA SOUTH DAREM BAIXA NA CARTEIRA  ENTREGAREM OS DOCUMENTOS

O Sintratel estará atendendo os ex-trabalhadores da South durante na sexta feira, 15/01/2016, das 09h00 às 17h00, e no final de semana, 16 e 17/01, das 10h00 às 13h00, para providenciar as baixas nas Carteiras de Trabalho dos ex-trabalhadores e SouthJustica-Doc-Sitepara receber os documentos solicitados pelo Juiz. AGENDE SEU ATENDIMENTO PELO TELEFONE 3358 1777.

Pedimos que os trabalhadores compareçam à sede do SINTRATEL nesse fim de semana e levem os seguintes documentos em ORIGINAL E CÓPIA:

  1. RG;
  2. Carteira de Trabalho (Tirar cópia de todas as folhas da Carteira que tiver alguma anotação, mesmo que não seja da SOUTH);
  3. Últimos 12 (doze) holerits (se vc trabalhou menos que 12 meses, todos os holerits do período trabalhado);
  4. Caso você não tenha os holerits, o extrato bancário da conta corrente onde recebia salário dos últimos 12 meses ou de todo o período trabalhado;
  5. Extrato Analítico do FGTS (ligar no 08007260207 entrar na opção do FGTS e solicitar. Retirar após 05 (cinco) dias úteis. Não serve o extrato emitido no caixa eletrônico ou pela internet).

 

REUNIÃO COM O SANTANDER

O Sintratel conseguiu marcar reunião com o produto Santander, para o qual trabalhava a maior parte dos empregados da South.  A Diretoria do Sindicato discutirá com o banco a sua responsabilidade subsidiária, uma vez que a maior parte dos trabalhadores prejudicados prestavam serviço para o Banco.

A legislação determina que o tomador de serviços terceirizados seja responsável pelos pagamentos dos trabalhadores quando o empregador dá calote, como fez a a South, que fechou as portas sem rescindir os contratos e pagar os direitos de seus empregados.

 

 

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Sejamos claros: quem se coloca contra o reajuste do salário mínimo na verdade quer a redução do poder de compra da maioria absoluta dos brasileiros.

MinimoAo longo dos últimos anos, alguns substantivos e adjetivos acabaram ficando meio esquecidos, deixados de lado até mesmo pela maioria dos analistas políticos progressistas. Determinadas expressões de análise da dinâmica social, então, nem pensar mais em utilizá-las. Pecado para uns, sintoma de abordagem jurássica pra outros, o fato é que chamar as coisas e os fenômenos pelos nomes adequados passou a ser um incômodo. Mencionar categorias como capitalismo, exploração da força de trabalho ou mais-valia ficou, digamos assim, “démodé”.

Desde que Francis Fukuyama decidiu solenemente que estava decretado o Fim da História, em razão da suposta inevitabilidade histórica da supremacia do liberalismo após a queda do Muro de Berlim e o fim da experiência dos países socialistas, a questão das contradições do capitalismo deixaram de ser levadas a sério. E dentre elas, a oposição fundamental entre os interesses dos trabalhadores e os dos capitalistas. Sim, trata-se daquela contribuição essencial de Marx e Engels para o estudo e a crítica da realidade social e econômica ao longo da História: a famosa luta de classes.

O Decreto apenas regulamenta o previsto na Lei.

Pois a divulgação do novo valor do salário mínimo pela Presidenta Dilma acrescenta um novo ingrediente ao debate. O decreto que fixa em R$ 880 a menor remuneração recebida em nosso País apenas traduz em norma governamental o que está definido na lei n° 13.152, de 29 de julho de 2015, que prevê as regras para reajuste do salário mínimo para o quadriênio 2016-2019. O aumento de 11% é ligeiramente superior à inflação medida pelo INPC em 2015 somado ao pífio crescimento real do PIB em 2014. Então, qual é o grande problema?

O fato é que esse tema reacende os ânimos no Brasil das desigualdades. As gritarias e os esperneios vão desde os que não se conformam com uma política pública definindo regras mínimas de remuneração da força de trabalho até os argumentos mais sofisticados, que invocam as fragilidade das contas públicas para condenar qualquer tipo de vinculação dos gastos governamentais com o salário mínimo. Sejamos claros: quem se coloca contra o reajuste do salário mínimo e a vinculação de despesas sociais a tal valor, na verdade quer a redução do poder de compra da maioria absoluta dos cidadãos brasileiros. Simples assim!

