O Sindicato dos Trabalhadores em Telemarketing de São Paulo (Sintratel) comemorou a aprovação, pelo Senado Federal, nesta quarta-feira (14/10), da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6x1. A decisão representa um avanço para milhões de trabalhadores e trabalhadoras que lutam por melhores condições de trabalho, mais descanso e qualidade de vida.

Em vídeo, o presidente do Sintratel, Marco Aurélio, destacou a importância histórica da aprovação e ressaltou que a mudança atende a uma antiga reivindicação da categoria. “Agora sabemos o quanto é importante ter um dia a mais de folga, principalmente no telemarketing”, afirmou.

A proposta, encabeçada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, representa uma conquista para a classe trabalhadora e um marco na trajetória do movimento sindical brasileiro, que há anos reivindica a redução da jornada e melhores condições de trabalho. Em um momento marcado pelo debate eleitoral, é importante reconhecer as iniciativas que podem melhorar concretamente a vida da população.

Com mais um dia de descanso semanal, milhões de pessoas poderão recuperar as energias, cuidar da saúde, desfrutar da companhia da família, investir nos estudos, dedicar tempo ao lazer ou simplesmente fazer o que quiserem com o próprio tempo. Para os profissionais de telemarketing, submetidos a rotinas intensas, pressão por resultados e desgaste físico e emocional, essa mudança pode representar um ganho significativo de qualidade de vida.

Atenção às promessas eleitorais: direitos precisam ser preservados

O Sintratel alerta para o momento político que o país atravessa e reforça que a defesa dos direitos trabalhistas precisa ser considerada na hora de escolher os representantes. Mais do que nunca, é fundamental apoiar candidatos comprometidos com a pauta da classe trabalhadora, com a manutenção das conquistas sociais e com a ampliação de direitos.

O sindicato chama a atenção para as posições contraditórias que podem surgir no debate eleitoral. Flávio Bolsonaro declarou apoio ao fim da escala 6x1, mas há declarações atribuídas a ele sobre a possibilidade de revogar a proposta em janeiro e implantar a remuneração por horas trabalhadas. Essas afirmações precisam ser verificadas e esclarecidas, pois mudanças dessa natureza podem ter consequências importantes para a jornada, a remuneração e o descanso dos trabalhadores.

A escolha política também é uma forma de defender ou colocar em risco conquistas históricas. O segundo turno ainda pode ser uma oportunidade para refletir sobre os compromissos de cada candidatura com os trabalhadores e trabalhadoras. Depois, não adianta chorar o leite derramado. É preciso analisar propostas, histórico e posicionamentos antes de decidir.

Para o Sintratel, a luta não termina com a votação no Senado. É necessário acompanhar os próximos passos da tramitação e garantir que a redução da jornada, os dois dias de descanso remunerado e a manutenção dos salários se convertam em direitos efetivos. A história do movimento sindical mostra que nenhuma conquista está totalmente protegida sem mobilização, organização e participação dos trabalhadores.

O que muda com a PEC
A proposta estabelece a substituição da escala 6x1 por uma jornada com dois dias de descanso remunerado por semana, sem redução salarial. A implementação será gradual: dois meses após a promulgação, a jornada semanal passará de 44 para 42 horas; depois de mais um ano, será reduzida para 40 horas semanais.

Os trabalhadores que já cumprem jornadas de até 40 horas semanais também terão direito aos dois dias de descanso remunerado, sem redução proporcional da jornada. A proposta prevê ainda regras específicas para determinadas atividades, além de medidas de transição para micro e pequenas empresas e contratos de terceirização.