Essa lengalenga é antiga. Desde a época em que o reajuste combinava com a comemoração do dia internacional de luta dos trabalhadores em primeiro de maio até o período mais recente, em que o aumento passou a valer desde o primeiro dia do ano civil. Quando Lula resolveu definir uma regra legal e institucional para esse procedimento, os catastrofistas já se colocaram em ação. Reajuste real do salário mínimo, é óbvio, iria provocar desemprego e aumento do tão falado custo Brasil. As empresas iriam quebrar e as contas da previdência social iriam explodir.

O salário mínimo subiu e o Brasil não quebrou.

Pois o que se viu foi um profundo desmentido da própria realidade sobre as teorias neoliberais e os modelitos do financismo, que sempre se colocaram de um lado muito bem definido na luta de classes. Os salários cresceram acima da inflação, a redução da desigualdade avançou e a crise que vivemos atualmente não tem absolutamente nada a ver com a (ainda baixa) remuneração do trabalhador. Quando a voz solitária do deputado federal, e depois senador, Paulo Paim (PT-RS) propunha fixar o salário mínimo em 100 dólares, todos achavam uma utopia ou uma tremenda irresponsabilidade. Pois ele chegou a valer quase US$ 400 (na época mais brava da valorização artificial da taxa de câmbio) e o Brasil tampouco quebrou por isso. Enquanto escrevo este artigo, o novo menor salário do nosso trabalhador passa a equivaler a US$ 220.

O argumento mais típico do pensamento “casa-grande-e-senzala” não aceita que o grau de desigualdade socioeconômica, que tão bem caracteriza nossas relações brasileiras, seja assim resolvido por conta de ganhos reais de salários. Afinal, os serviços domésticos e pessoais, dos quais nossas elites e parcela da classe média sempre estiveram habituadas a usufruir, ficaram mais caros. Os aeroportos e centros comerciais passaram a ser frequentados por gente que não está à altura desse tipo de frequência. As camadas mais próximas da base da pirâmide se apresentaram nos lugares com seus próprios veículos de passeio. As roupas e os acessórios de grife, pirateadas ou não, passaram a ser de uso generalizado na sociedade. Ora, como é que pode tanta audácia?

A retórica ganha um ponto de maior sofisticação quando se trata de discutir os ganhos reais do salário mínimo com base em seus efeitos macroeconômicos. Nesse caso, um dos focos do debate se orienta para a impossibilidade da economia brasileira suportar esse tipo de reajuste, em razão dos impactos sobre o tão falado “custo Brasil”. Uma forma de organização da produção, do comércio e dos serviços como a nossa, não teria condições de incorporar esse tipo de aumento, uma vez que os ganhos de produtividade não foram alcançados em igual período. A última década e meia se encarregou de demonstrar o oposto.

A mentira do rombo nas contas públicas.

O outro aspecto macro relaciona-se às finanças públicas. Nesse caso, a luta de classes ganha a escaramuça do desequilíbrio fiscal e invoca a premência do ajuste das contas governamentais. Afinal, a responsabilidade do déficit do Tesouro Nacional deve mesmo ser atribuída à fortuna mensal recebida por mais de 33 milhões de beneficiários da previdência social. Sim, pois 69% deles recebem até 1 salário mínimo por mês, enquanto sobe para 84% a parcela dos que ganham 2 salários mensais. Eles devem estar quebrando o Estado brasileiro!

Assim, o total de despesas realizadas pelo INSS ao longo de 12 meses equivale a R$ 434 bilhões, valor bastante inferior ao total de pagamento de juros da dívida pública federal - R$ 511 bi. O déficit previdenciário refere-se apenas ao subsistema dos trabalhadores rurais, uma vez que o subsistema dos trabalhadores urbanos ainda é superavitário. E ainda assim vale registrar o argumento de que as necessidades de financiamento dos agricultores não estão associadas a nenhum “desequilíbrio estrutural” do regime previdenciário. Na verdade, trata-se de uma decisão histórica da Assembléia Constituinte de 1988, que resolveu incorporar de forma cidadã esse vasto setor de nossa sociedade, ao qual era proibido o acesso ao sistema de previdência social até então.

E aqui a luta de classes escamoteia dos meios de comunicação informações relevantes. Por exemplo, 99% dos benefícios rurais são iguais a um salário mínimo. Além disso, a regressividade de nosso sistema tributário faz com que as faixas de menor renda sejam mais afetadas pelos impostos do que as do topo da pirâmide. Assim, mais de 50% da renda mensal das famílias que recebem até 2 salários mínimos voltam aos cofres públicos, sob a forma de tributação direta e indireta.

Já os que se demonstram profundamente indignados com a política de valorização real do salário mínimo contribuem com menos de 30% de sua renda para os tesouros federal, estadual e municipal. Assim, o desequilíbrio estrutural fiscal mais gritante encontra-se na conta de pagamento de juros da dívida pública. Ela apresenta um déficit anual de R$ 511 bi e recolhe pouco de R$ 150 bi sob a forma de tributos sobre essa massa de recursos públicos distribuídos às camadas mais ricas da sociedade. Já os beneficiários da previdência social apresentam um déficit de R$ 80 bi, dos quais R$ 40 bi retornarão ao caixa governamental sob a forma de impostos.

O Globo sugere triplicar o salário mínimo.

Mas o capitalismo funciona assim mesmo desde os seus primórdios: uma dinâmica permanente de luta de classes. Por intermédio de suas entidades, como o DIEESE, os trabalhadores buscam demonstrar que ainda há muito espaço para avançar na melhoria das conquistas salarias (e outras) dos trabalhadores. Já as classes dominantes se expressam por meio de órgãos de imprensa, como o conglomerado dominado pela “famiglia” Marinho, cujo editorial em 31 de dezembro passado tratou do tema. O texto alertava para os riscos de rombo nas contas públicas e qualificava a política de valorização do salário mínimo de “visão econômica tosca”. Ao lançar mão da ironia grossa, suspeita de sua eficácia como instrumento para retomar o crescimento econômico.

E o distraído escriba d’O Globo encerra sua peça com uma pergunta que deveria, na verdade, ser encarada como meta pelos governos ao longo dos próximos anos: “se é assim, por que não triplicar logo o salário mínimo?”. Eis, afinal, uma bela idéia apresentada pelo jornalão.

À luta, companheiros!


Do Site CartaMaior, por Paulo Kliass, doutor em Economia pela Universidade de Paris 10 e Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, carreira do governo federal.

 

O SINTRATEL CONVOCA OS EX-TRABALHADORES(AS) DA SOUTH PARA ATO PACÍFICO NA PORTA DO FÓRUM TRABALHISTA RUY BARBOSA E ENTREGA DE DOCUMENTOS NO SINTRATEL

Um mês depois de serem desligados de forma arbitrária e sem a garantia de NENHUM direito trabalhista, os ex-trabalhadores(AS) da empresaSOUTH DO BRASIL, em reunião realizada na sede do SINTRATEL no dia 04/01/2016, decidiram realizar manifestação pacífica no próximo dia 07/01/2016, a partir das 11:00h, na porta do Fórum Trabalhista Ruy Barbosa, situado na Avenida Marques de São Vicente, nº 235, Barra Funda, SP.

A manifestação tem por objetivo solicitar ao Juiz da 1ª. Vara do Trabalho de São Paulo (processo nº 1000021-35.2015.5.02.0039), que seja apreciada a Tutela Antecipada pedida no processo para baixa nas carteiras de trabalho e expedição de alvarás para levantamento do FGTS e percepção de Seguro Desemprego e para que seja designada audiência o mais breve possível.

Ajude o Sindicato nessa luta.

Compareça no próximo dia 07/01/2016 às 11:00h para defesa dos seus direitos!

 

ENTREGA DE DOCUMENTOS

Além disso, o SINTRATEL solicita que os ex-trabalhadores(as) entreguem na sede do SINTRATEL, aos cuidados de ALINE ou THAYNNÃ, os seguintes documentos:

  1. Últimos 12 (doze) holerits (se vc trabalhou menos que 12 meses, todos os holerits do período trabalhado);
  2. Caso você não tenha os holerits, o extrato bancário da conta corrente onde recebia salário dos últimos 12 meses ou de todo o período trabalhado;
  3. Extrato Analítico do FGTS (ligar no 08007260207 entrar na opção do FGTS e solicitar). Retirar após 05 (cinco) dias úteis. Não serve o extrato emitido no caixa eletrônico ou pela internet).